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GREVE DE PROFESSORES | A greve dos professores do estado do RJ deve ser exemplo para uma luta unificada contra os ajustes

Professores decretaram greve que se iniciará dia 2 de março, dia que terá o ato unificado dos trabalhadores do serviço público em frente da ALERJ.

Carolina CacauProfessora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

segunda-feira 22 de fevereiro de 2016 | 22:30

Fonte: Rita Frau

No dia 20 de fevereiro, cerca de 1000 professores da rede estadual se reuniram em assembleia convocada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE). Os professores deliberaram majoritariamente pelo início da greve a partir do dia 02 de março. Nesse dia terá ato unificado dos trabalhadores do serviço público em frente à Assembleia Legislativa (ALERJ), no Centro, às 15 horas.

A pauta apresentada pelo Sepe é por reajuste salarial e aumento real de salários, não ao congelamento de salários! Não à reforma da Previdência, que ataca os direitos e aumenta a taxação de 11% para 14%! Pagamento integral imediato do 13° de 2015! Volta do pagamento para o primeiro dia útil do mês! Pelo 1/3 de planejamento dos Professores já! Em defesa das 30 horas e concurso público para Funcionários já! Pelas eleições diretas para direções de escolas!

Na assembleia era enorme o clima de indignação dos professores contra o governador do Estado. O clima de politização e defesa da greve era contagiante e mostra o potencial da unidade dos trabalhadores na luta contra os cortes e ajustes fiscais a nível estadual, mas também nacionalmente.

Pezão e o PMDB estão impondo a toda a população uma enorme crise fiscal e social, enquanto gasta bilhões com as Olimpíadas e corta da saúde. O funcionalismo também sofre pagando essa conta, os salários tiveram a data de pagamento alterada para o meio do mês. O 13º esta sendo pago parcelado. Milhares de terceirizados no Estado estão com os salários atrasados e está prevista uma demissão em massa com os cortes de verbas, o que aumenta ainda mais o drama da situação dos hospitais sem limpeza e sem materiais para atendimento básico à população.

Nas escolas muitos funcionários terceirizados que cumprem função de portaria, limpeza, inspeção estão cumprindo aviso prévio. Semana passada alunos numa escola estadual na Ilha do Governador pararam as aulas pelo excessivo calor e a total falta de climatização, situação grave que atinge cotidianamente professores e alunos. Agora Pezão que aumentar a contribuição para previdência comendo do salário dos funcionários públicos, aumentando o desconto de 11% para 14%.

O início da greve dos professores pode ser a ponta de lança de uma grande luta do funcionalismo público junto aos estudantes secundaristas e estudantes universitários na luta contra os ajustes e que pode ganhar apoio de toda a população. Já no início do ano mostrou-se a força da unidade de todas as categorias no estado. Mais de 4 mil trabalhadores ocuparam as ruas num ato em frente a ALERJ, no maior ato do funcionalismo estadual em muitos anos.

A questão da unidade do funcionalismo se mostrou um elemento central de moralização dos professores e que será muito mais forte a luta se todas as categorias estiverem unidas.

Superando a posição do SEPE que defendia chamar greve a partir de março, sem data prevista o que não prepara a categoria para uma luta dura, a categoria votou em maioria absoluta dar início na greve a partir do dia 2 março. Uma porção minoritária do PT e outros setores defenderam a proposta recuada da direção do MUSPE, que estava para trás das necessidades de aproveitar o sentimento de luta do funcionalismo. A proposta foi de fazer uma paralisação só nos dias 17, 18 e 19 e indicativo de greve só para abril. A unidade das categorias é fundamental e precisa construída desde as bases e desde já com um plano de luta.

Agora é hora de ir as escolas organizar os professores, discutir com os alunos e seus familiares. Está colocada a necessidade de construir essa greve pela base, com comandos de greve com delegados eleitos em cada escola que sejam revogáveis, para que os professores tomem para si a construção e rumos da greve.

A pauta é legítima e devemos defendê-la, mas os professores têm pela frente a tarefa de encarar essa luta não apenas como uma mobilização rotineira e coorporativista, mas como uma batalha de classe contra o ajuste e em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade para todos, como fizeram os estudantes secundaristas de São Paulo, que ganharam o apoio popular e derrotaram o governo Alckmin (PSDB).

Na saúde, vemos cortes exorbitantes e a situação de calamidade, por isso essa greve deve ser motor para uma unificação real com os outros setores de trabalhadores, como os da saúde, para que seja de fato construída uma luta unificada e coordenada entre o funcionalismo, que se enfrente contra os ajustes do Pezão, e prepare uma verdadeira unidade na ação de todos os trabalhadores que sofrem na pele os efeitos de uma crise que não criaram, e poderia ser um grande impulsionador de um movimento nacional contra os ajustes de Dilma e da direita também. Por isso é fundamental que os sindicatos e as centrais sindicais dirigidas pela esquerda como a CSP-Conlutas e PSOL devem impulsionar nacionalmente nas categorias uma campanha de solidariedade com esta greve, e no Rio, construir esta luta de maneira unificada e coordenada nas bases.

Também é importante que nossa greve se unifique numa grande luta em defesa da educação junto com os professores municipais, como os professores do município de Cabo Frio, que chegaram a ocupar a prefeitura e seguem em greve desde dezembro.

Com a crise de arrecadação do estado oriunda da recessão de todo o país e queda na arrecadação com os royalties, querem nos fazer pagar pela crise, enquanto isso os privilégios dos políticos, dos juízes, do MP e outros cargos políticos seguem intocados, gerando gastos de centenas de milhões de reais com bolsas paletó, auxílio moradia, educação a quem já ganha mais de dez vezes o salário de uma professora, por isso devemos também dar a batalha política pelo não pagamento da dívida pública e construir uma campanha “que todo político ganhe o mesmo que uma professora" ligando a luta por salários, contra os ataques e por melhores condições de trabalho se ligue diretamente ao questionamento dos responsáveis pela crise e devemos também defender a "revogabilidade de todos os políticos e funcionários de alto escalão". Basta de atacar os trabalhadores e a juventude. Que os professores abram caminho para uma forte greve em todo o estado.

O Esquerda Diário se coloca à serviço das lutas da classe trabalhadora e das grandes questões nacionais e internacionais de maneira independente dos governos, políticos e empresários, e estaremos cobrindo a greve de professores e contribuindo para o avanço da luta publicando denúncias e relatos de como estará a organização e atividades da greve nas escolas e regiões.

Entre em contato pelo [email protected] e pelos whatsaaps (21) 981032573 ou 979014571.




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