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A "faca na caveira" acima da Saúde: a militarização do ministério em uma imagem

A "faca na caveira", símbolo de diversas tropas especiais, passou a ser ostentada pelo número 2 da pasta de Saúde, o coronel Elcio Franco. O símbolo vem acima do broche do ministério da saúde, numa expressão gráfica do que se tornou a pasta sob o governo Bolsonaro e em tempos de pandemia.

terça-feira 9 de junho| Edição do dia

No contexto da pandemia, o ministério da Saúde tornou-se uma área chave da atuação do governo Bolsonaro. Por isso, passou a ser o centro de diversas das crises políticas do governo. Em menos de 1 mês, 2 ministros da pasta caíram por não estarem a altura do negacionismo e do genocídio que Bolsonaro quer promover com suas políticas a frente da pasta.

A solução de Bolsonaro foi oficializar no comando da pasta o até então interino, e já número 2 na área, general Eduardo Pazuello. As primeiras iniciativas do novo comandante foi acatar o desejo do presidente alterando o protocolo para uso da cloroquina e nomear mais uma série de militares para os cargos do ministério da saúde, substituindo conhecimento técnico por hierarquia e experiência na repressão.

A mais recente nomeação foi para o cargo de número 2 da área, o coronel das Forças Especiais do Exército Elcio Franco, que atuou junto com Pazuello na xenófoba Operação Acolhida com o intuito de impor ordem na crise de migração de venezuelanos em Roraima. Elcio Franco, membro de uma tropa especial, passou a ostentar nas reuniões broches militares, como a "faca na caveira" e o punhal do Exército, acima do broche do próprio ministério. Saíram o colete do SUS hipocritamente usado por Mandetta, um lobbista das empresas de saúde, ou os finos ternos de Teich, um empresário da saúde, para dar lugar a faca na caveira do coronel Franco.

A imagem é simbólica dos propósitos dos militares no comando, controle e repressão acima da saúde. Ao invés de medidas sanitárias urgentes - como realização de testes massivos, centralização do sistema de saúde-, o que trouxeram os militares até agora para a área foi obscurantismo e censura, sendo o mais recente exemplo a mudança na divulgação dos dados de mortes e casos confirmados, que passaram a ocultar o registro total da série histórica de mortes.

Nada distante da tradição das Forças Armadas brasileiras. Durante a Ditadura Militar, entre os anos de 1971 e 1975, ocorreu um grande surto de meningite no país. A decisão da Ditadura foi encobrir os dados por mais de 2 anos, negando que houvesse uma epidemia. Somente quando os casos saíram da periferia para os centros urbanos que os militares decidiram combater o surto.

Essa é a tradição das Forças Armadas. A expertise que os generais e coronéis trazem para o ministério da Saúde é a experiência na repressão e controle das explosões sociais, que já vemos evoluindo por todo mundo e desembarcando no Brasil. Bolsonaro, Mourão e os militares com suas respostas criminalizando o movimento antifascistas que vemos se erguer, chamando a reprimir com as "barras da lei", se preparam para desempenhar esse papel. Por isso levantamos o grito por Fora Bolsonaro, Mourão e os militares! Não basta trocar um nome, é preciso passar a limpo o regime brasileiro, cuja degradação vemos em marcha desde o golpe institucional, mas que mesmo o processo constituinte de 88, com a anistia e toda a tutela dos militares, preservou o autoritarismo militar que agora se ergue novamente. Por isso, defendemos uma nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana, na qual seja o povo a decidir, em que se expresse um programa da classe trabalhadora para dar conta da crise sanitária, econômica e política.




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