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MUNDO OPERÁRIO

A classe operária argentina frente ao coronavírus: crescem as lutas, a organização e a solidariedade

Em Mendoza (Argentina), há professores que começam a produzir álcool em gel para combater a escassez. Nos call centers e shoppings, os trabalhadores reclamam das condições insalubres de trabalho.

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

A classe trabalhadora começa, pouco a pouco, a dar exemplos de como se organizar para enfrentar as consequências do crescimento do novo coronavírus.

Contra o discurso do governo [argentino] que diz que a melhor solução é “ficar em casa”, começa a surgir exemplos de setores de trabalhadores e trabalhadoras que colocam soluções de fundo.

Em Mendoza, professores de uma escola já começaram a discutir como organizar a produção de álcool em gel. É uma resposta de baixo, desde os lugares de trabalho, diante da falta de responsabilidade das empresas, e que o governo se mostra incapaz de solucionar.

O mesmo acontece em Rosário (Argentina). No colégio San José, um grupo de professores fabricou 40 kg de álcool em gel para o uso da comunidade escolar, sem fins lucrativos.

Em Neuquén, trabalhadoras têxteis, agrupadas em uma cooperativa, já começam a se organizar para produzir máscaras respiratórias. Elas têm a consciência de que podem colaborar para enfrentar as consequências da pandemia. Para esse objetivo, exigem ajuda do Estado.

Esse mesmo exemplo poderia ser replicado em milhares de estabelecimentos de todo o país. São dezenas de empresas recuperadas que poderiam converter a sua produção e começar a produzir elementos fundamentais para prevenir e combater a pandemia.

Em cada empresa, em cada lugar de trabalho, os trabalhadores e as trabalhadoras podem começar a discutir como controlar e organizar a produção. Em primeiro lugar, para garantir que os insumos essenciais estejam disponíveis o tempo todo. Em segundo lugar, para impedir que os empresários, na busca de garantir seus lucros, deixem de lado medidas que permitam cuidar da saúde dos trabalhadores.

Protestos e rebeliões contra isso começam a acontecer em muitos lugares. Trabalhadores e trabalhadoras saem protestando contra a negligência patronal, que só privilegia os lucros.

Esses protestos têm lugar entre os trabalhadores do Estaleiro Rio Santiago, metalúrgicos, aeronáuticos, call centers e em diversos shoppings e grandes centros comerciais.

São duas reivindicações. Em primeiro lugar, que se garanta condições em cada empresa para cuidar da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras. A exigência inclui o fornecimento de álcool em gel, sabão, luvas e outros elementos de cuidado e prevenção.

Os trabalhadores também protestam contra empresários que os mantêm trabalhando quando há perigo de contágio. Em call centers de diversas províncias e localidades, as reclamações levaram a uma paralisação. As e os jovens colocaram a sua saúde a frente dos lucros dos empresários.

É fundamental que os trabalhadores avancem nessa organização própria, que permita a eles começar a dar as suas respostas frente ao crescimento da pandemia. Por esse caminho, pode-se avançar em dar soluções de fundo, garantindo a saúde e a vida das famílias trabalhadoras.

Nesta quarta-feira (18), no aeroporto argentino Aeroparque, trabalhadores aeronáuticos de diferentes empresas participaram de uma assembleia em que discutiram como avançar na formação de comissões de higiene e segurança. O objetivo é não sofrer com a desproteção que as empresas impõem em função de garantir seus lucros.

É fundamental desenvolver esse caminho de luta, organização e solidariedade para garantir um combate sério contra a pandemia do coronavírus. As medidas que o governo argentino vem tomando têm um limite: não se propõem a encostar nos lucros dos empresários.

Originalmente publicado em La Izquierda Diario.

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