Política

JUSTIÇA E DORIA EXPÕE METROVIÁRIOS A CONTÁGIO

A mando de Doria, TST caça liminar e Metrô de SP não garante EPIs para todos funcionários 

Rodrigo Tufão

diretor do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

quinta-feira 9 de abril| Edição do dia

A presidenta do TST, Ministra Cristina Peduzzi, que recebe um salário de R$37.328,65 (fora adicionais), cassa liminar do sindicato dos metroviários, que obrigava a empresa a fornecer EPIs (Equipamento de Proteção Individual) a todos funcionários efetivos e terceirizados do metrô, além de colocar em home office todos os trabalhadores do grupo de risco. Alegando um alto custo das medidas aos cofres públicos, a Ministra mostra que não se importa com a saúde da população. Trata-se aqui de uma decisão que atenta contra a vida de milhares de trabalhadores do transporte e milhões de usuários, que ao longo das semanas podem precisar usar o Metrô em meio à crise do vírus.

O discurso criminoso de Bolsonaro, onde, junto a empresários, prega a volta à normalidade e o fim do isolamento para os trabalhadores, parece contrastar com os discursos de governadores, prefeitos, parlamentares, ministros e juízes, que defendem o isolamento. Porém, na prática as ações de todas as instituições do Estado brasileiro caminham no sentido do que Bolsonaro prega. Em pronunciamentos televisivos, governadores enchem a boca para falar em defesa da vida, mas não garantem as mínimas condições para que o povo se proteja da pandemia. Sem testes massivos para a população, EPIs para todos, licenças remuneradas e a conversão da indústria para produção de respiradores, as palavras das autoridades se dissolvem ao vento. A maioria fica sem ter acesso a mínimas condições de proteção ao vírus, e os setores essenciais, como profissionais da saúde e transporte, trabalham sem todos os EPIs imprescindíveis nesses dias difíceis.

O governador Doria, que diz defender a vida, ordenou ao Metrô de SP que pedisse a cassação da liminar para suspender essa decisão judicial, que obrigava a empresa a garantir EPIs a todos, colocando assim os trabalhadores e usuários do transporte em um alto risco. Assim como o irresponsável Bolsonaro, Doria atua nos bastidores para não cumprir as orientações da OMS; querem que a cidade continue funcionando sem a devida proteção aos trabalhadores dos serviços essenciais. Enquanto não houver EPIs para todos, efetivos e terceirizados, os riscos de contaminação e disseminação do vírus são altíssimos. Vemos nessas ações como a vida não está em primeiro lugar para os gestores do Estado capitalista.

Só os trabalhadores auto-organizados nos locais de trabalho podem dar uma resposta a esse descaso das instituições capitalistas com a vida da população. Organizar reuniões em cada área de trabalho para levantar as demandas e os métodos de luta é a melhor forma de responder a esses absurdos. As centrais sindicais já deveriam estar orientando todas as bases a fazer isso, ao invés de negociarem com esses governadores nossas vidas.

Veja nota do sindicato dos metroviários de SP sobre mais esse absurdo da direção da empresa e do Governador Doria.




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