Internacional

70º ANIVERSÁRIO DA VITÓRIA CONTRA O NAZISMO

A Rússia faz demonstração de suas novas alianças e de força militar

Este aniversário foi singular por muitos aspectos. Em primeiro lugar, os líderes ocidentais boicotaram o desfile do Dia da Vitória em Moscou. Por sua vez, pela primeira vez, as forças militares chinesas marcharam na Praça Vermelha.

Juan Chingo

Paris | @JuanChingoFT

quarta-feira 13 de maio de 2015| Edição do dia

Estes dois países são os que tiveram mais mortos militares e civis durante o conflito: mais de 25 milhões de mortos no caso da ex-União Soviética pela invasão nazista (ainda que a cifra exata seja desconhecida, é quem mais teve baixas, quase 15% de sua população) e uns 15 milhões na China, afligida pelo agressivo imperialismo japonês.

O presidente chinês Xi Jinping compareceu a Moscou com a maior delegação estrangeira, incluindo representantes das áreas de defesa, econômica, energética e financeira. A presença de Xi Jinping também é preparatória para a visita de Putin nas celebrações do Dia da Vitória na China, em setembro.

No contexto do isolamento ocidental, por conta da guerra na Ucrânia, a presença do principal dirigente chinês na Rússia, ao lado de Putin, neste dia histórico para os russos, a participação dos militares chineses no desfile e navios da Marinha do Exército de Libertação do Povo junto com a Frota do Mar Negro da Rússia é uma mensagem direta e de grande alcance para as principais potências imperialistas.

Uma demonstração de força

O desfile deste ano destacou os avanços da indústria de defesa russa. Uma classe de veículos de combate recém-desenvolvida foi o destaque. O tanque de nova geração T-14 Armata esteve na vanguarda, assim como o veículo de infantaria de combate Kurganets-25, o sistema de artilharia de autopropulsão Koalitsiya e três mísseis balísticos intercontinentais Yars aperfeiçoados também foram exibidos, entre outros. Ao mostrar este armamento o Kremlin emite um sinal claro de suas ambições de reformar e modernizar todo o exército russo.

Segundo especialistas militares, o tanque Armata tem uma torre não tripulada equipada com um canhão sem estrias de 125 mm que pode disparar projéteis convencionais e também mísseis teleguiados. A tripulação, de dois homens, tem melhor proteção que a existente em qualquer tanque convencional. Estarão protegidos por uma cápsula blindada separada da torre e controlada remotamente. O sistema de computação de nova geração, a velocidade de campo e a capacidade de manobra são superiores às do tanque T-90, versão padrão que equipa atualmente as forças blindadas russas. Por sua vez, segundo um informe da agência de notícias RT, da Rússia, o tanque traz “em seu plano operacional” a capacidade de “converter-se num veículo de combate totalmente robótico”.

Para 2020 as forças armadas russas contarão com 2.300 Armata T-14 operativos, que substituirão os tanques cujos desenhos originais datam da era soviética.

As forças armadas russas passam por uma série de mudanças, incluindo atualizações de doutrina, reestruturação de pessoa no exército e a adoção de uma ampla gama de tecnologias de recente desenvolvimento. Estas mudanças são necessárias para que o exército russo possa manter sua relevância e para reforçar a posição da Rússia na Ucrânia e contra a Otan.

Com certeza, o maior desfile militar realizado em Moscou em toda sua história denota uma imagem da Rússia como potência militar massiva, desenvolvendo equipamento militar de primeiro nível em meio a uma revisão que vai alterar a situação das forças russas em terra, mar e ar.

O sempre presente e ainda não finalizado conflito ucraniano

As perspectivas de uma solução pacífica da guerra civil ucraniana são pouco prováveis, como já adiantamos quando dos acordos de Minsk II, que detiveram fragilmente a última escalada da guerra. Não por casualidade, mesmo sem estar presente no dia do desfile – igual aos outros líderes dos países imperialistas –, a chanceler alemã Angela Merkel participou da homenagem aos soldados soviéticos mortos.

Merkel, como principal negociadora entre Kiev e Moscou, assim como entre Moscou e o Ocidente, assistiu à oferenda de flores aos mortos soviéticos como ilustração do contínuo papel de Berlim como mediador no conflito ucraniano.

Mas o êxito de sua mediação é questionável. A deterioração as condições no terreno, nas últimas semanas, as contínuas provocações de Washington e seus aliados em Kiev e a demonstração de forças de Moscou vislumbram não apenas novas escaladas no teatro de operações ucraniano, mas também que os choques entre as grandes potências continuarão ocorrendo em níveis desconhecidos desde a implosão da ex-URSS.

Para os povos da Europa as perspectivas de guerra, inclusive nuclear, são cada vez mais uma possibilidade lamentavelmente presente.

(Tradução: Val Lisboa)




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