Gênero e sexualidade

A cada hora um LGBT é agredido no Brasil, diz pesquisa

Pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a secretaria de Atenção Primária em Saúde e de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde conjuntamente com o Instituto Federal do Rio Grande do Sul e Universidade do Rio Grande do Sul apontou que a cada hora um LGBT é vítima de agressão no Brasil, desde o ascenso da direita no Brasil

sábado 18 de julho| Edição do dia

A pesquisa que analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), entre 2015 e
2017, a partir das notificações feitas pelo Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (Sinan), constatou 24.564 notificações violência contra a população
LGBT, resultando uma média de mais de 22 notificações de agressão por dia, isto é,
quase uma notificação a cada hora.

Os dados alarmantes, que remetem à ampliação do reacionarismo com a ascensão da direita e do golpismo, podem mostrar apenas parte de um cenário que pode ser
ainda pior, dizem os pesquisadores. Pode haver um subnotificação expressiva já
que muitas das violências que acontecem a essa população não são registradas,
além dessas pessoas não procurarem o sistema de saúde ou não indicam sua
orientação sexual, por vergonha ou medo.

Esse estudo mostra ainda que a população negra é a mais atingida, sendo metade
dos casos de violência registrados, entre os adolescentes entre 10 a 14 anos a
porcentagem de negros e pardos chega a 57% dos LGBTs. Os dados ainda
escancaram mais uma realidade, mostrando que as mulheres são as que mais
sofrem com a violência, às lésbicas são 32% dos homossexuais a serem atingidos
pelas violência de gênero, entre os 57% dos homossexuais, e as mulheres trans e
travestis são 46% das vítimas registradas.

Essa pesquisa comprova a dimensão da gravidade da situação de vida na qual a
população LGBT vivem no país, que é acentuada com a ascensão do bolsonarismo,
e que é reafirmada com o discurso reacionário e de ódio de Bolsonaro da extrema
direita, que com Damares e seus aliados fundamentalistas das igrejas evangélicas
legitima a violência e a opressão de milhares de pessoas por sua orientação sexual
e identidades de gênero.

Seus dados, coletados entre 2015 - ano em que os efeitos da crise econômica, em curso desde 2008, tornam-se mais perceptíveis no Brasil - e 2017, expressam o crescente agravamento do reacionarismo, da LGBTfobia e do racismo em meio ao processo de ascensão da direita, que desemboca na eleição de Bolsonaro. Nesse sentido, partindo de se tratam de problemas estruturais, que se agravam com o aprofundamento da crise econômica e com todos os ataques promovidos à classe trabalhadora e à juventude, fica evidente que a saída necessária passa por uma luta contra esse sistema.

Assim, sem que sejam alimentadas ilusões sobre atores do regime que foram responsáveis pela ascensão do Bolsonarismo e que contribuem para que todos os ataques sejam passados sobre os trabalhadores, como é o caso do STF e de Maia, é preciso fortalecer os processos de luta dos trabalhadores, combinado a um programa em resposta à crise política e sanitária, que seja pelo fora Bolsonaro, Mourão e militares e que tenha como perspectiva a imposição de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que a população decida os rumos do país!




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