Política

JUVENTUDE CONTRA OS AJUSTES

A maior onda de ocupações do país avança nas universidades: é preciso unificar para vencer

Se somando às mais de 800 ocupações de escola no Paraná e mais centenas em todo o país, a juventude universitária vem entrando em cena na última semana e mostra que a inspiração dos secundaristas pode incendiar a luta da educação no país.

Tatiane Lopes

Unicamp, Campinas

sábado 5 de novembro| Edição do dia

A última semana foi bastante conturbada para o movimento secundarista que ocupa suas escolas em todo o país, e especialmente no Paraná. O governo federal fez um grande jogo político com a desinformação sobre o futuro do ENEM para os que fariam prova nas escolas ocupadas. No Distrito Federal um juiz autorizou métodos de tortura contra os estudantes na ocupação; o governo Richa no Paraná expediu mandado de reintegração de posse para dezenas de escolas de Curitiba que, diante da truculência e falta de diálogo, mas sobretudo pela força da resistência do movimento,já estão sendo reocupadas pelos estudantes. Além dessas, a boa novidade da semana é que nas universidades se fortalece a luta contra a PEC e a reforma do Ensino Médio.

Já são centenas de campi universitários ocupados em todo o país, ontem foi a vez a UFRJ decidir entrar na luta contra a PEC e os ataques à educação; no Nordeste a Federal do Ceará fez assembleia massiva e contagiante entrando pro forte movimento; de Campina Grande ao Rio Grande do Sul a mobilização também avança, nas capitais ou no interior; em Minas Gerais a primeira Universidade privada, PUC Minas, também se somou à luta nacional contra os ajustes de Temer. Mesmo no polo das ocupações de escola como no Paraná, sempre é possível crescer, como com a ocupação da UEL nesta sexta, ou a ocupação da Câmara de Vereadores de Londrina. Essas são algumas demostrações de que o movimento segue forte e é hora de avançar em organização e coordenação para unificar e vencer.

Mesmo em São Paulo, onde a repressão sistemática de Alckmin sufoca a luta da juventude, fazendo dezenas de reintegrações sem mandado e nem mesmo deixando ocupações se consolidarem como foi no Centro Paula Souza, ou como também vem acontecendo no interior, como em Campinas, Bauru e Piracicaba entre outras, a insistência ativa da juventude mostra que tem muita disposição para resistir aos ataques e lutar por um futuro. A maior onda de ocupações talvez de toda a história da América Latina, superando em números absolutos até a histórica revolta dos pinguins no Chile, mostra que o golpe e o avanço superestrutural da direita nas eleições, bem como a derrota histórica do PT do qual devemos tirar as lições, não são em si o desfecho daquele junho de 2013 que também vive em cada ocupação, em cada ato de resistência da juventude contra os ataques do governo. Resta disputar seus desdobramentos. Temer não está fraco, ainda assim pode ser derrotado com a energia da juventude que pode incendiar a classe operária brasileira e superar a trégua das burocracias sindicais, impondo greve geral contra os ajustes, a começar por um forte exemplo de preparação e mobilização na base para construir o dia 11 em cada escola e fábrica, unificar as ocupações e paralisar as fábricas para derrotar os ajustes e Temer.




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