Política

OPINIÃO

A armadilha das Diretas Já e a diluição da greve geral no discurso das Centrais Sindicais

Mesmo após a enorme demonstração de força dos trabalhadores na greve geral contra as Reformas e Temer no dia 28 de abril, os trabalhadores seguem reféns das centrais sindicais que dia a dia mostram como são traidoras, trabalhando para que o dia 30 seja mais fraco que a greve do dia 28, substituindo a Greve Geral para chamados abstratos de luta e organizando o "esquenta" do dia 20 com inofensivas festas juninas. Construir os comitês de base para que os trabalhadores tomem a luta nas próprias mãos é mais que nunca fundamental para impedir que as centrais esfriem a luta enquanto se articulam acordos "por cima" com as Diretas Já.

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e demitida política

terça-feira 20 de junho| Edição do dia

Apesar do discurso inflamado, na prática seguem sem construir na base por medo da mobilização sair de seu controle, enquanto o tempo passa e por cima se articula a política de “Diretas já” para estabilizar esse mesmo regime apodrecido.

A linha das "Diretas Já", auxiliada pela esquerda MAIS e PSOL e também agora pelo tucano FHC, apesar de aparecer como uma saída democrática para as milhares de pessoas que lutam contra o Temer, na realidade tem como objetivo abrir caminho para a conciliação de classes e estabilizar o regime mantendo os mesmos políticos e Congresso de pé, assim como todas as leis aprovadas contra os trabalhadores, como a terceirização irrestrita.

Sobre a disposição de luta dos trabalhadores para barrar os ataques não nos restam dúvidas de que ela existe, já sobre a firmeza de que as Centrais Sindicais irão até o final defender a greve geral para barrar as reformas, nenhuma convicção. Os trabalhadores precisam tomar esta luta em suas mãos!

Custa encontrar no site oficial da CUT um chamado consequente para a construção da greve geral no Brasil. No site oficial dela, a maior central sindical da América Latina, representando quase 24 milhões de trabalhadores em sua base, não é possível encontrar este chamado da greve geral, que dirá chamados para assembleias ou comitês de base. Já em relação à campanha pelas "Diretas Já", vem levantando a todo vapor de norte a sul do país. Isso para desviar o foco da luta contra as reformas para a luta por Diretas.

Nem falar da Força Sindical (FS), que desde o seu congresso neste mês diretamente se retirou da luta contra as reformas desde que o imposto sindical se tornou uma barganha do governo com Paulinho da Força, que em nome de manter seus luxos e privilégios, como um bom burocrata sindical quer atar as mãos da base desta central sindical e rifar os direitos dos trabalhadores e juventude.

Amanhã, quarta-feira, haverá reunião das centrais, mas até agora as informações são difusas, e apesar de falarem uma hora ou outra do dia 30, principalmente a CTB, cada vez mais a greve geral deixa de ser o centro, e o movimento aparente das centrais é transformar o dia 30 em um dia de pressão parlamentar e não numa grande Greve Geral onde os trabalhadores mostrem sua força contra as reformas.

O “esquenta” da Greve regado a quentão, inofensivo e esvaziado

No lugar de uma forte construção da greve, o que as centrais sindicais chamaram de "esquenta da greve geral" hoje, terça-feira, são simples e inofensivas manifestações festivas, que estas centrais não tem vergonha de intitular tais manifestações de "Arraial contra as Reformas", como foi chamado em São Paulo na Praça da Sé convocada pela CTB.

Não se pode esperar nenhuma seriedade de uma "manifestação" como esta, pois além de sequer ter sido convocada em nenhuma categoria, em nenhum momento estas reformas foram vistas de forma festiva pela população, que com elas sabe que pode somente esperar mais miséria enquanto seguem intocáveis os privilégios e riquezas dos políticos e empresários bilionários no país.

Esta "festa junina contra as reformas" somado a enorme campanha pelas "Diretas Já" e a não preparação da greve a partir da auto-organização dos trabalhadores trás à tona os reais interesses deste setor: organizar ações inofensivas ao governo Temer, deixando cada vez mais em aberto a data marcada da greve geral, com o qual colocam em risco o momento importante e decisivo pelo qual os trabalhadores podem emergir em luta e serem vitoriosos enquanto segue dividida a burguesia que hoje quer garantir as reformas.

