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A crise carcerária no Brasil deixa mais 52 mortos no Pará e, para Moro, a solução é mais prisão e perpétua

terça-feira 30 de julho| Edição do dia

Foto: Adriano Abreu/Tribuna do Norte

Segundo a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), uma briga de facções teria dado origem a uma rebelião que durou cerca de cinco horas na manhã desta segunda, deixando um rastro de 52 presos mortos.

Apoiando-se em mais esse massacre fruto da superlotação dos presídios, que condena os presos à tortura, doenças e condições sub-humanas, Moro destilou mais de seu autoritarismo no Twitter, defendendo mais prisão e perpétua diante da já aguda crise carcerária no país:

De acordo com o CNJ, o presídio de Altamira/PA onde ocorreram as mortes nesta segunda de manhã, teria capacidade para 163 presos, mas abrigava 343 presos em regime fechado, mais que o dobro.

Este é o segundo maior massacre em presídios, somente em 2019. E, como já apontamos ao noticiar, em maio, a morte de 57 presos no sistema penitenciário do Amazonas:

“As condições de vida nos presídios, naturalmente, já vem declinando desde bem antes do massacre do Carandiru. Celas hiperlotadas, falta dos recursos mais básicos de higiene e limpeza, condições tão degradantes que, podem, inclusive, serem enquadradas como tortura. Recentemente, a Justiça Interamericana (parte da OEA, Organização dos Estados Americanos) inciou a investicação dos contínuos casos de violação dos direitos humanos em presídios do território nacional. Na prática, o Estado Brasileiro – o país com a 3ª maior população carcerária no mundo – passa a praticar uma forma institucionalizada de tortura contra pessoas que cometem qualquer sorte de crime.”

A histórica política de encarceramento no Brasil com o projeto autoritário de Bolsonaro e Moro tem uma escalada repressiva expressa na explosão dos números de presos - o Brasil ultrapassou a barreira dos 800 mil presos - e nos assassinatos cometidos pelas forças policias.

Leia mais: Bolsonaro e Moro comemoram redução de crimes, enquanto população carcerária e assassinatos por policiais disparam

Num cenário onde as perspectivas de recessão se multiplicam junto com as estatísticas de desemprego e sub-emprego, com cortes na educação, saúde, a política deste governo é o controle social através da repressão e o encarceramento em massa que coloca na mira a população jovem e negra, mais atingida com a crise.




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