100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA

A Revolução Russa pereceu: por que estudar a Revolução Russa?

Gilson Dantas

Brasília

terça-feira 24 de outubro| Edição do dia

Neste ano da homenagem aos 100 anos da Revolução Russa, alguns podem se perguntar sobre o seguinte: por que reivindicar a Revolução Russa se ela pereceu, se ela não se estendeu com o seu perfil original, bolchevique, de Lenin-Trotski?

É uma pergunta que foi tomada como objeto de intervenção de nossa parte, em debate no DF. Um coletivo de ativistas políticos e culturais [Escola de Teatro Político e Vídeo Popular do DF] debateu, na Casa da América Latina da UnB, os 100 anos da revolução de Outubro e, naquele momento, a partir da mesa de três debatedores, nossa breve intervenção tratou de responder, telegraficamente, àquela questão.

O sentido foi o de procurar separar – como limpeza necessária do terreno – o legado dos bolcheviques do “contra-legado” do stalinismo, a grande mescla ideológica que os ideólogos do capitalismo e também setores anarquistas procuram fazer todo o tempo. Para eles Stalin é continuação de Lenin.

Em seguida, procurou-se enunciar o porquê da Revolução Russa quebrar a “mãe de todos os tabus”, de toda ideologia, que é a naturalização de que esse nosso mundo, iníquo e dilacerado, seria o único possível, seria eterno, seria o melhor que se pode almejar.

A Revolução Russa e as demais que se seguiram “desnaturalizam” esse senso comum conservador.

E por fim, o foco foi para as questões do tipo: por que o confisco dos meios de produção privados e a planificação da economia é também legado da Revolução Russa e, certamente, das demais revoluções vitoriosas?

E, finalmente, qual é o legado mais específico da Revolução Russa, que a torna um livro aberto para as demais revoluções? Revoluções que absolutamente não repetirão as condições da Revolução Russa – o mundo mudou, as revoluções mudaram – mas cuja sustentabilidade, cuja transição para o socialismo dependem, a nosso ver, da abertura do diálogo dialético, teórico, com o legado vivo da Revolução Russa: os sovietes , a democracia pela base, sua estratégia.

O protagonismo do proletariado e das massas na construção do novo Estado, da tomada do poder à construção de um Estado de novo tipo que já vai deixando de ser Estado, eis uma lição particular e ao mesmo tempo universal da Revolução Russa, tal como analisado naquela intervenção, reproduzida no vídeo abaixo:




Tópicos relacionados

100 anos da Revolução Russa   /    Revolução   /    Revolução Russa

Comentários

Comentar