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Wagner Moura

“A esquerda tem é que se reinventar, apresentar um novo projeto”, diz Wagner Moura em entrevista sobre o filme “Marighella”

O ator e diretor também disse que defender a condenação de Lula é compactuar com o golpe, e que se considera à esquerda de Lula e que não entende a defesa cega ao PT. Leia essa e outras falas progressistas do ator.

quinta-feira 1º de fevereiro| Edição do dia

Assim como Marighella, Wagner Moura não está feliz com a esquerda tradicional. O guerrilheiro Carlos Marghella dedicou grande parte da sua vida pública ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), porém diante da proposta política recuada desse partido, Marghella rompeu com o partido em 1964.

Por que Marighella rompeu com o PCB? Justamente porque esse partido acreditava na época que seria necessária uma “Revolução Burguesa” que desse condições aos trabalhadores, condições materiais para que lutassem pela Revolução.

O diretor do futuro filme sobre a vida do guerrilheiro, Wagner Moura contou que sofreu um ataque da direita por estar gravando o filme de Carlos Marighella. Um grupo de direita, pelas redes sociais, ameaçou invadir o set de gravação do filme. Simplesmente porque Marighella foi considerado o maior inimigo do Brasil, ao lutar contra a ditadura militar. Moura diz que foi bonito, pois 15 jovens da frente antifascista foram ao set para defendê-los.

Outra fala progressista do ator e diretor, é a de que apesar de Seu Jorge “ser mais preto”, ou seja, possuir a pela mais escura do que o próprio Mariguella, isso não deslegitima a obra, pois os dois eram negros. Essa é uma fala poderosa sobre o “colorismo” que é uma vertente do movimento negro, que considera que apenas negros de pele escura são de fato negros .Além disso, Moura acredita em um filme que seja popular e forte em linguagem.

Aparentemente será muito interessante assistir ao filme de Moura nos cinemas, pois suas tendências de ideias são bastante distintas do senso comum. Sobre Lula e o PT, além de não defender a defesa cega ao PT, o ator diz que votaria em Lula no segundo turno caso seja contra um candidato golpista. O que parece ser a opinião de milhões de brasileiros.

Refletindo sobre as posições de Moura e a vida de Marghella

Sem dúvidas, Marighella foi um lutador, porém fato é que ele morreu. Mas por que a estratégia de guerrilha não deu certo no Brasil para ser motora de uma revolução? Ora, porque a estratégia de guerrilha consiste em poucos lutadores criando focos de guerrilha pelo estado, a fim de impor o poder. Poucas pessoas não podem resolver sozinhas o problema, pois seu fim será a morte.

Sobre o rompimento com o PCB, obviamente que a estratégia de permitir uma Revolução Burguesa historicamente é equivocada. A Rússia era czarista, não havia absolutamente nada de burguês em seu sistema e as condições dos russos no início eram tão precárias quanto a dos brasileiros, se não mais. Ainda assim, a classe trabalhadora Russa conseguiu se organizar e fazer a Revolução. Ou seja, a história já comprovou a falácia da estratégia do PCB.

A estratégia de guerrilha é também um problema de princípio, pois não permite que a classe trabalhadora seja sujeita da mudança de sua própria vida, pois como dito, são poucas pessoas fazendo por todas. Para a esquerda Trotskysta, a revolução tem um sujeito claro, que á a classe trabalhadora e o povo pobre, e esses tomarão o poder e decidirão os rumos de sua vida.

Ainda assim, a guerrilha não seria um problema em si, pois a ideia então é que se é necessário armas, então que os trabalhadores e a população organizada se defenda coletivamente, pois sabemos que um ascenso da classe trabalhadora pelo poder seria duramente reprimido pelo estado burguês por todos os seus braços como o exército e a polícia.

Com certeza a moral de Marighella precisa ser resgatada. Mas não podemos cometer os mesmo erros. O poder deve estar na mão da classe que é explorada por esse sistema e deve ser coletivo, organizado nos locais de trabalho, estudo e moradia, com assembleias para discussões e decisões dos rumos do país. Coletivamente somos maiores e mais poderosos que o estado e assim como Marighella devemos ser sujeitos da revolução.

Por último, se devemos ser sujeitos dos rumos da nossa própria vida então não podemos estar de acordo com a fala de Wagner Moura de que votaria no Lula em um segundo turno. Corretamente o autor diz que a conciliação do PT com a direita foi um problema, e que por isso não votaria no Lula no primeiro turno. A questão é que não devemos esperar de uma figura, seja qual for, a solução dos nossos problemas, devemos reconhecer o nosso lugar no mundo e batalhar por uma saída anticapitalista e revolucionária independente do PT, em que façamos política com as nossas próprias mãos.

Informações Folha de São Paulo




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