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A oposição prepara sua “Tomada de Caracas” e o Governo seu “Plano de Ofensiva”

Não faltaram declarações nesta quinta-feira da MUD, assim como do governo sobre o 1 Setembro, data em que a direita prepara o que chamou de “Tomada de Caracas” e o Governo o “Plano de Ofensiva”

sexta-feira 26 de agosto| Edição do dia

A oposição aglutinada na chamada Mesa da Unidade Democrática (MUD), anunciou nesta quinta os sete pontos de concentração para a marcha convocada para o próximo 1º de setembro que denominaram a “Tomada de Caracas”, e que vieram convocando há mais de uma semana para pressionar para que o referendo revogatório se realize neste ano.

Jesús “Chuó” Torrealba, secretário executivo da aliança direitista opositora indicou que serão sete os pontos de concentração que funcionarão nesse dia em Caracas. Acrescentando que desde essas áreas, avançarão até um único ponto de concentração que será anunciado 48 horas antes da manifestação, ou seja, na terça-feira, dia 30 de agosto.

O dirigente da oposição também se referiu à decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), anunciada na quarta-feira passada, de aprovar a solicitação feita pela Unidade para que se convoque a segunda etapa do Referendo Revogatório contra Maduro, na qual 20% do eleitorado venezuelano "deverá manifestar sua vontade para que se leve a cabo o processo”.

O governo, na voz de Aristóbulo Istúriz, manifestou também nesta quinta-feira que o chamado da mobilização convocada pela MUD para o 1 de setembro “é um plano conspirativo contra o Governo de Nicolás Maduro (...) Nós sairemos às ruas para defender a revolução”.

Aristóbulo, que é vice-presidente do país, declarou que são os setores da oposição quem estão “buscando constantemente os caminhos da violência para acabar com o Governo bolivariano”. E utilizando terminologia de guerra, argumentou que a MUD pretende passar da “guerra econômica à guerra política e à guerra social”, buscando indicar que desde a oposição se prepara para uma escalada maior do conflito.

Assim, para esse 1 de setembro, de acordo com Aristóbulo, “nós chavistas vamos sair às ruas para defender a revolução, temos a disposição”, enfatizando e ratificando que “o chavismo vai ficar nas ruas (...) atacando a guerra econômica e protegendo nosso povo”.

Nesta mesma quinta, Maduro declarou que o governo prepara um “Plano de Ofensiva” para a “vitória da paz” que iniciará no 1 de setembro, precisamente no dia em que a oposição convocou uma marcha para exigir a realização de um referendo revogatório presidencial. Embora em nenhum momento Maduro explicou no que consistiria este “Plano”.

Buscando impor uma nova correlação de forças e mostrar vigor nas ruas

Na verdade, o que ambos setores buscam é impor uma nova correlação de forças a seu favor no marco da tensão política nacional e as prováveis negociações que poderiam estar acontecendo nos telões de fundo, assim como as perguntas a respeito do referendo revogatório.

Até o momento a MUD não conseguiu fazer uma demonstração de força massiva nas ruas, nem antes nem depois de obter seu triunfo eleitoral no dia 6 de dezembro passado, como para pressionar mais o governo de Maduro e conseguir fazer com que ele “dê o braço a torcer”. Mas tampouco o governo, afogado pela crise e pela instabilidade política, conseguiu fazer a MUD retroceder em seu plano de referendo no marco do conflito de poderes existentes no país.

A pressa da oposição em fazer o referendo neste ano implica em que, segundo a Constituição, se se realiza em 2017 e Maduro é reeleito, não ocorreriam as novas eleições e seria o vice-presidente o encarregado de terminar o mandato até 2019. No decorrer da validação, a oposição deverá reunir 3,9 milhões de assinaturas em não mais que 3 dias. Para que o mandato de Maduro se considere revogado devem votar a favor de sua saída número igual ou maior de eleitores que o escolheram em 2013: 7,5 milhões.

Neste contexto nacional que vinham ocorrendo movimentos e declarações internacionais que buscam apontar à direita da MUD e fazer pesar o fio da balança a seu favor, sobretudo na briga pelo referendo revogatório. Por isso não são casuais as movimentações políticas dos setores internacionais que buscam reforçar a oposição, pois na marcha deles para este 1 de setembro, que se prefigura de tensão social, a direita busca mostrar força nas ruas.

Como exemplo, o secretário da OEA, Luis Almagro afirmou na terça-feira que “se isso definitivamente se concretizar (que não haja referendo neste ano) sanções mais drásticas devem ser tomadas a respeito pela Organização (OEA) e pelas outras organizações regionais e subregionais”. Acrescentando que a não conclusão da consulta seria um fato “absolutamente inadmissível” para a comunidade internacional e para a OEA, e que as sanções a avaliar diante deste cenário consistiriam “na aplicação de todos os mecanismos e cláusulas democráticas que existem no continente”. Como vemos, atuando como uma verdadeira ponta de lança dos interesses imperialistas no país.

Não faltou pressão intervencionista do imperialismo, assim nesta quinta-feira soube-se que mais de 30 congressistas estadunidenses, tanto democratas como republicanos, pediram hoje aos secretários do Estado, John Kerry, e do Tesouro, Jack Lew, impor sanções a mais oficiais do país, considerando que “a democracia está falhando” na Venezuela. Estes representantes, muitos deles do estado da Flórida, pediram em uma carta a Kerry e Lew que tomem “ações imediatas” diante do que afirmam “terrível crise econômica, política e de direitos humanos que sofre a Venezuela”.

A escalada sulamericana, nestes dias, também se tem visto uma política ofensiva por países como Paraguai, Brasil e Argentina buscando pressionar o governo de Maduro, impedindo que a Venezuela assuma a presidência temporária do Mercosul, que por rotatividade lhe caberia, sob a mesma argumentação política que fazem Luis Almagro e os congressitas norteamericanos.

Nada de progressivo em nenhuma destas marchas para o povo

Enquanto estas marchas de um ou outro setor se preparam com vozes altissonantes, com a direita falando de paz e que a mobilização será pacífica e o governo de “consolidar a paz para o povo venezuelano”, longe estão dos interesses dos trabalhadores e do povo pobre que vem sofrendo uma das mais severas crises que se tem vivido nas últimas décadas.

Não há nada progressivo para a classe trabalhadora em nenhuma destas marchas que estão sendo preparadas para o 1 de setembro, além das distintas retóricas que usam tanto o governo de Maduro, como a MUD. O povo vem sofrendo uma opressiva crise que o governo com suas políticas de ajuste deixa descarregar sobre suas costas; por sua parte a direita da MUD, com sua política demogógica, se prepara para pescar no rio revolto, mas encarna todo um plano reacionário e antioperário.




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