Levando em conta a urgência da luta contra as reformas de Temer, se faz necessário neste momento a imediata auto-organização dos trabalhadores, para que estes possam chegar na greve geral do dia 30 ainda mais fortes e mais preparados do que estavam na do dia 28 de abril. A organização de comitês de base nos locais de trabalho e estudo, de assembleias massivas no país inteiro, de manifestações com cortes de ruas e avenidas em todos os estados, panfletagens massivas para conscientizar a população, todas estas ações no atual momento tornam-se imprescindíveis avançar na luta e derrubar definitivamente os ataques aos direitos da população, e que as centrais sindicais deveriam estar organizando, mas não estão.

A luta contra as reformas trabalhista e da previdência está sendo jogada de lado em um movimento que se evidencia não somente a entrega da luta contra a retirada de direitos em curso para possibilitar uma reforma "menos pior" com acordos espúrios da burocracia sindical com os golpistas, mas principalmente uma saída que impossibilite colocar novamente em cena todo potencial da força dos trabalhadores que poderia ir, inclusive, para além de derrubar reformas e o governo, mas também poderia possibilitar que os trabalhadores questionassem de fundo todo o regime capitalista podre e se colocassem como sujeito transformador desta realidade, impondo uma Assembleia Constituinte livre e soberana.

Porém não é de interesse da CUT, CTB e Força Sindical colocar esta força em evidência, pois se assim o fizessem saberiam que a mesma pode se virar contra eles mesmos, e por isso traíram durante décadas suas lutas, e por isso hoje colocam no centro da luta a defesa do "Diretas Já", buscando apaziguar os ânimos das massas e, claro, "fazer a cama" para a candidatura de Lula em 2018, seu grande objetivo. Se os trabalhadores deixarem sua luta nas mãos destas centrais elas vão traí-los novamente.

Esta política segue avançando dentro dos conchavos políticos tanto pela base do PT, quanto por parte do PSDB com a recém declaração de Fernando Henrique Cardoso, assim como também pela esquerda, que vem defendendo arduamente tal política hoje ao lado dos partidos da ordem, em que na Frente Ampla pelas Diretas Já acaba ajudando como linha auxiliar do PT sua preparação para a campanha de Lula em 2018, desviando a luta contra Temer para a disputa parlamentar.

A esquerda MAIS e PSOL lamentavelmente estão contribuindo, pois alianças como esta somente serve aos interesses eleitorais do próprio PT, enquanto que a unidade deveria estar sendo feita para organizar medidas que realmente colocasse em xeque o governo golpista e suas reformas, como a própria organização da greve geral, que atualmente está secundarizada.

Como colocou Felipe Guarnieri, editor do Esquerda Diário e metroviário "Todo cálculo político das centrais petistas, CUT e CTB, daqui até o dia 30 será em base da possibilidade de se a greve geral irá ou não ajuda para a estratégia de reeleger Lula em 2018, se será melhor não correr risco de um possível desenvolvimento da luta dos trabalhadores e de Temer cair pela força da luta, ou de deixar Temer "sangrar" e seguir se desgastando, sabendo que as reformas inevitavelmente terão que sofrer ajustes para ser aprovadas, e que Lula e PT podem capitalizar esse espaço para se reerguer como opção estável para aplicar os ajustes".

Desta forma, para evitar qualquer tipo de traição destas centrais contra a luta em curso é necessário a organização desde a base, com comitês nos locais de trabalho e estudo que fortaleçam a construção da greve geral dia 30 como parte de um plano de lutas sem tréguas para definitivamente barrar as reformas, pois é possível que os trabalhadores sejam vitoriosos nessa luta contra Temer sem buscar recompor o regime político com a política de "Diretas Já", mas sim aprofundando ainda as contradições colocadas na ordem do dia, colocando os trabalhadores como sujeito do processo que poderá não somente derrubar os ataques do governo, mas para ir além, mudando as regras do jogo e fazendo com que os capitalistas paguem pela crise a partir da construção de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.

Foto: Mídia NINJA




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