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FRANÇA

A manobra do Ministro do Interior francês para associar os protestos dos trabalhadores à extrema-direita

Nesse sábado, 24 de novembro, os “Coletes Amarelos” (manifestantes contra o aumento dos combustíveis) realizaram o segundo ato de mobilização em Paris e em toda a França, e o governo procura diminuí-los, atribuindo aos protestos uma direção de extrema-direita. Se pequenos grupos de extrema-direita se infiltraram, de fato, na manifestação na Champs-Elysées, trata-se de um fenômeno marginal. E o discurso de Castaner, que visa a Le Pen, é apenas uma tentativa de negar a revolta popular em curso sobre a questão do “poder de compra”, contra Macron e suas políticas antioperárias e antipopulares.

segunda-feira 26 de novembro| Edição do dia

À margem da manifestação, o Ministro do Interior, Christophe Castaner, falou publicamente na tarde de domingo para comentar sobre a manifestação na Champs-Elysées, em Paris, onde vários milhares de Coletes Amarelos (em francês, “Le Gilets Jaunes”, alguns “Coletes Laranjas” (“Les Gilets Oranges”) dos ferroviários, trabalhadores e estudantes manifestavam contra a redução do poder de compra, contra Macron e suas políticas. Como pequenos grupos de extrema-direita estavam, de fato, presentes no protesto, o ministro aproveitou para alvejar Marine Le Pen, denunciando que a “extrema-direita” teria “atendido ao chamado” da manifestação nacional.

Quer Marine Le Pen esteja ou não envolvida com a presença desses militantes de extrema-direita, e ainda que seja muito institucional para eles, com essa manobra, o Ministro do Interior pretende fazer crer que a manifestação em seu todo seria uma manifestação de extrema-direita.

Para isso, Castaner, ajudado pela mídia, utilizou de uma divergência anterior, a de autorizar manifestação no Champs-de-Mars, o que os Coletes Amarelos nunca quiseram. A partir disso, Marine Le Pen, a fim de instrumentalizar e monopolizar os Coletes Amarelos, perguntou a Cataner por que a manifestação não era permitida na avenida [Champs-Elysées].

Tradução: "Perguntei ao governo por que ele não autorizou os #GiletsJaunes a se manifestar na Champs-Elysées. Hoje, Castaner utiliza essa questão para me tornar um alvo. É medíocre e desonesto da parte do autor dessa manipulação política." MLP

Colocar a responsabilidade das “violências” em Le Pen é, para Castaner, uma maneira de demonizar toda a manifestação e de lhe dar uma coloração de extrema-direita.

No entanto, até mesmo alguns jornalistas tiveram dificuldade de aceitar a “denúncia” de Castaner. Uma jornalista explicou que “se percebe claramente que não se trata apenas da extrema-direita”. Na verdade, a grande maioria dos Coletes Amarelos é de classes médias empobrecidas, modestas de assalariados lambda, ou ainda de ferroviários e estudantes.

A realidade, como explicam vários Coletes Amarelos interrogados pela imprensa na Champs-Elysées, é que foram os CRS (em francês, Compagnie répubicaine de sécurite, ou Companhia Republicana de Segurança, em tradução livre, órgão da polícia nacional francesa) que “envenenaram” a situação. Eles se sentem no direito de gastar sua raiva, mesmo que a prefeitura não tenha autorizado sua presença na avenida.

Definitivamente, o que Castaner faz é manipular, como tantos outros policiais tentaram antes dele, destacando o “espantalho” da extrema-direita, para dividir o movimento social e enfraquecer suas revindicações. Uma maneira de manchar o movimento legítimo dos Coletes e um sinal a mais de que o que o governo mais teme é que a mobilização se amplie contra Macron e suas políticas.

Tradução de Lina Morais.




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