Política

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

A farsa das eleições, perfil dos candidatos paulistanos: branco, diplomado e empresário

Segundo os dados levantados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o candidato padrão à disputa eleitoral na cidade de São Paulo é branco, possui nível superior e se declara empresário.

terça-feira 30 de agosto| Edição do dia

O resultado da pesquisa evidencia a farsa da democracia burguesa, enquanto prega que todos somos iguais perante à lei, sem distinção racial, de gênero e econômica, os dados demonstram como há claramente um predomínio de um setor da população sobre outros setores, até majoritários.

Em relação à cor, 66% são brancos, 20% pardos e 12% pretos. O percentual de brancos entre os candidatos paulistanos é pouco maior que o da população da cidade –segundo o Censo de 2010 do IBGE, 60,6% se declaram brancos.
Deve-se levar em conta ainda nesses dados, que grande parte da população negra tem dificuldade em se autodeclarar assim, seja pela grande crença no mito da democracia racial, que sustenta que vivemos num país miscigenado, fazendo com que muitos negros se denominem pardos; ou seja pelo racismo que faz com muitos negros busquem apagar sua identidade negra em prol de um embranquecimento. Assim o total da população negra no país é questionável, e o abismo entre a população e sua representação pode ser ainda maior.

No entanto, o contraste aumenta quando chega nos postulantes ao Executivo. Entre os 11 candidatos a prefeito, por exemplo, só um não é branco: Major Olímpio (SD), que se declarou pardo.

Apesar de as mulheres representarem 52% do eleitorado do país, elas são apenas 31% dos candidatos, padrão que se repete em São Paulo. Sendo que esses 30% deve-se a cota obrigatória que os partidos têm de cumprir, mas depois essas mulheres não encontram respaldo do partido, tanto que são meramente cerca de 10% dos eleitos.

Além disso, chamam também atenção o contraste entre a quantidade de candidatos com ensino superior, quando comparado com o mesmo setor da população, 49,88% dos candidatos têm ensino superior –entre os eleitores da cidade, só 10,6% cursaram a universidade.

Há em curso um projeto de lei no Congresso que busca impor que somente candidatos com ensino superior sejam aptos a concorrer a cargos eletivos. A lei que, aparentemente, busca estabelecer que somente candidatos capacitados tenham a possibilidade de concorrer, na verdade, em um país como o Brasil em que a grande maioria da população não possui formação, é de um elitismo e exclusão absurdos. É negação da voz de grande parcela da população, a partir do errôneo entendimento que as decisões públicas, são decisões técnicas, quando na verdade são decisões políticas.

São Paulo, a cidade mais rica do país, ainda carrega a particularidade de ter a maioria dos candidatos declarados como empresários. Demonstrando como a política está subordinada à economia. João Dória surge como a evidente corporificação dos dados: empresário, branco e instruído.

O que a pesquisa evidencia, é que ainda que se queira varrer para baixo do tapete o conceito de luta de classes, a sociedade é claramente composta por classes que possuem distintas capacidades de intervenção no Estado. Se a política é o terreno da disputa de interesses, nesses dados vemos quais os interesses que prevalecem no estado democrático burguês, da burguesia racista e machista.




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