Juventude

JUVENTUDE

A juventude do Paraná mostra o caminho para derrotar os ajustes

Tatiane Lima

UNICAMP

quinta-feira 20 de outubro| Edição do dia

Os estudantes do Paraná estão ocupando centenas de escolas e dando uma grande aula de resistência contra a PEC 241 e a Medida Provisória que decreta a Reforma do Ensino Médio. Essa lição já se espalha por outras ocupações de escolas e universidades federais em vários cantos do país. Com essa nova entrada em cena da juventude o grande objetivo do governo Temer e seus aliados golpistas encontra um importante obstáculo.

Temer quer aprovar a PEC 241 para descarregar as contas da dita crise fiscal nas costas de nós jovens e dos trabalhadores. Se em nosso país a educação e o futuro dos jovens nunca foi prioridade, a direita neoliberal mais escancarada consolidou seu golpe institucional e agora busca impor uma nova situação para tirar do que já é insuficiente e impor seu projeto privatista e precarizador até o final. Um primeiro passo está sendo o corte total ou significativo de programas educacionais, como o programa Universidade Aberta do Brasil, Pronatec, FIES etc. O empenho do governo está no plano de efetivar ataques mais globais e profundos, que consigam impor uma nova estrutura social, sem direitos e propagando sua ideologia empresarial para explorar mais. A “militância” dos deputados, senadores conservadores e da grande mídia golpista consiste em fazer propaganda, dizendo à população que é necessário cortar dos serviços públicos e ampliar a precarização da vida dos trabalhadores pelos “tempos de crise”.

Só não há tempos de crise para os privilégios dos políticos ou para os juízes arbitrários e mais caros do mundo. Para a juventude a propaganda vai além, o discurso em defesa da Reforma do Ensino Médio às vezes esconde sua cara liberal de produtividade e eficiência. Falam até em autonomia do estudante, tentando não pisar em ovos com uma juventude que se forjou crítica nos últimos três anos, que protagonizou as jornadas de junho de 2013, impulsionou diversas lutas contra os ataques na educação que o governo do PT já vinha desferindo e derrotou um dos governos mais autoritários do país com as ocupações de escolas em São Paulo. A ânsia por aprovar com pressa esses ataques esbarra agora num processo de luta ainda maior no Paraná, a despeito de toda a demagogia desse governo ilegítimo.

O PT e seus apoiadores de longa data, como o PCdoB (partido dos jovens da UJS), mal tomaram o golpe e já estavam aliados aos golpistas nas últimas eleições municipais. Isso é mais uma prova de que não só abriram espaço para a direita em seu governo como também não resistiram ao golpe porque querem voltar a governar para os capitalistas que nos exploram e oprimem em comunhão com ela. Assim, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e suas variantes UBES e UPES, têm um único objetivo nesse novo cenário nacional: Usurpar as lutas da juventude para recompor o PT e fortalecer uma “alternativa” eleitoral para 2018. Essa entidade, que deveria utilizar seu alcance e recursos para articular e contribuir com o avanço das lutas da juventude, é moldada à lógica burocrática e institucional, por isso nunca poderá dar vazão às aspirações dos que se rebelam contra essa ordem podre.

A auto-organização dos estudantes, a mobilização, bem como todas as formas mais criativas de debates e ações, com os nossos métodos de luta como paralisações, greves e ocupações, podem consolidar e expandir essa resistência que ganha força no Paraná, bem como ser uma arma contra a repressão dura que enfrentamos dos governos. Essa ideia deve ser tomada por cada jovem que ousou não se calar diante do golpe e das ideologias que nos querem acríticos, como o Projeto Escola Sem Partido ou a retirada dos debates de gênero e sexualidade nas escolas. Os estudantes do Paraná mostram o caminho, mostram que podemos cumprir um importante papel na correlação de forças contra a direita golpista. E podemos avançar mais profundamente, nos ligando também aos trabalhadores para derrotar essa direita que quer nos fazer pagar pela crise dos capitalistas. Por isso nós da Faísca colocamos todas as nossas forças para contribuir com solidariedade ativa e estamos discutindo a ideia de que precisamos seguir o exemplo do Paraná em todos os lugares que estamos.

Enviamos correspondentes às escolas ocupadas de Curitiba e estamos fazendo uma ampla cobertura para que a voz desses lutadores reverbere em todos os lugares.

Conheça e construa a Faísca – Juventude Anticapitalista e Revolucionária

Lutamos contra a direita golpista e todos os ajustes que querem impor à juventude e aos trabalhadores, sem depositar nenhuma confiança no PT que em seus governos já nos atacou em prol de um governo para os ricos. Queremos ser uma faísca contra o capitalismo, enfrentando todas as opressões de um ponto de vista revolucionário e nos aliando a classe trabalhadora em suas lutas porque acreditamos que é possível construir uma nova sociedade sem exploração e opressão. Chamamos toda a juventude a assumir esse desafio apaixonante e a se organizar conosco em cada escola, universidade e local de trabalho.




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