A demagogia por trás da proposta de Covas de mais integrações e corte de mil ônibus da frota

quarta-feira 26 de setembro| Edição do dia

Foto: Gabriela Biló/Estadão

A gestão Bruno Covas apresentou nesta quinta feira, dia 21, a proposta de reformulação das linhas de ônibus da capital cortando em mil o número de veículos em circulação até 2021 e alterando 43% dos trajetos da capital com a justificativa de reduzir custos e comprar veículos mais modernos.

Todos nós sabemos a realidade do transporte público e como o número atual de veículos não dá conta de comportar o número de passageiros, sendo constantemente um problema principalmente nos horários de pico na cidade. A justificativa não poderia ser mais mentirosa, propor que se corte o número de veículos e linhas que fazem trajetos próximos não diminuirá tempo de viagem baseado no descongestionamento dos corredores, muito menos irá baratear os custos do transporte.

A primeira questão a ser analisada é que na proposta apresentada o número de empresas prestadoras de serviço na capital subirá de 22 para 29, sendo assim aumentará o número de contratos e licitações que a prefeitura pagará com verba pública e portanto pagaremos para mais empresas disponibilizarem um número menor de veículos e linhas que hoje já é muito pouco. Ainda mais dizer que o congestionamento dos corredores exclusivos é dado pelo fato de existirem muitos ônibus e sequer mencionar que não são tão exclusivos assim, dividindo com táxis e estando submetido ao engarrafamento generalizado devido ao número excessivo de carros que circulam pela cidade, a alternativa correta deveria ser ampliar o número de corredores e não a oferta dos ônibus.

A questão da integração também é um problema, todos aqueles que não possuem o bilhete único deverão fazer mais conexões e portanto pagar mais passagens para trajetos que hoje podem fazer com uma linha só, e com a diminuição da frota a tendência é que as pessoas fiquem mais tempo esperando nos pontos além de que com essa medida teremos uma demissão bastante grande de motoristas e cobradores, aumentando o desemprego no país que hoje atinge índices alarmantes acima de 10%.

O transporte “público” na nossa sociedade, assim como uma série de outros direitos básicos são tratados como mercadorias e ficam a mercê das negociações entre os políticos e os grandes empresários, nesse processo quem sai perdendo somos nós. Somente um transporte público gratuito e sob controle dos trabalhadores com a fiscalização da população usuária é que garantiremos uma maior eficiência e os nossos interesses que não são pagar mais dos nossos impostos para mais empresas oferecerem uma quantidade menor de serviço.




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