Opinião

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A intervenção como show de combate à mílicia e, por outro lado, a opressão real aos trabalhadores

Prisões sem prova e para espetáculo, por outro lado a opressão real no cotidiano nos morros e favelas.

Vanessa Oliveira

Professora do ABC

sexta-feira 27 de abril| Edição do dia

Foto: Marcos Ramos

Em mais um show midiático na tentativa de favorecer e justificar sua atuação, a polícia civil no dia 7 de abril, noticiou a prisão de 140 suspeitos por integrarem milícias da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os suspeitos estavam em uma festa em um sítio, que foi divulgada nas redes sociais, onde os participantes compraram ingressos para o evento, sem nenhuma prova concreta foram levados durante a festa, sob acusação de serem milicianos na operação dirigida pela polícia. Já o chefe da milícia que consta que estava no local, "misteriosamente" não constou entre os apreendidos.

Dos detidos nessa operação, até a noite de ontem (26) 114 já haviam sido liberados, por não existir prova alguma que justificasse a prisão. Ainda estão presos 21 suspeitos, por medida preventiva.

Muitos dos presos na operação ao serem liberados apontaram a forte repressão e abusos cometidos pelos policiais na ação, dizendo que socos, pontapés e até agressões mais violentas foram cometidas durante a operação.

Sabemos que a atuação das milícias tem aumentado, devido à falta de suporte público em diversas regiões do Rio, onde os milicianos ampliam seus negócios por meio da super exploração da população ofertando seus serviços e coagindo os moradores a sua utilização.

A atuação da intervenção federal do RJ continua deixando a cada dia muito mais claro, o seu real objetivo, que é , reprimir fortemente a população das favelas e comunidades em medidas que a todo custo tentam atender fins políticos e que não chegam nem perto da raiz real do problema, que não pode ser combatida sem ir à raiz da questão, a profunda desigualdade, desemprego, a miséria na condições de vida e moradia.

E deixando em evidência as operações em torno das milícias que servem apenas de uma vitrine enganosa, com grandes operações, prisões massivas, e sem suspeitos reais. Pois os seus organizadores estão totalmente ligados a instituições e figuras públicas que influenciam fortemente as práticas políticas e eleitoralistas do Rio de Janeiro.

A intervenção tem sido crescentemente um show midiático no que tange às prisões, mas por outro lado, uma opressão real aos moradores de morros e favelas, sofrendo esculachos e abusos, e até mesmo ilegais revistas de crianças, como já foi noticiado.




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