Juventude

A banalização da educação promovida pela mídia golpista: resposta ao editorial do Estadão

Resposta ao editorial do Jornal O Estado de São Paulo a respeito das ocupações de escolas contra os ataques do governo golpista que toma conta do país

Odete Cristina

São Paulo

terça-feira 11 de outubro| Edição do dia

Nessa terça-feira, o Jornal O Estado de São Paulo dedicou um dos seus editoriais diários para destilar seu ódio aqueles que lutam contra os ataques do governo golpista. Em artigo intitulado “A banalização das ocupações” o jornal tratou de colocar sua opinião totalmente alinhada com os interesses da burguesia contra a onda de ocupações que volta a tomar conta do país.

Seguindo os requisitos de uma boa mídia golpista, o jornal mal havia se pronunciado nas últimas semanas sobre as quase 200 ocupações de escolas em todo país. Mas uma das primeiras formas de colocar em pauta a discussão foi por meio de um editorial onde o jornal afirma que “As ocupações de escolas públicas paralisam atividades didáticas, prejudicam o planejamento escolar, comprometem projetos pedagógicos e desorganizam cursos””.

Ao criticar que a ampla maioria dessas ações vem sendo coordenada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) tenta jogar a opinião pública contra os estudantes, pois afinal essas ações seriam controladas pelo terrível Partido dos Trabalhadores, que na opinião do jornal golpista deve ser fortemente combatido. O simples fato das ocupações serem apoiadas pela CUT já são provas mais que suficientes para fortalecer as convicções de que o pedido de diálogo com a comunidade a respeito de reforma do ensino médio não pode ser algo bom, afinal os petistas também defendem isso.

O que o jornal intencionalmente não coloca é que essas ocupações não são apenas por obra do PT, mas contam também com a participação de outras dezenas de alunos independentes dessa política. E apesar da Ubes ser direção da maioria das ocupações, foi essa entidade que juntamente com a UNE mantiveram os estudantes paralisados durante todos os anos do governo petista, enquanto esse aplicava medidas de ajustes contra a juventude e os trabalhadores, abrindo espaço para a direita que depois tomou o governo por meio de um golpe institucional, no qual essas entidades foram incapazes de organizar uma resistência séria e pela base. Tentam associar a imagem das ocupações a imagem em decadência do PT como tentativa de coibir o avanço de qualquer fenômeno que possa se dar a esquerda desse partido.

A juventude já vem demostrando sua disposição de luta e resistência de forma independente do PT e a mídia golpista tem plena consciência disso. Por isso, ao mesmo tempo em que tenta associar a imagem das ocupações a esse partido, também precisa pedir para que se aumente a criminalização da juventude, reivindicando para isso os métodos de repressão consagrados pelo tucanato paulista, como a reintegração de posse com toda delicadeza de uma das polícias que mais mata no mundo, um dos métodos preferidos do ladrão de merendas Geraldo Alckmin.

Dizer que nossos métodos de ocupação são uma medida de impor a vontade de grupos minoritários chega a ser risível. Enquanto o governo golpista promove um jantar com 200 corruptos gastando milhares de reais para que se aprove a PEC 241 ou melhor dizendo a PEC do Fim do Mundo, congelando os gastos na saúde e educação por mais de 20 anos. Enquanto se discute nas alturas, reformar o Ensino Médio e adotar projetos como o Escola sem Partido, mesmo com a maioria da população se mostrando contrária a essas medidas. Quem na verdade está impondo a vontade de uma minoria não são esses jovens que ocupam suas escolas e tem em suas mãos apenas seus lápis e cadernos, quem está impondo suas vontades é a burguesia que faz de tudo para manter esse sistema capitalista que não consegue sustentar suas próprias crises sem aumentar ainda mais a exploração e opressão.

É por tudo isso que não toleramos que uma corja de ladrões corruptos imponha suas vontades à revelia das nossas necessidades. Já passou da hora da UNE, Ubes, CUT romperam com sua paralisia e sua ligação com o projeto de conciliação de classes petistas para organizar efetivamente as suas bases para lutar contra os ataques do governo golpista. As entidades estudantis e sindicais podem e devem cumprir um papel fundamental para organizar os estudantes e os trabalhadores de forma independente do PT. E só nos organizando pelos nossos locais de estudo e trabalho é que poderemos construir um grande movimento para barrar todos ataques dos golpistas. E ao contrário do que o Estadão e toda mídia golpista tanto almeja não aceitaremos calados essa banalização da educação




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