100 anos Revolução Russa /

A Revolução Russa foi proletária: a revolução contemporânea, continua sendo proletária?

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 27 de outubro| Edição do dia

Várias polêmicas ainda são alimentadas na contramão da Revolução Russa e cujo resultado tenta ser o de desacreditá-la, tentar mostrá-la como um evento histórico que, no caso, não teria muito o que ensinar à revolução socialista contemporânea.

Uma dessas teses vem a ser a de que a classe trabalhadora teria mudado tanto e tão qualitativamente, que não teria mais como ser o protagonista central [em aliança com os pobres urbanos e outros movimentos] em irrupções revolucionárias do nosso tempo. O sujeito histórico teria se tornado difuso ou algo no gênero.

No debate sobre os 100 anos da Revolução Russa na UnB, tal como foi organizado pelo chamado “Coletivo 17”, foi levantada aquela tese, lado a lado com outras afins, do tipo: “todas” as estratégias do século XX fracassaram; a classe operária mudou qualitativamente e hoje seria "minoria" da população economicamente ativa; "não há estratégia" de esquerda efetiva hoje; qualquer ruptura contra a ordem levaria a uma "aniquilação mútua das forças em disputa" e “significaria o fim da humanidade”; a revolução tecnológica em curso “nos obriga a rediscutir todos os problemas” da luta de classes; “a estratégia leninista não é válida hoje”; “hoje o trabalho é intelectual”; hoje haveria um bloqueio da via reformista mas “também da via revolucionária”; e, por fim, hoje, no Brasil, necessitamos de uma “frente única como a que derrotou a ditadura” ... [com partidos ligados à burguesia, tipo MDB?].

Naquela mesa do debate promovido pelo “Coletivo 17”, e nos marcos de outra perspectiva, procuramos esboçar um debate na direção oposta, em termos do significado da revolução de Outubro: de que o legado da Revolução Russa continua sendo um livro aberto para hoje [como a Comuna de Paris foi um livro aberto para os bolcheviques], especialmente na esfera da estratégia, assim como também na esfera do partido que tenha como objetivo o comunismo e que seja capaz – como o de Lenin e Trotski – de operar todos os movimentos táticos necessários para lograr a força material para vencer e instalar um governo operário e camponês, que tome medidas apontando para o socialismo.
[Crédito de imagem: //br.pinterest.com]

Confira nossa abordagem no vídeo abaixo, de 34 minutos.




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