Economia

CRISE NO RJ

"A maior crise na saúde da história do Rio" afirma CREMERJ

Com a crise do estado do Rio de Janeiro, a situação de calamidade avança agora sobre as prefeituras e começa a tomar contornos mais dramáticos fechando leitos, reduzindo pessoal e fechando UPAs, tanto no estado como em alguns dos 92 municípios do Rio.

Juan Pablo Díaz Vio

RIO DE JANEIRO

segunda-feira 19 de dezembro de 2016| Edição do dia

O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) Nelson Nahon, em visita ao Hospital Municipal Pedro II, onde a direção do hospital suspendeu as internações, afirmou que a saúde pública nos hospitais e UPAs dos municípios do estado do Rio de Janeiro vivem hoje sua maior crise. Superlotação, redução de internações e de cirurgias, redução de médicos, técnicos e enfermeiras são a cara da maior crise da história da Saúde no Rio de Janeiro.

O vice-presidente afirmou que "a crise geral do estado está chegando agora também no município, por que não é só no Pedro II e na emergência lá de Santa Cruz que está tendo essa redução. (...) A maternidade Mariska Ribeiro em Bangu nos procurou aqui preocupadas porque chegaram a receber aviso prévio, todos os funcionários porque não estavam repassando a dotação sanitária para eles. Nós temos o Salgado Filho. A prefeitura fechou 4 leitos de pacientes graves pediátricos, lá na emergência do Salgado Filho. O Souza Aguiar há mais de 1 ano foi fechado no CTI pediátrico, 6 leitos e agora parece que a crise, que estava afetando principalmente os hospitais estaduais e as UPAs estaduais, começa também a chegar nos hospitais municipais pela falta de repasse da dotação orçamentária."

Nahon afirmou também que a população "corre sérios riscos no seu atendimento" e que por lei o estado deveria repassar para saúde 12% do orçamento mas que atualmente só está repassando 5%. Nahon colocou também que o estado do Rio tem deixado de investir em Saúde mais de R$2,5 bilhões. Soma de recursos gigantesca mas que nem se compara com a dívida pública do estado que chega hoje aos R$100 bilhões. Foi gasto R$4 bilhões esse ano no pagamento dos juros e amortizações da dívida pública.

O vice-presidente da CREMERJ também afirmou que há hospitais fechando serviços em todo o Rio de Janeiro. O hospital da mulher em Cabo Frio fechou, 5 UPAs fechadas no Rio de Janeiro, São João de Meriti, Barra Mansa, Itaguaí, Angra dos Reis e uma UPA também em Cabo Frio. O estado não repassa há mais de 1 ano o valor mensal R$500 mil para as UPAs dos municípios. O vice-presidente afirma também que tem hospitais sem seringa, sem soro fisiológico, ou que tem reduzido o plantão tirando médicos, enfermeiras e técnicos.

Para enfrentar essa crise, a CREMERJ está propondo um "gabinete de crise" composto pelos governos municipal, estadual e federal com injeção de recursos federais na saúde do Rio, mas sem questionar nem acabar com as OS que administram a saúde sugando os recursos públicos. Enquanto isso milhões de reais continuam cada dia sendo sugados pelos banqueiros através do sistema de pagamento da dívida pública. O não pagamento da dívida pública é a única forma de não só resolver a crise econômica e da saúde pública, mas também de melhorar esses serviços para assim melhorar a qualidade de vida da população.

Por outro lado, os servidores públicos continuam em luta contra o pacote de maldades do Pezão e contra a PEC55 e realizarão na manhã desta terça (20) um ato contra os ataques do governo Estadual na ALERJ, às 10h da manhã. O esquerda diário estará presente impulsionando a campanha "Pelo não pagamento da dívida pública"




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