Política

REFORMA POLÍTICA

A Reforma Política quer censurar a esquerda

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

quinta-feira 27 de outubro| Edição do dia

A Reforma Política de autoria de Aécio, e defendida por Renan, Rodrigo Maia, e toda cúpula do governo Temer propõe restrições profundas no regime partidário, por exemplo, um partido para ter acesso ao Fundo Partidário, ter tempo de rádio e TV gratuitos, deverá a partir de 2018 possuir pelo menos 2% de votos válidos em 14 unidades da federação, e a partir de 2022, precisará alcançar 3%. Ou seja, um partido que possui figuras fortes em determinada região do país estará de fora, e não possui outro objetivo que não excluir das eleições as candidaturas da esquerda e de trabalhadores, assim como já iniciaram com as restrições no pleito deste ano.

Denunciamos em nossa candidatura anticapitalista esta verdadeira censura contra a esquerda nas eleições municipais:

Outra “novidade” da Reforma será o novo sistema de votação em listas fechadas, e o voto distrital. A votação em listas fechadas significa que cada partido indicará apenas 1 representante ao congresso, e o eleitor votará no partido e este se encarregará de indicar o nome que melhor atender ao seu interesse. Já a votação distrital significará que cada candidato represente apenas uma região, e por essa será eleito, ou seja, uma candidatura operária que possui fortes laços em seu local de trabalho deverá se restringir a apenas um pequeno microcosmo do município, por exemplo, o que implicaria diretamente em não conseguir expandir suas ideias a outras regiões, e até mesmo não ser votado por seus companheiros de trabalho, favorecendo os caciques regionais, e restringindo ainda mais a disputa de idéias por parte das candidaturas da esquerda, num regime eleitoral já absolutamente antidemocrático que favorece os políticos milionários.

Para os golpistas não é suficiente impedir a participação da esquerda na mídia, no parlamento, e construção de figuras conhecidas nacionalmente, querem limitar também a quantidade de partidos com uma Cláusula de Barreira que poderá reduzir para 13 o número de partidos com atuação no Congresso Nacional, e acabar com as coligações, sob o argumento de não existir tantas diferenças ideológicas entre os partidos que justifique tantas siglas. A redução dos partidos fisiológicos de aluguel não diminuirá a corrupção, que é inerente ao capitalismo: o rearranjo dos políticos corruptos nas siglas restantes não será empecilho para que continuem conspirando contra os trabalhadores e a população. No mínimo, isso serve para perpetuar a mesma política corrupta dos capitalistas sob o disfarce de outras "novas" (ou nem tão novas) siglas, com o Congresso operando contra os interesses dos trabalhadores e da juventude, como tem feito atualmente em aliança com o judiciário, que hoje mesmo votou contra o direito constitucional de greve dos servidores públicos, como presente ao dia dos servidores que será amanhã.

Essa é a saída oferecida pela direita golpista do país frente a enorme crise política, o rechaço da população ao sistema político burguês e a insatisfação da juventude que ocupa as escolas contra as medidas arbitrárias do governo, que pretende responder a crise econômica com mais ajuste. Acima de tudo, serve para impedir que surja uma alternativa política dos trabalhadores, independente e à esquerda do PT, que está em franca decomposição. Por isso é importante apontar para uma saída independente de qualquer variante patronal, e em base à resistência dos trabalhadores contra a PEC 241 e os ajustes de Temer, levantar uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que ligada às mobilizações em curso possa questionar os privilégios dos políticos que promovem banquetes para nos fazer pagar por uma crise criada por eles, nos retiram o acesso à saúde e educação de qualidade, e até mesmo o direito legítimo de greve.

É preciso exigir que a CUT e a CTB cessem sua paralisia criminosa e convoquem uma greve geral para parar o país, em base a assembleias democráticas nos locais de trabalho. Esta experiência de auto-organização para o combate ajuda os trabalhadores e o povo a verem a necessidade de superar esta democracia dos ricos, lutando por um governo dos trabalhadores que rompa com o capitalismo.




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