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ARGÉLIA

A juventude argelina não abandona as ruas e luta por mais

Após as comemorações da semana passada frente ao anúncio do presidente Bouteflika de que não concorreria a um novo mandato, os jovens seguiram nas ruas e redobraram suas reivindicações.

quarta-feira 20 de março| Edição do dia

Na tarde da penúltima segunda-feira (11), as ruas de Argel (capital da Argélia) e das principais cidades do país estavam cheias de manifestantes comemorando, enquanto carros buzinavam para encorajá-los.

Era o primeiro triunfo da principal exigência de um movimento que já vinha ocorrendo há três semanas, e que havia iniciado com a demanda de que o presidente Abdelaziz Buteflika, que governa desde 1999, não se apresentasse para um novo mandato.

No entanto, a dinâmica dos protestos foi crescendo com o correr das semanas, assim como suas demandas. Na última massiva mobilização do dia 8, que coincidiu com as marchas para o Dia Internacional das Mulheres, as e os manifestantes já não pediam apenas pela não candidatura de Bouteflika, como também exigiam sua renúncia, junto a uma reforma política de fundo, que ataque os privilégios da casta político-militar que realmente governa o país.

A retirada da candidatura de Bouteflika, anunciando que ele não se candidataria a um novo mandato, é a manobra que essa casta governante encontrou para tentar frear os protestos. No entanto, os manifestantes, a começar pela juventude, não só não abandonaram as ruas como voltaram a elas com mais peso.

As dezenas de milhares de estudantes que saíram na última terça-feira (12) na capital e nas principais cidades do país denunciaram a decisão de Bouteflika como uma “manobra” para se manter no poder.

Nos cartazes dos e das jovens lia-se “Cuidado, o regime corrupto arquiteta uma armadilha estratégica para continuar no poder” e “Ouyahia, Lamamra, Bedui são as mesmas caras e o mesmo regime = continuação da corrupção. Fora.”

Nurredin Bedui é o ministro do Interior que ocupará o cargo de primeiro-ministro após a renúncia de Ahmed Ouyahia na semana passada. O ex-ministro das Relações Exteriores, Ramtane Lamamra, será o novo vice-primeiro ministro, cargo que acabaram de criar.

Os estudantes se voltaram contra esses três oficiais, demonstrando que o rechaço não é apenas em relação a Bouteflika, mas a toda a casta política.

Durante a manifestação, ouviram-se também músicas que diziam: "Não queremos o atraso das eleições, queremos o abandono do poder" e "Os estudantes resistem ao prolongamento do quarto mandato".

Os estudantes continuam a ser a principal voz do povo argelino contra a manobra do regime e de fato foram eles que organizaram na mesma noite das comemorações a convocação dos protestos para o dia seguinte.

Conforme relatado pelo jornal digital Tout Sur Algérie, a manifestação massiva foi convocada por iniciativa de estudantes na cidade de Bejaia na região da Cabília (leste) e se juntou aos professores universitários e os habitantes da cidade e outros protestos semelhantes foram organizados na cidade de Constantino.

As manifestações na Argélia são as maiores em décadas. Buteflika, com 82 anos e prostrado desde 2013, prolongou seu mandato "sine die" até as próximas eleições, cuja data será marcada mais tarde por uma "Conferência Nacional" antes do final de 2019. Contra isso é que os estudantes ainda estão nas ruas.

Também os professores

O dia de terça-feira (12) impulsionado pelos estudantes foi seguido na quarta-feira (13) por uma manifestação de professores para exigir a queda do regime e exigir uma reforma total do sistema educativo.

"Nós viemos exigir a saída deste poder e uma mudança profunda em todo o regime, particularmente em nosso setor queremos colocar um fim no programa da ministra", disse uma professora de uma escola primária em Bordj al Kiffan, distrito da periferia do leste de Argel, à agência de notícias Efe.

Os professores são, até agora, o último grupo a se juntar aos protestos em massa que, desde 22 de fevereiro, acontecem em todas as partes do país.




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