Mundo Operário

EDITORIAL USP

A batalha pela reabertura do Hospital Universitário da USP

terça-feira 13 de agosto| Edição do dia

A reitoria segue na tentativa de precarizar e terceirizar o HU como parte do avanço do projeto de gestão de Zago, e agora Vahan, que responsabiliza os funcionários pela crise financeira da universidade e não o subfinanciamento que vem sendo denunciado desde 1989. Essa solução pra crise financeira da USP significa substituir trabalhadores efetivos por terceirizados, aumentar a sobrecarga através dos PIDVs, aumentar a jornada diária através do banco de horas, além de intensificar o assédio moral nas unidades. Além disso, está fechando as creches, bandejões, as unidades de saúde, pondo fim as políticas de permanência estudantil. Ou seja, uma forma de resolver a crise atacando os trabalhadores, os estudantes em geral, mas principalmente os negros, as mulheres e os mais pobres e, ao inviabilizar o atendimento à população no Hospital, uma das poucas formas que a população pobre tem acesso à universidade, aprofunda o caráter elistista da Universidade, usando como justificativa a falta de funcionários, uma situação motivada pela política da própria reitoria.

Agora, no dia 21 de agosto, serão discutidas no Conselho Deliberativo do HU propostas de recuperação do quadro de funcionários para reabertura de leitos e atendimentos conforme foi exigido pelo Ministério Público, desde dezembro de 2018, a partir de uma verba extra de R$40 milhões conquistada na ALESP pela mobilização popular da qual R$20 milhões é para recursos humanos.

A reitoria e a superintendência do HU já demonstraram sua intenção de terceirizar tudo o que for possível e, no início do ano, contratou médicos plantonistas terceirizados por via de uma Fundação privada (que funciona da mesma forma que uma OSS), a Fundação Faculdade de Medicina. Esses médicos plantonistas ganham menos que os médicos concursados, não tem plano de carreira, não estabelecem vinculo com o ensino nem com o atendimento e, consequentemente, não ficam por muito tempo, muitos deles já saíram por essas razões. A superintendência e a reitoria querem manter esse tipo de contrato precário e estender para toda a área de enfermagem, técnicos de laboratório, farmácia, administrativos, estuda terceirizar setores da nutrição ou comprar comida de fora. Tudo isso será discutido no Conselho Deliberativo do dia 21 de agosto.

No dia 04 de agosto, aconteceu uma plenária popular chamada pelo Coletivo Butantã na Luta, que acontecerá na Escola Amorim Lima, próximo à praça Elis Regina, com apoio do Sintusp e entidades estudantis ligadas aos cursos da saúde com o objetivo de definir os próximos passos da luta para garantir que essa verba extra seja de fato usada na contratação por via de concurso e carreira USP e para que seu repasse seja anual e assim possa manter o pronto socorro aberto à população da Zona Oeste. Para isso, estão chamando um ato-vigília dia 21/08, às 9h, em frente à reunião do Conselho Deliberativo no 3ºandar do HU; um ato em defesa do Hospital dia 28/08, às 17h, em frente ao Instituto Butantan; e será encaminhada uma ação por desvio de conduta contra a reitoria por ter usado a verba de R$48 milhões destinada ao HU, por emenda da Alesp, em 2018, para despesas previdenciárias.

Nesse 13 de agosto, ocorre uma manifestação nacional contra os cortes na educação. A política de Bolsonaro de cortar verbas da educação vai aprofundar ainda mais esse projeto da reitoria que além de terceirizar os trabalhadores, prevê financiamento privado para cursos de pós-graduação e pesquisa o que fere a autonomia universitária. Os ataques que Bolsonaro leva a frente tem aspectos ideológicos que se opõe a liberdade de pensamento dentro das Universidades e que levou alguns reitores a se posicionarem contra, mas tem profundos aspectos econômicos que buscam descarregar a crise capitalista nas costas dos trabalhadores como a tentativa de aprovar a reforma da previdência, avançar nas privatizações. Para enfrentar esse governo e seu projeto não é possível separar as lutas. Não é possível como a reitoria faz, defender a autonomia universitária contra os ataques desse governo reacionário enquanto ela mesma ataca os trabalhadores e a população desmontando o HU. Por isso corretamente o Sintusp se posicionou contra a política das centrais sindicais, CUT(dirigida pelo PT) e CTB(dirigida pelo PCdoB), da União Nacional dos Estudantes (dirigida pelo PCdoB e PT) e do DCE da USP (dirigido pelo PT) que em todo o momento desse primeiro semestre atuaram separando a luta contra os cortes da educação e a luta contra a reforma da previdência, impedindo a juventude e os trabalhadores de se unificarem para derrotar o governo de Bolsonaro e seus ataques.

É preciso unificar as lutas, unir as pautas da luta contra os cortes da educação com a luta contra a reforma da previdência, mas também dentro da USP é preciso que estudantes, professores e trabalhadores levantem a defesa do hospital contra qualquer política de terceirização, pela contratação por concurso com a verba de R$20 milhões, pela reabertura do HU para a população da Zona Oeste, tudo isso como parte da defesa da autonomia da universidade para pesquisa, ensino e extensão à comunidade.
Os trabalhadores devem estar atentos ao avanço do caráter repressivo e de perseguição política que o Estado vem adquirindo. Mais uma vez, Sérgio Moro é protagonista no avanço desse autoritarismo judiciário, assim como foi na Operação Lava Jato durante o golpe e as eleições manipuladas. Agora, numa portaria Moro alterou a Lei de Migração para facilitar a prisão e deportação de estrangeiros, mesmo sem julgamento. Ao mesmo tempo em que deputados do PSL, partido de Bolsonaro, pedem a prisão de Glenn Greenwald, responsável pelo site The Intercept Brasil que vazou as conversas de Moro e Dallagnol mostrando o que já vínhamos denunciando sobre a operação Lava Jato , que o objetivo da Lava Jato, do autoritarismo judiciário e do próprio governo de Bolsonaro é atacar os trabalhadores mais rapidamente do que o PT estava fazendo.

Nós trabalhadores da USP precisamos discutir que posição ter frente a esta situação e nos organizar, por isso é fundamental fortalecer as reuniões de unidade. Nós do Movimento Nossa Classe viemos defendendo nos espaços do Sintusp e da categoria essa visão de unidade das lutas, denunciando a política traidora das direções que permitiram construir o caminho até a aprovação em primeiro turno da reforma da previdência, e junto com a Juventude Faísca levamos essa posição também nos espaços estudantis. Nesse mesmo sentido, é importante construir as ações que exijam a abertura de concurso imediata para contratação de funcionários para o Hospital Universitário.




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