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A canção de Zaz: “juntos vamos lutar pela minha e pela sua liberdade!”

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 15 de fevereiro| Edição do dia

Você pode ouvir essa cantora francesa, ZaZ, e pode [até] não gostar.
Mas não vai poder ficar indiferente.

Muito menos com a canção “Je veux” [Eu quero].

A letra é subversiva, a voz é incomum [e fora do padrão usual da voz do mercado], a energia que se desprende dos seus movimentos e da sua personalidade são uma marca completamente pessoal, contagiante e o resto – em relação a essa “cantora energética”, como diz a imprensa - vem do gosto de cada um.

Se quiser, avalie você mesmo aquela canção, ouvindo o vídeo abaixo.

Hoje, a cantora Zaz é ouvida por milhões. Com o detalhe de que quanto mais a crítica malha a cantora [Isabelle Geffroy, cujo nome artístico é Zaz] mais ela é ouvida pelas pessoas, mais se converte em sucesso de público. Somente o clip daquela canção citada já tem mais de quatro milhões de curtidas e hoje é a cantora francesa mais ouvida no mundo.

Nessa canção, “Je veux”, ela fala que “o dinheiro não é a solução”, em uma crítica aberta ao consumismo, canta que não saberia o que fazer com um limousine, com uma mansão, com empregados, com Chanel, com a torre Eiffel. E em vez do usual cada um é “dono do próprio nariz”, cada um que “se ache”, seu grito de guerra é “Vamos juntos descobrir a minha liberdade”, chega de boas maneiras e de hipocrisia!

Para além das contradições citadas pela crítica [da sua “falta de sinceridade”, da sua “boemia” etc] o fato é que podemos estar diante de uma cantora para os novos tempos. Tempos que poderemos estar prestes a viver, de convulsões sociais e quebra do “paradigma” capitalista, também na cultura, também na canção. Há vários indícios na cultura, embora iniciais, elementares. Um deles foi citado já no Esquerda Diário a respeito daquela banda norte-americana The Last Internationale,
mas outros existem e outros virão.

O esgotamento político das direções neoliberais, a crise orgânica na esfera política [Estados Unidos e Europa, por exemplo], elementos de polarização política e de convulsões sociais depois da Primavera Árabe e da Grécia, França, podem ser - nos marcos da crise econômica arrastada pelo sistema capitalista desde 2008 – elementos de uma nova entrada das massas na história em grande estilo.

Artistas cantando “Je veux” ou cantando a balada “Workers of the world unite!” podem apontar para novos tempos.

Lutemos por essa perspectiva.

Enquanto isso, você pode ouvir ZaZ:

Um bônus: a apresentação da mesma música [Je veux] para a juventude de S. Petersburgo, em novembro de 2013, precedida de outra canção muito interessante, Fui longe demais [J´ai tant escamoté]:




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