Opinião

TRIBUNA ABERTA

A fragilidade do discurso liberal e seu fascismo desvelado

Parte da rede acompanhou esta semana o entendimento frágil, raso, ultrapassado, preconceituoso que o instituto mises publicou acerca das origens da desigualdade social. Sem se deter por muito tempo à questão, é básico em termos sociológicos que tal nota flerta entre a ignorância e o desespero e em suma, não há outro adjetivo para qualificar tais posicionamentos se não como nojentos.

quinta-feira 21 de dezembro de 2017| Edição do dia

(Da esquerda para a direita: Engelbert Dollfuss, Benito Mussolini e Gyula Gömbös. Líderes fascistas tiveram apoio de liberais neoclássicos também, como Ludwig von Mises)

Pouco depois da máscara cair (ou seria véu?) a mesma página contemporizou informando tratar-se de posicionamento pessoal que não reflete o grupo. No entanto o tal posicionamento do grupo não fora mencionado, ainda que fosse já se sabe que não vão muito além de cenários utópico-encantados, um verniz para a massa bruta do neoliberalismo que quando sob pressão revela sua face fascista.

Creio oportuno retomar: "Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes que visam o estabelecimento de ditaduras estão cheios das melhores intenções, e que sua intervenção no momento salvou a civilização europeia. O mérito que o fascismo teve, deu-lhe um reconhecimento eterno na história" (Mises). A pérola em questão é a conclusão de análise acerca do fascismo, valorizado por combater o comunismo mas criticado por valer-se para tanto de dispositivos violentos, bastam as ideias, pressupõe. Ideias racistas, retrógradas, como, por exemplo, o instituto que carrega seu nome vociferou?

A educação teria papel fundamental e preponderante sobre a análise desta questão. Teria, porque se absteve. Um dos ambientes mais fecundos para a disseminação de fake news, pós verdade, desconstrução e revisionismo rasteiro de procesos históricos ultimamente têm sido as redes sociais aditivadas por robôs virtuais. Um público leitor hábil e competente facilmente percebe os mecanismos retóricos utilizados nas redações de propaganda da direita liberal. No entanto como a educação escolarizada tem tratado as novas tecnologias? Com medo e desprezo. O celular que é potencialmente uma porta aberta ao conhecimento tornou-se abjeto nas salas de aula. Dentre outras perversidades, o projeto escola sem partido regozija-se desta ignorância dos gestores de ensino, transformando as redes no centro formador político médio de setor significativo da juventude. As esquerdas não souberam ocupar este espaço de debate como a direita, e isto, dentre outros fatores, permitiu um exponencial crescimento da aceitação de teses que o fim do século XIX já havia superado.

Não se trata de evitar tendência, é mesmo necessário tomar parte, viver é tomar partido, resta saber se a parte que lhe cabe exclui ou inclui, desagrega ou agrega, condena ou emancipa. Esta tribuna, por exemplo, faz questão de ser clara em sua tendência, no entanto a falta de interpretação e compreensão histórica somada à desinformação faz, por vezes, que leitores menos atentos e mais odientos (como podem perceber nos comentários) associem esta publicação ao stalinismo totalitário ou ao petismo reformista, sendo que estes campos são notoriamente combatidos reiterada e diuturnamente em todas as publicações aqui veiculadas.
Claro que há muitas direitas também, óbvio que há alguns liberalismos, e se é um erro jogar todo o conjunto da esquerda em vala comum, também seria fazer o mesmo com a direita liberal. O que o Instituto Mises fez com sua nota sobre desigualdade social foi permitir associá-lo com o mais repugnante fascismo e nessa medida precisam ser combatidos como tal.




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