Economia

DEMISSÕES MONTADORAS BRASIL-ARGENTINA

A crise não tem fronteiras

A exportação da Argentina para o Brasil chega até 80% da produção na FIAT ou em caixas de velocidade como Volkswagen. É o principal mercado da Argentina. E vice-versa: Argentina é o principal destino da fabricação dos carros brasileiros. Mas começou a se sentir a crise internacional. Já não são suficientes os salários miseráveis do nordeste brasileiro, abaixo de 1500 reais. Nem a mão de obra quase gratuita das oficinas metalúrgicas que na Argentina pagam 7000 pesos. Nem mesmo a crescente terceirização dentro das multinacionais. Há planos recessivos, violentos aumentos d preços e ataque ao consumo das classes médias baixas e trabalhadoras.

quinta-feira 14 de abril de 2016| Edição do dia

Crônica de um ataque anunciado

Na Argentina a luta de Lear é considerada pelos empresários “o conflito do ano”, em 2014. Um setor de trabalhadores combativos, onde tinha peso o PTS-Frente de Esquerda, durante meses resiste à flexibilização e às demissões, enfrentando a conciliação da burocracia peronista e do governo nacional com essa multinacional. Começam demissões e suspensões massivas no final de 2015 na indústria automotiva na Argentina, com centenas de demissões “voluntárias”. A Renault já eliminou 800 postos, Fiat reduziu mais de 300, Ford anuncia que “tem mais 250”. VW de Pacheco abriu uma crise profunda: 1500 devem sair, todo o turno da noite. Na VW de Córdoba são 360.

No Brasil começam as férias adiantadas, suspensões e demissões, como na GM. Mas os ritmos de trabalho seguem iguais ou mais rápidos. “A crise é uma oportunidade” dizem os gerentes em voz baixa. E “apontam” contra ativistas, trabalhadores doentes e mais velhos. Pré aposentadoria. Tada a engenharia do dinheiro, para evitar o que eles tanto temem: demissões massivas e resposta operária com greves, mobilizações, ocupações de fábrica, como a empresa de faróis cordobesa Valeo em 2014.

Unir os trabalhadores do Brasil e da Argentina.

Em épocas de crescimento, fazem os trabalhadores “competirem” entre si. Nos dizem que a melhor qualidade e os baixos custos trarão investimentos para nosso país. Mas quando chega a crise, a burocracia do Smata (Sindicato de Mecânicos e Afins do Transporte Automotivo da Argentina) ao invés de resistir incentiva os trabalhadores para que aceitem pequenas indenizações. Aos que ficam, pedem o esforço de aceitar reduções salariais nas suspensões, cumprir os ritmos e objetivos das gerências e evitar licenças médicas. Nenhuma diferença com os planos do patrão.
Nós sabemos que, a pesar da crise, seguem ganando dinheiro. A abertura dos livros de contabilidade é necessária. Para demonstrar à população que com os aumentos dos preços dos carros buscam manter seus níveis de lucros ainda que cada vez sejam menos os que podem comprar um carro. E isso agudiza a queda produtiva. Mas sobretudo, poderíamos demonstrar que os lucros dos últimos 5 anos foram voltados para as empresas matrizes.
Frente a esse situação, é imprescindível reduzir os ritmos da produção e dividir as horas de trabalho sem redução salarial, para que todos possam trabalhar. Mas não poderemos impor essas medidas se encaramos a luta divididos por fábrica, por sindicato ou por país. O que eles não consigam produzir na Argentina, farão no Brasil. É urgente coordinar os trabalhadores de ambos os lados, começando por exigir das centrais sindicais medidas de força à altura do ataque que sofremos para que não se perca nem um posto de trabalho.
A crise não tem fronteiras, nossa resistência também não pode ter.

Tradução: Marília Rocha




Tópicos relacionados

Demissões   /    Economia   /    Política   /    Internacional

Comentários

Comentar