Sociedade

TRIBUNA ABERTA

A PM e sua escalada de violência nas favelas cariocas

segunda-feira 29 de maio| Edição do dia

Foto: André Coelho / Rádio CBN

O que faz a policia militar fazer as ações que vem tomando, em uma escalada muito mais violenta nas favelas cariocas (ontem Maré, Jacarezinho e CDD [Cidade de Deus], Hoje é na providência)? Sei, você irá me responder "a irracional guerra às drogas", mas veja, essa é uma resposta muito genérica pra mostrar o peso e as formas diferentes de repressão em cada favela, sei que de fundo temos a centralidade da pauta da guerra às drogas e o racismo (na minha cabeça muito mais o racismo), mas as ações que ocorreram na Maré, e as que estão acontecendo agora na providência são bem diferentes. Ontem na Maré, mesmo esta sofrendo uma escalada repressiva intensa nos últimos anos (de 2014 pra cá), a ação policial foi semelhante aos anos de 2012 (digo 2012 pois nos finais do ano de 2013 pra frente começou esse aumento na forma de reprimir aqui, seu auge em 2014/2015 com o exército, e diminui pouca coisa no ano de 2016, mas desde então se mostrou constante. Bizarrices como as mais de 12h de operação, operações semanais e saques das casas dos moradores com muita intensidade, mostram a diferença de ação comparada com os anos anteriores de 2012).

Já na Providência, o Bope está nesse exato momento, subindo e despejando de forma incessante muito gás de pimenta e bomba de efeito moral, ação totalmente incomum de ser feita em ações de favelas. Antes de subir ainda declarou que irá ficar lá por um tempo indeterminado (alguns dizem até segunda, outros por tempo indeterminado, vou colocar como indeterminado, já que acredito que será esse o desfecho). Me surpreende também os grupos que estão atuando agora nessa operação, segundo o G1 são: policiais militares do 5ºBPM (Harmonia), UPP Providência, Regimento de Cavalaria e o Comando de Operações Especiais (COE) - que envolve os efetivos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Ações com Cães (BAC) e Grupamento Aeromóvel (GAM) -, além de agentes da Polícia Civil, da Guarda Municipal e da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). De todos, o que mais me espanta é a participação da guarda municipal. Até então, já atuando em conjunto com a policia militar na racista ação chamada Centro Presente, hoje inaugura a inédita participação de apoio em uma operação real na favela. Fato esse que a direita carioca já estava querendo propor a um tempo, mas ainda está preparando o terreno antes de arma esse grupo

Refletir nos diferentes interesses que estimulam essas ações de hoje na providência, e de ontem no Jacarezinho, é fundamental para pensar em uma estratégia diferenciada de combater essa máfia armada do Estado nos seus diversos espaços. Contudo uma coisa é certa, existe um avanço real e em larga escala no nosso genocídio nas periferias do Rio de Janeiro, e que me parece, irá se intensificar ainda mais nos próximos anos. Entre as minhas teses, destaco a de que eu acredito (lembre-se, está no campo do achismo) que essa crise no Estado também chegou no narcotráfico, e como tal, tempos difíceis virão, principalmente para aqueles que tem a minha cor.

#ForçaProvidencia
#ForçaCDDJacarezinhoeMare
#ResistirEPreciso




Tópicos relacionados

Repressão   /    Rio de Janeiro   /    Sociedade   /    Violência Policial   /    Rio de Janeiro

Comentários

Comentar