Opinião

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A farsa demagógica de Temer, Pezão, e da Globo sobre a violência no RJ

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

domingo 18 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Ailton Freitas/Agência O Globo

O Rio de Janeiro está sob intervenção federal. Um general com superpoderes, Braga Netto, especialista em repressão que tal como os juízes não foi eleito em nenhum lugar, agora pode ditar as regras sobre toda a política repressiva do estado. Está sendo denominado como um “governador” da repressão, enquanto Temer anuncia a criação de um “Ministério da Bala” que deverá chefiar todas as polícias do país. Frente a isso emerge uma questão que não pode ser respondida de forma leviana. Quais interesses motivam realmente essa medida?

Uma primeira hipótese é que o vampiro neoliberal Temer tenha lançado mão dessa ofensiva para desviar o debate nacional da reforma da previdência, e das jogatinas que começou a fazer junto com a Fiesp para comprar os votos dos deputados. Outra possível motivação é amenizar o rechaço de massas a sua figura e aos seus ataques, expressados na comoção gerada pelo desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti, tentando emplacar uma “agenda positiva” se utilizando para isso da sensação de insegurança pela crise social produto da crise capitalista. Crise, aliás explorada e aumentada à exaustão pela Globo, sucursal midiática do golpe, do autoritarismo judiciário da Lava Jato e um dos monopólios mais poderosos do país com sede no Rio de Janeiro.

O mais provável é que se trate de uma combinação entre todos esses fatores. Mas o que seguramente não é a motivação de Temer, Pezão e Rodrigo Maia é o bem-estar do povo trabalhador carioca e fluminense. Na verdade pouco se importam com isso. Tanto é que a crise que assola o estado do Rio de Janeiro teve em Pezão e Maia representantes de uma política de seguir favorecendo os capitalistas, políticos corruptos e seus grandes privilégios. Temer então já foi caracterizado com exatidão pela Tuiuti. Quer atacar ainda mais os trabalhadores com a reforma da previdência. Todos eles perpetuam a crise social que é gerada pela crise capitalista. Nesse sentido, o exagero da violência no Rio de Janeiro em geral, e no carnaval em particular, realizado pela Globo, por Temer e Pezão já foi destacado por diversos analistas.

A segurança foi durante meses a fio citada pela Globo como a principal preocupação do povo carioca e fluminense. Decerto há um aumento dos crimes comuns e da violência social, pois aumentou enormemente o desemprego, a miséria e a fome com a crise do Rio de Janeiro. Mas é também certo que os índices de violência não convencem como justificativa para uma medida absurdamente autoritária como é a intervenção federal, que fatalmente se voltará contra o povo trabalhador, os negros e os mais pobres. O próprio general Braga Netto afirmou que a intervenção federal tem outras motivações, já que a escalada de violência no Rio de Janeiro é “muita mídia”.

Um dado amplamente citada desde que a intervenção federal passou a vigorar é o de que no ranking elaborado internacionalmente das cidades mais violentas do mundo, o Brasil conta com 19. Trata-se, portanto, de um país extremamente violento, cuja concentração de renda absurda nas mãos de um punhado de capitalistas só faz com que isso aumente. Mas dessas 19 cidades não figura o Rio de Janeiro. Também já foi denunciado que de acordo com os dados da própria Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro 16 dos 27 indicadores de violência caíram no carnaval de 2018. O de homicídios caiu 14,8% e de roubos 9,85%. Roubos a pedestres tiveram o menor índice em três anos, e furtos foram registrados 584 esse ano contra 2144 três anos atrás. O furto de celulares foi de 711 no carnaval do ano de 2015 para 394 esse ano.

Outro dado grotesco da manipulação e da tentativa de alimentar e capitalizar o medo popular da violência veio da Globo. Firme em sua campanha midiática passa a todo instante tanto em seus canais da rede aberta como a cabo, manchetes sensacionalistas como “arrastões e saques marcam o carnaval de 2018”. O curioso é que mostram exatamente a mesma e única cena de um arrastão no Leblon. O “caos absoluto no carnaval” que levou Pezão a afirmar que “havia perdido o controle da situação”, o que foi usado como argumento para a intervenção federal, foi uma farsa.

Farsa essa que busca possibilitar uma vez mais que Temer, Pezão, Maia com a Globo possam levar adiante seu jogo de interesses. Nada de bom pode vir para os trabalhadores e o povo pobre carioca e fluminense disso. A forma de acabar com a violência é arrancar das mãos dos capitalistas e dos corruptos a riqueza social que acumulam como minoria ultra privilegiada, explorando o trabalho da maioria. Taxar as grandes fortunas, não pagar a dívida pública, acabar com as isenções bilionárias e estatizar e por para produzir sob controle operário as empresas dos corruptos, ao mesmo tempo em que se luta contra a intervenção federal e em defesa de todos os direitos democráticos. Essa deve ser a saída.




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