Política

ELEIÇÕES 2020

A Rede Sustentabilidade ajudou a eleger Paulo Serra do PSDB em Santo André

A Rede de Marina Silva é um partido que se esconde atrás da roupagem da sustentabilidade para defender interesses dos grandes empresários e capitalistas. Em Santo André esse partido fez parte da coligação que elegeu Paulo Serra do PSDB em 2016 e que defendeu abertamente o Bolsonaro em 2018.

terça-feira 1º de setembro| Edição do dia

Este ano, as eleições municipais acontecerão pela primeira vez sob o governo de Bolsonaro e em pleno agravamento da crise econômica e social pela pandemia. Os trabalhadores já estão pagando pela crise com reduções de salários, demissões, suspensões de contrato, sem previdência e piora nas suas condições de vida. Nesse cenário, milhares de jovens e trabalhadores buscam alternativas para enfrentar a extrema direita que destila seu ódio contra as mulheres, a população negra e LGBTs. É essa extrema direita que com seu negacionismo reacionário ataca o meio ambiente e impõe o trágico número de 121 mil mortos com sua desastrosa condução da Pandemia.

É possível que entre essas alternativas estejam partidos como a Rede Sustentabilidade de Marina Silva, que em Santo André não apenas apoiou a eleição de Paulo Serra como fez parte da coligação que o elegeu em 2016? Paulo Serra que hoje faz demagogia e buscou se diferenciar de Bolsonaro no início da pandemia, foi apoiador aberto do presidente em 2018 e seu governo foi apoiado pela Rede nos primeiros anos.

Infelizmente, há até setores da própria esquerda que em diversas cidades e capitais do país estão propondo fazer qualquer tipo de aliança política com argumento de um suposto “combate ao fascismo”, justamente com aqueles golpistas que foram responsáveis pela eleição de Bolsonaro e hoje apesar da "oposição" auto declarada, foram e são a sua base de sustentação. Não, não há alternativa contra a extrema direita junto a Rede.

As eleições acontecerão em um contexto particular com os efeitos nocivos da pandemia e o aprofundamento da crise econômica, que se mascaram e se distorcem por causa do auxílio emergencial, que tem sido um fator fundamental para a recuperação e crescimento da popularidade de Bolsonaro.

Nesse cenário a correta conclusão de que é preciso combater o governo Bolsonaro não pode estar separado do combate a este deste regime golpista que nos trouxe até aqui, com uma obra econômica feroz contra as condições de vida das massas trabalhadoras. E o combate à extrema direita não pode ser usado como uma via oportunista para se aliar a partidos que trazem em seu DNA e prática política o mais profundo projeto de ataque aos trabalhadores em favor dos grandes empresários, como é o caso da Rede Sustentabilidade, com a qual o PSOL vem se coligando e dialogando frente a sua principal aposta para a prefeitura de Belém, a despeito das lições de Macapá.

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Falsa oposição a Bolsonaro, a Rede golpista e defensora do capitalismo verde não é alternativa para nossa classe

Em Santo André a Rede Sustentabilidade, apesar de ser praticamente inexistente, fez questão de compensar seu curto alcance se coligando a Paulo Serra do PSDB e compondo seu governo no início do mandato, estando ombro a ombro com o principal inimigo dos trabalhadores na cidade.

Soa até mesmo ridículo acreditar que o combate à extrema direita passa por se ligar com a Rede que, não por um acaso, busca aliados como Paulo Serra e o PSDB, que além de se apoiaram no bolsonarismo e no fenômeno oportunista paulista que ficou conhecido como “BolsoDoria”, também é um partido essencialmente golpista e defensor do projeto estrutural do capitalismo brasileiro. Aliás essa amizade calorosa entre a Rede e o PSDB não foi novidade em 2016, já que o partido, nascente à época, já tinha apoiado Aécio Neves nas eleições de 2014.

Os fatos falam por si e comprovam que partidos como a Rede de Marina Silva não fortalecem qualquer luta séria contra a extrema direita e o regime político degradado e autoritário do pós 2016, do qual Bolsonaro é um filho ilegítimo. Isso é fato porque a Rede foi um dos partidos que apoiaram entusiasticamente o golpe institucional de 2016, defendeu a prisão arbitrária de Lula e veio assinando embaixo de todo o autoritarismo da Lava Jato e do STF. É impossível enfrentar a extrema direita com partidos capachos dela como é a Rede.

E no que diz respeito ao plano econômico do golpe, ditado pelo capital financeiro para massacrar as condições de vida dos trabalhadores em meio à crise, a Rede e seu DNA neoliberal tem sido uma mandatária exemplar ao defender a Reforma da Previdência e todas as medidas econômicas estruturais que Bolsonaro e Paulo Guedes estão impondo contra os trabalhadores, como as MPs e o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, que serve para sangrar nossos recursos em favor da fraudulenta dívida pública, que entrega bilhões de reais aos banqueiros amigos, enquanto a população amarga espremida entre o desemprego e a calamidade da crise sanitária.

Mesmo no terreno da defesa do meio ambiente a Rede Sustentabilidade e seu projeto de capitalismo verde não é são uma alternativa, na verdade o capitalismo verde busca conciliar os interesses de grandes capitalistas como os do agronegócio com a demagogia da sustentabilidade. Isso porque o negacionismo bolsonarista e o capitalismo verde de Marina são duas faces da mesma moeda.

Inclusive um olhar internacional aos grandes demagogos imperialistas nesse tema também é ilustrativo, juntos contra Trump e setores negacionistas internacionais, os Democratas nos EUA, Macron na França e o Merkel na Alemanha discursam e buscam votos, enquanto estão com suas multinacionais e ONGs tratando de lucrar com as riquezas da Amazônia. A esse projeto imperialista de saque das nossas riquezas o capitalismo verde tupiniquim é subserviente e a lógica central do capitalismo que é lucrar a qualquer custo está em confronto direto com a verdadeira preservação ambiental.

Mesmo os recentes crimes ambientais de magnitudes profundas, como Mariana e Brumadinho, bem como com os incêndios na Amazônia, não foram e nunca poderão ser respondidos pelo projeto de capitalismo verde da Rede, afinal além dos interesses do agronegócio que a Rede não combate, mas busca “negociar”, também essas tragédias são motivadas pela sanha capitalista da Vale, que foi privatizada justamente para extrair o máximo possível de nossas riquezas em nome do lucro, um resultado direto de projetos neoliberais como o defendido pela Rede e Marina.

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Na contracorrente do oportunismo eleitoral, é fundamental a clareza sobre quem são os inimigos que os trabalhadores devem enfrentar, para que nossa classe possa de fato derrotar Bolsonaro e dar respostas profundas contra essa realidade. A miséria, a fome, o desemprego, o desmatamento desenfreado em nosso país não serão combatidos com partidos que atendem aos interesses de grandes empresários.

É um enorme erro a política de alianças que o PSOL está levando à frente em diversas cidades do país, por um lado é estéril para combater Bolsonaro e a extrema direita e por outro mostram um partido que se distancia daqueles que buscam construir uma saída à esquerda do PT. Como se comprovou em todos os últimos anos em que o PT governou o país, as alianças com partidos que representam interesses de grandes empresários ao contrário de combater a direita, abrem caminho para que se fortaleçam e essa é uma lição que deve ser levada à sério para que a classe trabalhadora possa dar uma resposta profunda à crise que está colocada.




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