Política

GOLPISMO DE TOGA E MINISTÉRIO

A missão de Moro no ministério é privatizar a Petrobras, nada de combater a corrupção

Tendo super-poderes poderá continuar blindando os esquemas de corrupção que não forem politicamente convenientes, como tanto fez com empresas estrangeiras e tucanos, e além disso usar a força do ministério para uma de suas principais missões: liquidar a empresa símbolo do país, a Petrobras.

quinta-feira 1º de novembro| Edição do dia

Moro dizia no ano passado que Caixa 2 era pior que corrupção, e eis que fará parte de um governo eleito com uma mãozinha de caixa 2. Ele também dividirá ministério com Onyx, recebedor confesso de dinheiro da JBS em Caixa 2. O ministério da "Justiça" de Moro não terá nada a ver com combater a corrupção.

Para quem ainda tinha alguma dúvida o dia de hoje terminou de dirimi-las. Moro escancarou as portas do escárnio e sua missão golpista. Sua atuação como magistrado sempre foi política e arbitrária, seus interesses sempre estiveram patentes, ajudar nos ataques e no golpe institucional agora continuado em eleições manipuladas e sobretudo, abrir de par em par as portas da privatização da Petrobras. Sua missão além de dirigir o país através do autoritarismo judicial a de ajudar na privatização de tudo, especialmente a Petrobras.
Hoje, ao ser nomeado Moro agradeceu o convite e ficou radiante, como um universitário segundo Bolsonaro, o presidente eleito por sua vez agradeceu o juiz dizendo que sem a Lava Jato nunca teria se elegido.

O comentário de Bolsonaro não podia ser mais verdadeiro. A Lava Jato foi uma operação completamente seletiva e teleguiada para ocultar determinados esquemas de corrupção, elucidar outros, condenar “sem provas, mas com convicções”, e foi conduzida para prender arbitrariamente Lula e depois com a mãozinha do restante do judiciário pode manipular este pleito eleitoral, desde conduzir em quem os eleitores poderiam votar, até mesmo sequestrando Lula no cárcere curitibano a ponto de impedir entrevistas e culminou na interesseira divulgação parcial da delação de Palocci por Moro e na vista grossa do TSE com o crime de caixa 2 de Bolsonaro. Assim que Bolsonaro se elegeu e agora retribuiu o favor a Moro.

É certo também que Bolsonaro e Moro se aproximam não somente por dependência ou favores mútuos. Eles tem interesses comuns para além de atacar o PT e conduzir a continuidade do golpe institucional iniciado em 2016. Ambos trazem em seu programa a privatização da Petrobras. É explícito e declarado o objetivo.

Bolsonaro dizia em seu programa que desejaria privatizar o refino, transporte, e comercialização da petroleira. Guedes dizia privatizar tudo, e até mesmo os generais tidos por muito como “nacionalistas” são “entreguistas” de carteirinha e confirmaram em entrevistas a privatização da empresa símbolo do país.

Moro é um entusiasta da operação Mãos Limpas e entre os diversos elogios que teceu à operação italiana que inspirou a Lava Jato está a privatização da ENI (de petróleo) e outras estatais.

Os EUA já o citaram em cabos diplomáticos, os Wikileaks – ou seja comunicações secretas e internas – que vazaram, que ele era um defensor de seus interesses no Brasil, e está fartamente documentada a arbitrariedade e como não tinha nada a ver com corrupção a operação Lava Jato.

Esta operação iniciada com a delação de um doleiro de um caso já investigado por Moro e que terminou em pizza – o Banestado – apontou corrupção na Petrobras envolvendo as empreiteiras. Numerosas operações foram realizadas mas todas elas – por um ministério inexplicável juridicamente – nunca tocaram a maior e mais rica diretoria da Petrobras, a Exploração & Produção. A lógica diz que se todas diretorias tinham corrupção, deve se esperar que a mais rica também tenha...mas a especificidade desta diretoria é que seu contratos terceirizados nunca foram com Odebrecht & Camargo Correa, etc, mas com Shell, Total, BP, Halliburton...empresas que nunca devem ser investigadas e enlameadas, pois afinal serão compradoras da Petrobras à preço de banana.

Este Esquerda Diário já mostrou o especial interesse da Lava Jato em dinamitar áreas da Petrobras que ofereciam um desafio tecnológico a monopólios imperialistas – especialmente o de “navios-sonda”.

O conjunto da obra de Moro na 13ª vara de Curitiba, foi o de minar a Petrobras, outras estatais, ajudar no golpe institucional, salvaguardar as empresas imperialistas e políticos tucanos e outros que não eram alvo da operação.

Agora, na Esplanada dos Ministérios Moro terá um poder aumentado. Terá a PF em suas mãos, terá intensa influência na Procuradoria Geral da República e poderá combinar a função de “engavetador geral da República”, com a conclusão de seu trabalho de minar a empresa-símbolo do país e concretizar o que o cabo americano dizia, ser um defensor dos interesses ianques aqui.

O combate à corrupção não tem a nada a ver com sua nomeação, ela visa o ouro negro e continuar o golpismo.

Nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e do Esquerda Diário, lutamos contra cada avanço do golpe institucional desde 2016, fizemos isso combatendo o judiciário, a extrema-direita e todas as reformas. Levamos nosso combate de forma independente do PT, nunca apoiando seu program de conciliação de classes, mesmo quando energicamente defendemos o direito da população votar em quem quiser, inclusive no PT e Lula. O avanço do golpismo nestas eleições manipuladas e na formação de um ministério que tem como missão trucidar o direito do povo brasileiro se aposentar e acabar com as estatais precisa ser combatida, exigindo das centrais sindicais um plano de ação contra as reformas de Temer e o golpismo. Neste combate colocamos a necessidade de superar tanto os entraves burocráticos das centrais à luta de classes como o projeto conciliador do PT que abriu espaço para o avanço da direita.




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