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A crise do Enem mostra: toda a juventude deve ter direito a estudar, sem pagar

O bolsonarismo coloca em questão, pela direita, os métodos de acesso ao Ensino Superior no Brasil, atacando a educação e prejudicando milhares de estudantes no Enem. Por sua vez, escandalizando os erros no Enem e exigindo a regularização de suas notas, a juventude deve responder, pela esquerda, avançando em um programa para que todos possam estudar nas universidades, sem pagar e sem vestibular.

quarta-feira 29 de janeiro| Edição do dia

Em meio à crise do Enem, com 172 mil denúncias de erros nas notas e irregularidades no próprio Sisu, as angústias que a juventude sente todos os anos quando inscreve seus resultados em busca do sonho da universidade pública agora se aprofundam. As falhas nas notas e o descaso em resolvê-las, escandalizando as políticas de Weintraub e Bolsonaro para a educação, escancaram que, de fundo, o bolsonarismo ataca, pela direita, até mesmo a lógica meritocrática do desempenho nas provas - por isso, os erros no Enem incomodam o MBL, paladino da falácia da meritocracia. Isto é, recorrendo na justiça para que sigam os processos normalmente, buscando viralizar a #FicaWeintraub e levando adiante um processo fraudulento, no qual não é possível afirmar a extensão dos erros e dos prejuízos aos estudantes pelos meios oficiais, desmontam até mesmo o discurso de que o vestibular seria o sistema ideal porque decide em base a uma prova de conhecimentos quem acessa ou não o Ensino Superior, selecionando os “mais preparados” (com notas maiores). Ironicamente, isso vem da mesma extrema direita que historicamente combateu as cotas porque a população negra não poderia ter “privilégios” nas provas, na defesa da ditadura das notas.

Na realidade, aqui vale retomar as declarações de Vélez, ex-primeiro ministro da educação rapidamente demitido, que declarou abertamente o objetivo do governo de uma universidade voltada à elite intelectual. Na prática, chegando a dizer que as reclamações nas notas eram de “esquerdistas” e dando continuidade aos métodos de seleção a qualquer custo, Bolsonaro escancara que o único objetivo do vestibular é impedir que uma imensa parcela da juventude acesse seu direito ao Ensino Superior. Embora seja inadmissível a permanência de Weintraub no cargo e nos somamos a milhares de jovens que reverberam o Fora Weintraub, é fato que atacar o acesso ao Ensino Superior, avançando com o desmonte das universidades federais, com cortes nas bolsas de pesquisa e permanência, com políticas de privatização como o Future-se, e tantas outras, corrobora ao que admitiu Vélez, como linha de continuidade das políticas de educação do governo. Bolsonaro, que odeia a intelectualidade que não seja terraplanista, quer reconcentrar, no mínimo, ainda mais as universidades públicas, com uma suposta “elite intelectual”, e generalizadamente precarizar e privatizar. É esse o pano de fundo da crise no Enem e foi esse o processo contra o qual a juventude se levantou no ano passado.

Nesse cenário, chama a atenção que Iago Mantovão, expressando a posição da União Nacional dos Estudantes (UNE), contra os erros do Enem defenda essa forma de ingresso como a verdadeira “democratização do acesso”. Na direção dessa entidade, está o PT, que em seus anos de governo, expandiu enormemente o Ensino Superior privado, satisfazendo os interesses dos grandes monopólios, às custas de uma precária expansão das universidades públicas, e que, a partir de 2015, deu início aos cortes no FIES e no Prouni. É nesse modelo de educação que Bolsonaro se apoia para buscar sua radicalização à direita, ajustando suas escolas e universidades ao mercado de trabalho cada vez mais precário, com suas reformas escravizantes.

Pelo contrário, não podemos aceitar que ao 1,5 milhão de inscritos no Sisu haja 237 mil vagas de Ensino Superior público. Isso não é democratização do acesso. Assim, defendemos que, nesta crise, defender os sonhos da juventude, humilhada pelo governo, é também lutar por seu acesso direto do Ensino Médio ao Ensino Superior, sem pagar e sem vestibular, abrindo vagas a todos.

Levantando uma comissão das entidades estudantis, independente da justiça, que garanta o acompanhamento da apuração dos erros no Enem para que nenhum estudante seja prejudicado, lutamos por mais verbas para a educação, pela revogação da PEC do Teto dos gastos e avançando ao fim do pagamento da dívida pública que suga milhões da educação aos bolsos do banqueiro. Não podemos aceitar que os monopólios se sustentem com isenções fiscais e endividamento da juventude, que paga para estudar, enquanto outros milhões ficam de fora. É necessário estatizar o Ensino Superior privado, colocando nas mãos de trabalhadores e estudantes.

Esse deveria ser o programa levantado por nossas entidades estudantis, como a UNE e a UBES, que, ainda mais nas férias, deveria concentrar suas energias para que todos os estudantes tenham sua situação regularizada nas notas e pelo Fora Weintraub a partir de uma mobilização real.




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