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A Semanacs tem início com debates sobre a crise e a conjuntura brasileira atuais

Na noite desta segunda-feira, 28, a Semana Acadêmica de Ciências Sociais da Unicamp dá início com uma mesa sobre o tema da crise e a conjuntura política nacional. Fique sabendo um pouco do que foi discutido e acompanhe a cobertura do Esquerda Diário de outros debates da semana.

terça-feira 29 de agosto| Edição do dia

(Fotografia retirada da página da Semanacs no Facebook)

A mesa sobre conjuntura política brasileira foi ministrada pelos professores doutores Álvaro Bianchi, Ronaldo Almeida e Savio Cavalcante, mediada por duas estudantes do instituto e organizadoras do evento. Antes das exposições individuais, houve 1 minuto de silêncio pela morte de duas pesquisadoras do IFCH. Depois das exposições, foram feitas duas rodadas de perguntas e, ao final, quatro sorteios de livros aos ouvintes.

A primeira fala foi do professor sociólogo Savio Cavalcante, que partiu do momento histórico de Julho de 2013, as contradições das manifestações, suas disposições progressistas e os impactos para os governos do PT e os dispositivos lulistas, como a chamada frente neodesenvolvimentista. Um conflito distributivo começa a se gerar no período e instalar conflitos entre distintas frações burguesas, que se expressa em uma hegemonia oscilante entre as frações. A corrupção, parte do cálculo político, é pauta de contestação dessas manifestações, mas é depois incorporada no discurso das classes médias nas mobilizações a favor do impeachment nos anos seguintes. O professor finalizou sugerindo que é necessária uma retomada da tal frente neodesenvolvimentista dos governos petistas diante do giro à direita que vemos na conjuntura com Temer no governo.

O professor antropólogo Ronaldo Almeida seguiu o debate apresentando uma analogia para visualizar o contexto em debate. O jogo de tabuleiro da política na realidade se expressaria em múltiplos tabuleiros em que atuam diversos atores: o Congresso, as ruas e os lares. Na visão do professor, as jornadas de 2013 logo se desdobraram em uma onda conservadora, expressas na polarização das eleições presidenciais de 2014 e nas manifestações da direita em 2015. A crise, que em muitos momentos se agudizou com picos de instabilidade, parece hoje ter encontrado certos contornos mais definidos, a direita, apesar da eminente possibilidade de novos giros conjunturais, segundo o docente.

O cientista político e professor Álvaro Bianchi começou retomando reflexões a respeito da conjuntura política italiana do começo do século XX e da produção teórica do marxista Antônio Gramsci para estabelecer um certo paralelo entre as conjunturas. Com a definição de crise de representatividade, Bianchi compartilha da análise de que, no Brasil, "o velho não terminou de morrer e o novo não terminou de nascer", reconhecendo as potencialidades latentes das manifestações de 2013, das ocupações e greves estudantis, além das greves de trabalhadores nos anos seguintes, em especial a greve geral do 28 de abril de 2017.

Confira a programação completa da semana e acompanhe as notas do Esquerda Diário:




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