Mundo Operário

A direita no ABC e a falência do projeto de conciliação de classes o PT

Maíra Machado

ABC paulista

quarta-feira 9 de novembro| Edição do dia

As eleições municipais já passaram, mas a situação dos trabalhadores está longe de ser resolvida. Como vimos, os ataques às nossas condições de vida e a desilusão com todos os governos do PT levou a uma derrota histórica do petismo, que pela primeira vez em 34 anos não estará a frente de nenhuma prefeitura do ABC.

A direita teve uma vitória contundente. Em Santo André, 79% dos eleitores votaram em Paulinho Serra do PSDB, castigando o PT que saiu derrotado em todo território nacional. As eleições expressaram a contradição da descrença de que as coisas podem melhorar, mas também mostrou que os trabalhadores não enxergam saídas ligadas ao projeto petista, que apesar de ter feito concessões durante os anos de crescimento econômico se aliou ao grande capital para atacar os trabalhadores, que já vem há alguns anos amargando o aumento do desemprego e o aumento da carestia de vida.

O que ainda está para se provar para a grande massa de trabalhadores é que a direita está mais preparada do eu nunca para ajustar ainda mais a economia e garantir o lucro exorbitante dos grandes capitalistas, mesmo frente a crise econômica. Assim, as leis trabalhistas e todos os nossos direitos estão em cheque e precisaremos lutar para manter as nossas condições de vida, hoje no ABC são 226 mil pessoas desempregadas e essa realidade tende a se aprofundar.

O mês de outubro fechou com uma produção de veículos que está no mesmo patamar de 2003, analisando ano a ano, essa taxa corresponde a 45,5% a menos que o mesmo mês do ano passado. Pode até ser que as fábricas consigam elevar o nível de produção para os próximos meses, mas não existe nenhuma garantia de que esses carros serão vendidos, pois o alto nível de endividamento da população limita as possibilidades de financiamento, 51,7% dos automóveis comprados recentemente estão parcelados.

Além disso, o índice de desemprego no setor é o menor desde 2009, somente entre o meses de setembro e outubro, 900 postos de trabalho foram fechados nas montadoras, o que impacta toda a cadeia produtiva de automóveis e leva à milhares de demissões em diversas pequenas fábricas de auto peças.

O problema não acaba aqui, nas montadoras do ABC são 7700 trabalhadores em regime de carga reduzida de trabalho, estão em lay-off ou no PPE, em agosto esse número batia os 22300 trabalhadores. Esse número reduziu de um mês para outro porque as empresas aplicaram o PDV (Programa de Demissão Voluntária), que só na Mercedes-Benz eliminou 2055 postos de trabalho e na Volks 1337.

Ainda seguem milhares de trabalhadores com a corda no pescoço, são 2400 que estão no lay-off, cumprindo 5 meses de afastamento do trabalho e recebendo salário pelo FATE, não esqueçamos que o pagamento por essa via leva a anulação do seguro desemprego se após o período de lay-off esse funcionário for demitido, essa é a maior possibilidade.

Também contamos com 5300 trabalhadores que estão no PPE (Programa de Proteção ao Emprego), que protege os empresários, reduzindo a jornada de trabalho e também os salários em 30%, o projeto não garante o emprego e muitos são demitidos ao final do prazo do programa.

Essas medidas de “contenção” do emprego são propostas pelo próprio sindicato, que se acostumou a fechar acordos com os patrões e que não luta seriamente em defesa do emprego e contra os ataques do governo golpista. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dirigido pela CUT, foi o grande propositor do PPE e defensor do lay-off, ajudando a empurrar as demissões com a barriga e evitando uma grande luta operária que se enfrente com os interesses do grande capital.

O próprio sindicato propôs a redução salarial e alimenta a ilusão de que com o PDV o trabalhador pode garantir uma vida melhor e arrumar outro emprego. Não preparam os trabalhadores para se enfrentar com a repressão e o nível de vida que o governo golpista tentará impor com as reformas que quer aprovar. Será que a crise enorme do PT na região do ABC não está ligada a essa realidade, numa linha tênue entre a política do sindicato e a atuação petista no parlamento?

A realidade nacional mostra que sem luta teremos nossas vidas atacadas, salários arrochados e destruição dos serviços públicos. É necessário uma saída de fundo para a crise, acompanhando o movimento nacional de juventude que se enfrenta com os ataques e que mostra disposição de derrotar os ajustes. Os trabalhadores tem que ser parte ativa desse movimento unificando uma só força contra os desmandos capitalistas.

As grandes centrais sindicais seguem na trégua e mais uma vez convocam uma paralisação formal no próximo dia 11. É preciso colocar em movimento a força dos trabalhadores, construindo grandes exemplos e se enfrentando com os golpistas e os patrões. É tarefa do conjunto dos trabalhadores construir uma alternativa de esquerda independente do PT, que já mostrou a falência da conciliação de classes de maneira profunda.




Tópicos relacionados

Eleições 2016   /    PT   /    Centrais Sindicais   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar