Internacional

Donald Trump degrada a memória de George Floyd

A cada dia que passa Donald Trump fica mais longe de poder ser considerado um ser humano. Na sexta-feira, Trump tentou arremessar à lama o legado de George Floyd.

terça-feira 9 de junho| Edição do dia

Políticos dos partidos Democrata e Republicano não apenas representam e defendem coisas horríveis - como nosso sistema racista e explorador - mas às vezes dizem coisas realmente horrendas que revelam suas verdadeiras aspirações pelo capitalismo e imperialismo e quão profundamente falham como membros da raça humana. A mídia burguesa geralmente se refere a esses momentos como “sayng the quite part out loud” - pois são momentos que expressam o que o orador realmente pensa e o que ele realmente gostaria de fazer. Momentos assim geralmente acontecem quando o orador não se dá conta de que o microfone está ligado.

Existem muitos momentos famosos chamados “hot mic”. Em 1984, o presidente Ronald Reagan - fazendo uma verificação de som pouco antes de uma entrevista à rádio, enquanto a Guerra Fria ainda estava ocorrendo - disse: “Meus amigos americanos, tenho o prazer de lhes dizer hoje que assinei uma legislação que proibirá a Rússia para sempre. Começaremos a bombardeá-la em cinco minutos.”

Há diversos exemplos de “saying the quiet part out loud” (falar em voz alta o que deveria ficar em silêncio). Em 2013, o presidente do Partido Republicano, Robert Gleason, admitiu que o requisito de ID com foto que havia sido empurrado recentemente pela legislatura iria suprimir efetivamente a participação dos eleitores e que esse era o objetivo o tempo todo, expondo como mentira as alegações sobre a luta contra a "fraude." Ele disse que isso "ajudou um pouco" a diminuir a margem de Obama sobre Romney, cortando-a para a metade do que havia sido sobre McCain, quatro anos antes. O líder republicano na Câmara dos Deputados, Mike Turzai, já havia previsto durante a campanha que a medida de identificação do eleitor permitiria "que o governador Romney ganhasse no estado da Pensilvânia".

Os políticos geralmente tentam voltar atrás nesses momentos. Mas não Donald Trump. Não existe um "hot mic" para este presidente. Ele até ignorou a infame fita "Access Hollywood", alegando que em um ponto não era ele que estava falando. E ele não apenas say the quite part out frequentemente; ele materializa tais momentos em seu feed do Twitter.

Até mesmo os seus conselheiros mais próximos esperam isso dele. Você pode comprovar isso olhando para seus rostos.

Nesse contexto, considere o que Trump disse na sexta-feira ao anunciar um surpreendente declínio no desemprego oficial dos EUA que o Boston Globe generosamente caracterizou como baseado em dados "duvidosos". Falando do Rose Garden, Trump revelou como os analistas parecem ter se provado errados. Seu próprio consultor econômico, Kevin Hassett, havia alertado sobre uma iminente taxa de desemprego de 20% em junho. Referindo-se aos programas de TV que ele passa a maior parte do tempo assistindo, Trump disse: "Eu acho que foi um dos maiores erros de cálculo na história dos programas de negócios, programas de negócios falando sobre Wall Street", disse ele.

Lendo uma declaração pronta, Trump disse alguns pontos que não são dignos de nota, mas que são coerentes. Por um instante ele disse:

“Justiça igual perante a lei deve significar que todo americano receba tratamento igual em encontros com a polícia, independentemente de sua raça, cor, gênero ou credo. Eles têm de receber um tratamento justo da polícia. ”

Mas no momento em que ele se distanciou do papel à sua frente, o verdadeiro Trump veio à tona:

“Todos nós vimos o que aconteceu na semana passada. Não podemos deixar isso acontecer. Espero que George esteja olhando para baixo e dizendo que é ótimo o que está acontecendo no nosso país. Que esse é um ótimo dia para ele. Um ótimo dia para todos. É um ótimo, ótimo dia em termos de igualdade. ”

Então Trump declarou figuras econômicas que foram boas “para os afro-americanos, para os hispano-americanos, e os asiático-americanos, e para todo mundo”.

Trump não é capaz de ter um mínimo de empatia com a vítima de um assassinato e sua família. Ele também parece estar zombando da própria ideia de igualdade racial. Ele é um narcisista maligno que faz tudo para si - até mesmo apontando pseudo-realizações ou se fazendo de vítima dos "piores ataques" da história. E assim, o Trump “surdo” - como a grande mídia gosta de chamá-lo - mais uma vez provocou as denúncias de outros políticos capitalistas e seus porta-vozes da mídia.

Maeve Reston, da CNN, disse que esse comentário mostrou a "desconexão sufocada de Trump sobre a dor e o tumulto que se desenrolaram neste país após a morte de George Floyd. Falando no final do dia, Joe Biden criticou Trump: "As últimas palavras de George Floyd, ’eu não consigo respirar, não consigo respirar’, ecoaram por todo o país e, francamente, por todo o mundo. Para o presidente tentar colocar outras palavras na boca de George Floyd, francamente acho isso desprezível.”

Essas são palavras fortes, mas e o projeto de lei que Biden escreveu? Isso não é desprezível também, uma vez que levou os Estados Unidos a se tornarem o líder mundial em prender pessoas - especialmente pessoas de cor?

Trump será Trump. Toda vez que os discursos políticos na TV pensam que ele atingiu um "novo nível baixo", ele mostra que ele não tem fundo. Mas não deixe sua marca particular de "desprezível" confundir você. O que é mais desprezível é o sistema que Trump, Biden e todos os democratas e republicanos representam - um sistema que eles estão fazendo hora extra nesses dias para mantê-lo quando as pessoas irem às ruas e dizerem "basta".

Democratas e Republicanos, às vezes, escondem sua agenda real por detrás de palavras e frases bonitas. Biden faz isso aos montes. Trump não faz muita questão. O que importa, em última instância, são as suas ações. Democratas e Republicanos perpetuam ativamente o racismo, a violência e a opressão. Nosso trabalho é ajudar a transformar a raiva que está explodindo em toda parte em um movimento político que coloque Trump, Biden e o resto deles na lixeira da história.




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