Política

CORRUPÇÃO

A igreja que os fiéis não veem: Pastor Silas Malafaia vira réu em ação de improbidade

terça-feira 29 de janeiro| Edição do dia

O pastor Silas Malafaia da igreja Vitória em Cristo, ligada à Assembleia de Deus, virou réu em ação de improbidade administrativa junto com o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes. Segundo a denúncia, a prefeitura aplicou, sem licitação, R$ 1,6 milhão no evento religioso Marcha Para Jesus, no ano de 2012. Além do pastor Silas Malafaia e de Eduardo Paes, também são réus Guilherme Schleder, ex-chefe da Casa Civil; o Munícipio do Rio de Janeiro e o Conselho dos Ministros Evangélicos do Rio de Janeiro (Comerj).

Silas Malafaia, que é um dos maiores entusiastas da transferência da embaixada brasileira para Jerusalém - umas das promessas de campanha de Jair Bolsonaro - e chegou a afirmar que “Jerusalém é a eterna e indivisível capital de Israel”, é figura conhecida entre os reacionários de plantão. Desde destilar seu ódio contra pessoas homossexuais via redes sociais, a se solidarizar com racistas como William Waack, são muitos os episódios que podemos encontrar onde o pastor esbanja seu reacionarismo.

Não surpreende que figurões da igreja apareçam vinculados a esquemas de corrupção e mau uso de dinheiro público. Muito pelo contrário, esses figurões aparecem como portadores da moral e dos bons costumes, abusando da fé de milhares de fiéis e dos benefícios de um estado que está intrinsicamente vinculado com a igreja e mantém a estas toda uma gama de benefícios fiscais. Não é por menos que ninguém mais, ninguém menos que Marcos Feliciano saiu a se manifestar em defesa de Silas Malafaia. Marcos Feliciano é outra figura reacionária, acusado de crime de estupro, cárcere privado, ameaça e corrupção de testemunha. O caso contra Feliciano foi arquivado, mas a autora das denúncias, a jornalista Patrícia Lélis, teve que sair do país devido a quantidade de ameaças de morte que recebia, segundo matéria da Folha de São Paulo de Dezembro de 2018. Em uma outra denúncia, a jornalista acusou o deputado Eduardo Bolsonaro – filho de Jair Bolsonaro - de ameaça-la com "acabar com sua vida". As mensagens teriam sido enviadas a jornalista depois de terem trocado ofensas públicas.

Todos estes fatos nos mostram como figuras que falam em nome de uma suposta moral cristã são na realidade uns hipócritas, que pregam contra a corrupção enquanto são eles mesmos os que a praticam.

Não está por menos dizer que todas estas são personagens que apoiaram e apoiam o atual governo de Jair Bolsonaro, que por mais que utilize de sua retórica moralista de direita buscando dialogar justamente com setores influenciados pelas igrejas, sabemos que tem como objetivo atacar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, das mulheres, das pessoas LGBT, das negras e negros e da juventude, tentando impor a Reforma da Previdência para nos fazer trabalhar até morrer.




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