Política

"SANTO" OPORTUNISMO

A aliança reacionária de Alckmin e Dória com líderes evangélicos é uma ameaça às mulheres

Não é de hoje a aliança de políticos conservadores, golpistas e líderes evangélicos para impedir pautas como a legalização do aborto no congresso.

segunda-feira 30 de julho| Edição do dia

Geraldo Alckmin que já se manifestou diversas vezes contrário a novas regras sobre o aborto e segue defendendo que a legislação atual, que permite o aborto nos casos de estupro, risco à mãe ou anencefalia do feto, seja mantida. Assim como Dória que em entrevista a O Globo, se disse contrário à legalização do aborto, e ainda complementou dizendo, “exceto naquilo que a lei já estabelece”.

Durante todo o período de seus governos, Alckmin e Dória participaram de inúmeras reuniões e encontros com líderes políticos evangélicos, mostrando que suas relações e valores são muito além de próximos, que buscam incluir cada vez mais a igreja e seus conservadorismos na política para incidir em demandas democráticas fundamentais para os mais atacados por esse sistema de miséria.

Ano passado, Alckmin já havia participado de um encontro com dezenas de pastores durante a cerimônia de abertura da ExpoCristã, feira do segmento gospel que ocorre na capital paulista. Onde mostrou proximidade com o segmento, afirmando: “Nós precisamos nos inspirar na igreja. Nos momentos conturbados, a igreja é o porto seguro dos valores cristãos. [É preciso] deixar essa divisão de nós contra eles para se unir em torno de valores. Uma casa dividida não caminha. E com essa união das igrejas em torno de valores tenho certeza de que ela vai inspirar o Brasil para que a gente possa avançar e melhorar ainda mais”.

Segundo a Folha, em outra reunião no Bandeirantes, com Alckmin presente, teve pizza no menu, sorvete e pudim de sobremesa, hinos gospel e um anfitrião feliz por “promover a participação das igrejas, hoje [...] grandes parceiras do governo”, como mostra vídeo ao qual a Folha teve acesso. Alckmin na mesma reunião aproveitou para assegurar aos presentes que será firme em suas posições reacionárias. “Todo mundo sabe e quero explicitar minhas posições. Sou contra qualquer mudança na legislação que já temos”, afirmou sobre o aborto.

E ainda completou dizendo, “Devemos não estimular nas escolas as questões de ideologia de gênero. Devemos ter amor pelas pessoas. Independentemente de qualquer coisa, Deus é amor”.

Esse ano, Alckmin já apoiou a “participação das igrejas”, essas “grandes parceiras do governo”, em áreas de interesse público. Citou programas do estado que elas gerenciam, entre eles o Bom Prato de Perus. Mesmo sabendo que o artigo 19 da Constituição impede a estados e municípios “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, [...] ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. Para selar parcerias públicas, as igrejas têm de criar organizações sociais.

Entidades diretamente ligadas a igrejas recebem repasses do governo estadual por meio de convênios. A Assembleia de Deus do Perus administra a Associação Assistencial Comunitária Azarias, que já assinou R$ 7,6 milhões em contratos com o Bandeirantes. O mais recente é de 2017: R$ 1,4 milhões pelo menu do Bom Prato até novembro deste ano, segundo a Folha.

“Estar ligada a alguma igreja não é condição para que uma entidade seja escolhida, assim como não pode ser impedimento, como a lei deixa claro”, afirma a nota. João Doria preferiu não comentar.

A assessoria de Alckmin justifica que o pré-candidato se reúne “com todos os segmentos da sociedade”. Pela lei, é possível estabelecer parcerias públicas com organizações sociais das igrejas.

A decisão de prosseguir, ou não, com uma gestação, não pode ser do estado. As mulheres precisam ter direito e autonomia sobre os seus corpos. Por isso lutamos por educação sexual para prevenir, contraceptivos para não engravidar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer.




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