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SUDÃO

A oposição sudanesa chama uma greve geral depois de romper as negociações com os militares

Um novo fracasso nas negociações entre o Exército e a oposição mantém a crise aberta. Os manifestantes ainda pedem que o regime caia.

quinta-feira 23 de maio| Edição do dia

A Associação de Profissionais do Sudão (APS) chamou nesta quarta-feira (22) para que se organize uma greve geral com a demanda que a cúpula do Exército abandone o governo que mantém através do Conselho de Transição Militar.

Desde a queda de Al Bashir, em meio a mobilizações de massa pedindo sua renúncia, em 11 de abril, depois de 30 anos no poder, o executivo foi deixado nas mãos de uma junta militar.

As negociações entre os líderes militares e os representantes da oposição para a formação de um novo governo foram retomadas no domingo à noite, depois que ambos os lados anunciaram que chegaram a um acordo preliminar.

Dos líderes das Forças de Liberdade e Mudança, a principal plataforma de oposição do Sudão, disse quarta-feira em um comunicado que a junta militar continua a "impedir a revolução". Por essa razão, o movimento de oposição anunciou que convocará uma greve geral ou promoverá um movimento de "desobediência civil", buscando usar o descontentamento social para pressionar os militares.

A oposição que mantém o diálogo com os militares é uma coalizão de partidos liberais e burgueses, e alguns sindicatos que atuam há vários anos. Ela conseguiu dirigir rapidamente a situação através do Associação de Profissionais do Sudão (APS), que tem o apoio de vários partidos de centro e centro-esquerda, como as Forças Nacional de Consenso (FCN), onde se encontra Partido Comunista do Sudão.

O apelo da oposição, embora ainda não tenha data confirmada, despertou uma resposta rápida de diferentes setores dos trabalhadores.

Novos protestos massivos também foram convocados na próxima quinta-feira em todas as cidades e bairros até o "comando geral das Forças Armadas do Povo", em referência à sede do Exército Sudanês.

As manifestações que derrubaram Al Bashir estão gerando dores de cabeça para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, já que utilizam a localização estratégica do país para intervir em uma guerra civil no Iêmen, com a participação do exército sudanês como bucha de canhão. Os interesses da Arábia Saudita e dos Emirados estão em evitar qualquer tipo de governo civil eleito por meio de eleições e apoiar via Forças Armadas a cooperação militar e a estreita relação financeira através do Banco Islâmico Faisal do Sudão (da Arábia Saudita) e do Banco Nacional de Abu Dhabi (dos Emirados Árabes).

Até agora, as tentativas de chegar a um acordo que impede a continuação da crise seguem a fracassar, os acampamentos e mobilizações continuam contra um dos regimes mais opressivos da África com o grito de "baixo Tasqout": Que caia já!




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