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PROFISSIONAIS DA SAÚDE

"A gripezinha levou meu filho", diz mãe de Klediston, trabalhador da saúde vítima da Covid-19

Um técnico de enfermagem de apenas 22 anos faleceu no último sábado em decorrência de COVID-19 em Cuiabá, capital de Mato Grosso. Em meados deste mês, o sistema de saúde da cidade já havia entrado em colapso, com a prefeitura distribuindo “kits covid” com medicamentos sem eficácia comprovada.

quarta-feira 29 de julho| Edição do dia

Imagem: Facebook

Os trabalhadores da saúde enfrentam uma situação absurda, na linha de frente de combate à pandemia desde o início, muitos deles trabalham sem EPIs, sem testes e muitas vezes sem liberação dos grupos de risco. Essa realidade é consequência da política negacionista de Bolsonaro e das quarentenas fajutas de diversos estados que já começam a reabrir fruto da pressão de empresários.

Klediston Kelps,um jovem que trabalhava como técnico de enfermagem no setor de urgência e emergência da UPA em Cuiabá e tinha apenas 22 anos, morreu no último sábado, dia 25, vítima de COVID-19. Nas redes sociais sua mãe lamentou sua morte com os dizeres: “A ‘gripezinha’ levou meu filho, junto com ele levou parte de mim”. A Secretaria Municipal de Saúde informou que Klediston tinha comorbidades, porém não deu mais detalhes sobre isso, é conhecido que as comorbidades como diabetes, hipertensão e obesidade são agravantes da doença, no entanto não há informações de que o jovem teria sido dispensado do trabalho pela prefeitura.

O jovem ficou doente no final de junho, dando entrava à UTI no dia 18 deste mês quando seu estado piorou. A prefeitura lamentou a morte dizendo que jovem era dedicado e cuidadoso no trabalho, porém nada comunicou sobre o sistema de saúde que entrou em colapso em meados deste mês quando 100% dos leitos de UTI foram ocupados. A cidade está com mais de 6 mil casos confirmados da doença e desde o colapso passou a distribuir “kits covid” com uma série de medicamentos, incluindo cloroquina, medicação que não tem eficácia comprovada para a doença.

Imagem: Facebook/Reprodução

O prefeito Emanuel Pinheiro havia anunciado a abertura de apenas 20 novos leitos na ocasião do colapso, sendo que a cidade teve um tempo maior para se planejar frente a chegada da doença no Brasil, mas o prefeito nada fez para evitar esse cenário desastroso. Assim como o restante do país, a cidade não está preparada com fornecimento de testes para a população, abertura de novas unidades hospitalares, contratações de novos profissionais da saúde e a centralização das vagas no sistema público.

Enquanto segue o tremendo descaso, são os profissionais da saúde que tem deixado suas vidas combatendo a pandemia, estando numa verdadeira guerra sem armas. No dia 12 de maio, dia da Enfermagem, os trabalhadores da saúde de Cuiabá fizeram manifestações, assim como em diversos outros lugares do país, em homenagem aos trabalhadores da área que morreram de COVID-19.

A referência que Elisangela, mãe de Klediston, fez ao desdém com o qual Bolsonaro trata a doença escancara a brutal realidade da classe trabalhadora frente ao negacionismo e a pressão para a normalidade do presidente. Além de Cuiabá, outras cidades e estados decretaram colapso nos sistemas de saúde.

Para que cesse as milhares de mortes completamente desnecessárias, é fundamental um plano de combate a pandemia que passa por uma mudança radical no enfrentamento, garantindo testes massivos, ampliação do sistema público de saúde e reconversão industrial para que fábricas fechadas hoje passem a produzir respiradores e outros insumos necessários para o combate á doença. Frente a subordinação dos governantes à sede de lucro dos empresários, cada vez se escancara mais que essa saída só pode vir dos trabalhadores, que devem lutar pela implementação desse plano, pela revogação de todas as reformas que atacam nossos direitos e pela mudança profunda das regras do jogo político brasileiro por meio de uma assembleia constituinte livre e soberana.

Nossas vidas valem mais que o lucro deles! Klediston Presente!




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