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A crise política na Venezuela segue aumentando enquanto cresce a interferência imperialista

sexta-feira 25 de janeiro| Edição do dia

A crise política na Venezuela não tem limites. Nicolás Maduro recebeu um forte apoio do presidente russo, Vladimir Putin, que declarou seu total apoio ao governo chavista e denunciou o “banho de sangue” que a interferência dos EUA na política interna do país caribenho pode levar. A nível interno, os generais das distintas regiões das Forças Armadas Nacional Bolivariana reafirmaram unanimemente seu apoio ao governo de Maduro, fator fundamental e quase exclusivo para conseguir se manter no poder nestes dias, e denunciaram que houve uma tentativa de golpe de estado encabeçado pelo autoproclamado presidente interino Juan Guaidó.

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Mas ao mesmo tempo segue crescendo com força a pressão externa, proveniente da Casa Branca e dos governos direitistas e ultradireitistas da região. Na parte da tarde a Organização dos Estados Americanos (OEA), uma “instituição internacional” de caráter abertamente pró-ianque, realizou sua esperada assembleia em Washington. Se houvesse alguma dúvida sobre à quem responde a organização, que historicamente serviu para validar os planos dos EUA no continente, desde o combate à Revolução Cubana até as distintas intervenções militares imperialistas em países soberanos, o Secretário de Estado de Donald Trump, Mike Pompeo, esteve presente de surpresa e fez um discurso ao plenário da reunião assegurando que seu governo já havia optado por Guaidó e que “chegou o momento para que a OEA, como instituição, se alinhe com a democracia e com o império da lei e reconheça seu novo presidente (de Venezuela). A hora do debate já passou”.

Como se isso não bastasse, Pompeo acrescentou: “reitero nossas ameaças sobre qualquer decisão dos elementos remanescentes do regime de Maduro sobre o uso da violência para reprimir uma transição política”. “Transição” que não é outra coisa que a imposição de um governo fantoche de seus interesses, para o qual eles estão impulsionando há dias uma política golpista e até mesmo uma possível intervenção militar.

O presidente da OEA, o sipaio do imperialismo Luis Almagro, não pôde impor na reunião uma declaração da organização reconhecendo o deputado direitista Juan Guaidó como presidente, mas a maioria dos países membros se pronunciaram nesse sentido reforçando a pressão política contra Maduro.

Assim, numa declaração vergonhosa proposta pelo governo argentino e endossada por outros 15 países incluindo os Estados Unidos e Brasil, indicaram o “pleno respaldo ao presidente da Assembleia Nacional Juan Guaidó, que assumiu como Presidente encarregado da República Bolivariana de Venezuela, em atenção às normas constitucionais e ante a ilegitimidade do regime de Nicolás Maduro”. Bolívia, Nicarágua e outros 3 países votaram contra para que Almagro e Pompeo não conseguissem a maioria necessária para aprovar a declaração como organização.

A representante da Venezuela ante a OEA, Asbina Ixchel Marin, rechaçou a sessão e a qualificou como um “ultraje à Carta da OEA”, anunciando também que seu governo não reconheceria validez alguma de suas resoluções. Marin também denunciou que “o governo dos Estados Unidos nomeia desde o exterior um governo fantoche, ameaça o povo venezuelano com violência e tenta nos privar de nosso sagrado território. Nunca na história ele foi tão ousado. É um governo mafioso que trata nosso Estado como um escravo”.

Por sua vez, México e Uruguai não apoiaram a declaração contra Maduro e anunciaram que estão dispostos a propiciar um canal de diálogo para chegar a uma “solução pacífica e democrática” para a crise e não “cair em uma espiral de violência”. Pouco depois, Maduro declarou que está “a favor” desse caminho que, na verdade tem poucas chances de progredir.

Em outra mensagem quase de guerra, a Casa Blanca também anunciou hoje que estava disposta a garantir uma “solução de saída” de Maduro da Venezuela se ele concordasse em ceder o poder a Guaidó.

Todos esses acontecimentos marcaram um novo dia agitado em torno da situação que a Venezuela está vivenciando e que no momento não parece deixar de se agravar com uma crescente interferência imperialista que inclusive ameaça se tornar violenta, e o governo de Maduro que por agora resiste à pressão apoiado pelas Forças Armadas. Como visto nas marchas e atos da quarta-feira, 23, os setores da população que o apoiam são cada vez mais reduzidos à medida que o governo mantém uma política criminosa de descarregar a descomunal crise econômica sobre as costas dos trabalhadores e do povo pobre, enquanto vem fortalecendo o autoritarismo do regime e a repressão.

No final do dia, a rede Univisión fez uma entrevista exclusiva com Juan Guaidó realizada por sua figura estelar, Patricia Janot, na qual o autoproclamado presidente interino anunciou que vai convocar novas ações de protestos de rua neste sábado e domingo, dias chaves já que se está cumprindo o prazo dado por Maduro aos funcionários da Embaixada ianque para sairem do país. O governo Trump já disse que não vai retirar seu pessoal porque não reconhece a autoridade de Maduro para expulsá-los, o que abriria a possibilidade de que alguns sejam presos dando um novo salto na escalada com os Estados Unidos. No momento, parece claro que essas são as intenções da Casa Branca para encontrar desculpas que possam endossar uma eventual intervenção de consequências imprevisíveis e que deveria ser imediata e decididamente rechaçada por todos os povos latino-americanos com greve e mobilização.

Nesta quinta-feira o governo Trump também pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU para tratar a situação da Venezuela, o que geraria uma nova frente de batalha diplomática entre Estados Unidos e seus aliados, contra a Rússia e a China que reconhecem o governo de Maduro.

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