COMITÊ ED CERRADO

A fúria negra brasileira ressuscita com os entregadores neste 1° de julho

Como já diz a música de um dos mais influentes grupos de rap no cenário das periferias brasileiras, Racionais MCs, que retrata o racismo estrutural sofrido diariamente,"A FÚRIA NEGRA RESSUSCITA OUTRA VEZ'' e, dessa vez, foi no Breque dos APPs.

sábado 4 de julho| Edição do dia

Essa fúria também demonstra a força do povo trabalhador, a organização coletiva trouxe para as ruas do Brasil e do mundo a dor de quem mais tem morrido pela falta de amparo, sofrendo, assim, pela crise econômica, sanitária e o pelo aparato repressivo do Estado, a polícia brasileira, que é a que mais mata no mundo. Em decorrência desses acontecimentos, nossos companheires entregadores se auto organizaram em luta, trazendo assim o #brequedosapps na última quarta, 1º de julho, reivindicando as péssimas condições de trabalho as quais são submetidos.

Nos últimos anos, surgiram diversas plataformas digitais como Ifood, Rappi, UberEats e outros, para mediar e administrar pedidos de entrega. Porém, essa "modernização trabalhista" e de suas leis surgem como uma forma de afastar cada vez mais os empregadores dos empregados, garantindo mais segurança e proteção ao patrões, e precarização à força de trabalho.

Esse projeto de modernização e manutenção do capital, trouxe para as empresas, um aumento de pelo menos 20% do número de entregadores em meio a pandemia, sem vínculo empregatício, essas empresas atraem mais trabalhadores que sofrem com alto índice de desemprego agravado pela crise e impõem a ideologia do "empreendedorismo individual" e "autonomia no trabalho". Além de submetidos à horas extenuantes de trabalho para conseguir uma renda minimamente digna ou, às vezes, nem isso, os entregadores são privados de direitos básicos como o salário mínimo e equipamentos de segurança.

A precarização dessas relações de trabalho vêm se intensificando a medida que os aplicativos ficam mais populares e, as empresas aumentam seus lucros: redução da taxa mínima de entrega, diminuição do valor repassado por entrega feita e bloqueios sumários aos trabalhadores; são alguns dos muitos abusos cometidos pelos patrões.

No epicentro da crise sanitária, os entregadores se expõem aos perigos diários de seus trabalho e,agora, a altos riscos de contágio, não sendo assegurados com EPI´s pelas empresas. Essa relação nos vêm mostrando, cada vez mais, que o capitalismo é um sistema falho, excludente e não se importa com a vida do trabalhador, somente, com o lucro.

Sobre esse aspecto, disse um dos entregadores manifestantes presente no ato de Brasilia: “Se nossos pedidos não forem atendidos, amanhã paramos de novo!’’ . Reconhecer que os burgueses são quem controlam os meios de produção e, a importância de uma paralisação que boicota o lucro é fundamental para superar os problemas estruturais gerados pelo capitalismo e forjar uma unidade trabalhadora.

A classe trabalhadora precarizada tem rosto jovem, negro e feminino. Nesse 1° de julho, nos foi mostrado que ela também tem rosto de entregador, em sua maioria, homens periféricos. Os trabalhadores mais uma vez resgataram a memória da classe trabalhadora em luta que operou as grandes revoluções da história, por isso, a auto organização independente se faz tão necessária para superar um sistema podre que explora, oprime, manipula, e hoje, tem rosto de Bolsonaro, Mourão, militares, STF e Rede Globo. Dessa forma, que os entregadores de app tenham inspirado os oprimidos a se levantarem, pois juntes e organizades as formigas derrubarão o elefante.




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