Gênero e sexualidade

FELICIANO

"A esquerda quer reinventar a raça humana e destrói amizades”, diz Marco Feliciano

O deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC/SP), que quer concorrer ao Senado em 2018, deu uma entrevista no Acre na qual deixou nítido seu discurso de ódio ao afirmar que não é homofóbico, pois tem até amigos que são gays.

segunda-feira 11 de dezembro de 2017| Edição do dia

O pastor declarou na entrevista que antigamente chamar alguém de "gorducho, negão, careca ou branquelo" era levado na esportiva, e que hoje o politicamente correto destruiu as amizades. Marco Feliciano ficou conhecido no Brasil em 2013 por defender a cura gay, na época em que ele era presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Feliciano, ao expressar seu discurso de ódio completamente insensível com as opressões, ignora que os debates vão muito além do politicamente correto que ele critica. A problematização, diferentemente do que ele afirma, passa longe de ser da boca pra fora. As discussões sobre assédio às mulheres, gordofobia, racismo e lgbtfobia é um grito de resposta das pessoas que sofrem preconceito todos os dias por serem quem elas são.

No Brasil, com base nos casos relatados, tem 12 assassinatos de mulheres e 135 estupros por dia. A expectativa de vida das pessoas trans é de 35 anos, menos da metade do que a média nacional. As mulheres negras chegam a ganhar 60% menos do que homens brancos. Assim, as problematizações são necessárias para termos nosso direito mínimo, que é o direito à vida, e não um mero capricho como o Pastor deixa a entender.

O deputado do PSC/SP também afirma que o fato dele expressar as posições conservadoras de acordo com a sua religião não significa que o Estado não é laico na prática, ou seja, é separado da Igreja. Ele tenta fundamentar esse pensamento absurdo, falando que o Estado só é separado da Igreja por conta dos evangélicos, pois antes existia uma dominação católica. Essas afirmações, no entanto, são completamente infundadas, pois atualmente temos uma bancada evangélica que ocupa boa parte do Congresso, misturando política e religião e representando, a maioria esmagadora das vezes, os votos mais fiéis às reformas absurdas de Temer.

Na entrevista, Feliciano chegou a afirmar que ONGs LGBT não lutam por ideologia, mas por dinheiro. Assim, ele volta a ignorar propositalmente todos os obstáculos que estão na luta por uma vida que possa ser vivida sem a presença do medo de andar na rua a noite, como ocorre com os LGBTs. O Pastor não apenas ignora, mas também contribui com as dificuldades, não reconhecendo quem essas pessoas são e apoiando projetos como a Cura Gay.

Deputados como o Pastor Marco Feliciano não podem ser as pessoas que vão decidir o que vai acontecer com as nossas vidas, e nem podem se sentir com espaço para reproduzir um discurso nojento como o dele. É mais que necessário que passemos a exigir nossos direitos de ter uma vida plena. Se viver sem medo, sem discriminação e sem trabalhos e estudos precários significa reinventar a raça humana, como Feliciano diz pejorativamente, mostraremos a ele que isso é o mínimo.




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