ELEIÇÕES ARGENTINAS

A esquerda independentista catalã apoia a Frente de Esquerda - Unidade na Argentina

A Candidatura de Unidade Popular (CUP), uma coalizão política da esquerda independentista da Catalunha, enviou saudações e seu apoio à Frente de Esquerda - Unidade para as próximas eleições de outubro na Argentina. Eles destacam a necessidade de fortalecer as lutas anticapitalistas em todos os campos e a solidariedade e ação internacionais.

segunda-feira 23 de setembro| Edição do dia

Traduzimos abaixo a saudação enviada pela Candidatura de Unidade Popular da Catalunha (CUP) à Frente de Esquerda - Unidade da Argentina (FIT-U). A coalizão da esquerda independentista catalã destaca no texto destaca a necessidade de que as forças anticapitalistas avancem em todos os terrenos e envia sua solidariedade e apoio para as próximas eleições de outubro.

Caros Companheiros da FIT-U

São muitos os desafios os quais as esquerdas rupturistas nos enfrentamos neste novo ciclo político; ciclo que exigirá uma maior organização das alternativas políticas de esquerda a nível global.

Embora muitas vezes não pareça, estamos frente a um momento crítico para a sobrevivência do capitalismo. Um momento em que, para que o neoliberalismo e o imperialismo continuem a orientar o desenvolvimento econômico e as relações comerciais, eles precisam do uso da repressão contra qualquer forma de dissidência política, contra qualquer vislumbre de esperança ou construção de alternativas.

Isso é evidente na Argentina: com as terríveis conseqüências para as classes populares causadas pelas atuais políticas neoliberais focadas em obter o máximo de benefícios possíveis, produto de um modelo extrativista a serviço das grandes corporações, e desenvolvido às costas da população argentina; com as pressões inaceitáveis e a perseguição contra o movimento feminista, que é um exemplo a nível internacional e está na linha de frente dos movimentos populares em todos os lugares. Um movimento que colocou em questão um dos principais pilares do sistema que nos oprime: o patriarcado; e também o exemplo claro da dura repressão e violação dos direitos do povo mapuche. Um povo que não apenas luta por sua liberdade e direitos, mas também pelo respeito a Ñuke Mapu, a mãe terra, colocando o ambientalismo no centro e contra a pilhagem do feroz modelo imperialista.

Todas essas lutas são profundamente anticapitalistas e são sementes para qualquer tentativa de construir alternativas.

Este uso de força e repressão para a sobrevivência do sistema também é expresso no Estado Espanhol. O povo catalão aguarda o severo julgamento contra os principais líderes políticos e civis do Referendo. Alvos de represálias que estão em prisão preventiva há quase dois anos por um crime que não cometeram e pelas idéias que defenderam. Um julgamento contra o direito à autodeterminação de um país inteiro e, afinal, um julgamento contra a democracia. Ao mesmo tempo, persiste a repressão contra as trabalhadoras na Andaluzia, que lutam pela soberania alimentar, defendendo suas terras e seus direitos contra os privilégios dos latifundiários e locatários rentistas. Persiste também a perseguição política e judicial do movimento da esquerda abertzale basco, que continua com mais de 300 presos políticos nas prisões do Estado.

Agora, mais do que nunca, é necessário que as esquerdas nos coloquemos a tarefa de formar frentes de luta na esfera institucional, mas, acima de tudo, é imprescindível que pensemos e trabalhemos para uma maior e melhor organização e mobilização popular. Nos momentos de instabilidade, é quando as ruas estão melhor se organizam e do protesto nasce a proposta.

E, para isso, é necessário estarmos cientes da dimensão internacional de nossas lutas, que afetam todos os territórios deste planeta. E da poderosa ferramenta de combate que é a nossa essência internacionalista, baseada na solidariedade entre os povos para além de todas as fronteiras e todas as distâncias.

Neste momento de luta contra a repressão na Argentina. Mas, acima de tudo, neste momento em que, mais do que nunca, a ação política deve ser realizada para melhorar a vida de nossos povos, enviamos toda a força às esquerdas da Argentina no atual processo eleitoral, no qual desejamos que as esquerdas anticapitalistas e rupturistas cresçam, se consolidem e sejam uma referência de luta.

- Porque a solidariedade entre os povos é uma das nossas ferramentas mais - -poderosas.
- Porque suas lutas são nossas lutas
- Para que a esquerda avance em todos os lugares




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