ELEIÇÕES NO CHILE

A direita volta à presidência no Chile com o multimilionário Piñera e um regime debilitado

Com os votos apurados, o candidato da direita Sebastián Piñera se transforma no novo presidente do Chile, com mais de 3.793.832 de votos, em um contexto de forte polarização política.

segunda-feira 18 de dezembro de 2017| Edição do dia

O candidato do Chile Vamos, Sebastián Piñera, se transforma no novo presidente do país, com mais de 3.793.832 de votos, correspondentes a 54,58%. Por sua parte, o representante da Nova Maioria, Alejandro Guillier, conseguiu 3.157.750 de votos, com 45,42%.

Com os votos apurados pelo Serviço Eleitoral, a direita volta ao palácio presidencial chileno La Moneda, com o multimilionário empresário à cabeça, em meio a uma situação política nacional instável e com forte polarização política.

O resultado eleitoral da direita surpreende e supera a votação de Piñera no primeiro turno (2.417.216), junto aos resultados de J.A. Kast (523.212), ou seja, o candidato do Chile Vamos somou ao redor de 800 mil votos a mais.

Em relação à participação eleitoral, enquanto que no primeiro turno votaram 6.700.746 de pessoas, no dia de hoje foram contabilizados 7.027.988 sufrágios. Isso quer dizer que no segundo turno presidencial a participação eleitoral aumentou pelo menos em 300 mil pessoas.

A centro-esquerda chilena sofre então um novo golpe político e eleitoral, com um resultado muito abaixo do que se prognosticava desde o setor, e demonstrando que a Nova Maioria não conseguiu convencer e encantar a uma porcentagem considerável da população; inclusive do próprio eleitorado da Frente Ampla. A porcentagem de abstenção é elevada, ainda que tenha diminuído nessa eleição.

Sobre isso, um fator importante a ser analisado é a votação obtida pela Frente Ampla no primeiro turno (pouco mais de 1,3 milhões de votos), que não tinha dado apoio a Guillier; importante ressaltar que suas principais figuras deram seu apoio explícito ao candidato da Nova Maioria, e que chamaram a votar e a “enfrentar a direita” nas urnas. Como este apoio à Nova Maioria e a baixa votação que obteve no segundo turno afetará esta coalizão?

“Os primeiros que celebram são os grandes empresários que financiaram Piñera e todos os que querem atacar os interesses dos trabalhadores, estudantes, mulheres e mapuches, como ficou claro em seu primeiro governo em 2010. Ainda que a direita tenha ganhado, essa ‘vitória’ está longe de ser perdurável, porque há uma forte polarização política, há amplos setores da sociedade que não confiam nos grandes grupos econômicos e nos partidos tradicionais; há um rechaço às AFP [previdência privada do Chile] e à educação de Pinochet, o que também se expressou eleitoralmente”, comenta Dauno Tótoto, ex-candidato a deputado e militante do Partido de Trabalhadores Revolucionários (organização irmã do MRT do Brasil).

Por sua vez, a Nova Maioria “demonstrou não ser nenhuma alternativa para enfrentar Piñera. A derrota de Guillier tem a ver com o fato da Nova Maioria ter aberto espaço à direita, negociando cada passo com Bachelet. É responsável disso, não foi capaz de algo tão básico como acabar com as AFP ou terminar com o CAE, pelo contrário, continua como uma coalizão que está há décadas governando para empresários e administrando a herança da ditadura”, manifestou Tótoro a respeito dos resultados da centro-esquerda.

Para Tótoro, o resultado da Nova Maioria demonstra que eles não conseguiram convencer e encantar um setor importante da população, inclusive do eleitorado da Frente Ampla, “o fato de que suas principais figuras deram seu apoio ao candidato da Nova Maioria tem importância, utilizaram um discurso de ‘enfrentar a direita’ votando por Guillier, o que eu considero uma subordinação importante por parte desse setor”, continua o jovem.

Mas o que fazer nesse próximo governo de Piñera? Nas palavras de Tótoro, “necessitamos a força de milhões nas ruas, nos organizarmos em nossos locais de trabalho e estudo; trabalhadores, mulheres, diversidade sexual, estudantes e setores oprimidos, para lutar por nossas demandas e construir uma esquerda anticapitalista de trabalhadoras e trabalhadores. Construir esse projeto político, essa alternativa, não é só para resistir, mas também para conquistar um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo que nos reserva somente miséria”, conclui o licenciado em História pela Universidade do Chile.




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