Sociedade

CRÔNICA

A escória social cobaia da repressão policial

quarta-feira 17 de agosto| Edição do dia

Me relata que na baia de trabalho, desses corporativos, computador pra todo mundo, sem transpiração pois o ar condicionado gela, talvez os 16 graus também mascare a humanidade.

Escuta movimentação e gritaria na janela sob as costas instalada, som de sirene, passos firmes, correria, abrem o vidro e a vista são policiais, já com armas a postos correndo na direção de um homem franzino que ironicamente em época de olimpíadas sediadas no nosso país, poderia competir nos 100 metros rasos e seria o novo Bolt tupiniquim, onde o treino é baseado no medo, não há acelerador metabólico mais eficiente que a aflição da captura, do pavor de ter sua vida interrompida por uma corridinha de ignorância, falimentar, de bagatela, e transformada em medalha do fascismo, nessa modalidade o Brasil é ouro.

O ambiente elitista do trabalho anuncia comentários do ocorrido como “o policial podia ter atirado, o cara não parava de correr”, expressão de alguém que ali está não por necessidade, mas para cumprir horas na faculdade, pouco importa a bolsa auxílio, de família abastada, faculdade particular elite da elite, carro de luxo de pouca quilometragem, almoço de praxe em restaurante francês e nunca está de roupa amassada, mais um fruto saudável da burguesia.

O capital aliena a humanidade na sua raiz, um fruto bem semeado dele desmerece a vida alheia, aquela que não convém nem para servir, nem para ele lucrar, ‘tinha que atirar’, descartar o resíduo social, detrito este nem partícipe da triagem de classes, não tem sequer oportunidade, só tem chinelo com prego embaixo, tem enquadro imotivado, tem policial desesperado pra mostrar o fim estatístico e fado de mais um sem rosto, sem nome, mas que merece ser capturado, ele não tem como se levantar, já nasceu algemado de bruços no chão, não era moisés, era camburão, parto normal à fórceps pelo Estado de mais uma cobaia de testes para repressão policial.




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