FÓRUM ALTERNATIVO MUNDIAL DA ÁGUA / FÓRUM MUNDIAL DA ÁGUA/ BRASÍLIA 17 A 22 DE MARÇO

A Nestlé cobiça o aquífero Guarani: é preciso lutar contra Temer e a casta política entreguista

Gilson Dantas

Brasília

sábado 17 de março| Edição do dia

Como Esquerda Diário noticiou dias atrás, o parlamento brasileiro [o Senado] já pautou a abertura de uma brecha legal, via “consulta pública”, para privatizar o aquífero Guarani, o segundo maior do Brasil depois do amazônico [ SAGA].

Não será uma novidade: desde os governos anteriores [PT inclusive] há uma onda de privatização da água brasileira. Uma empresa imperialista – a Nestlé - controla água de municípios mineiros onde o governador do estado é petista.
Em SP, uma das maiores empresas de captação e distribuição de água do Brasil, a Sabesp, de há muito lançou suas ações na bolsa de valores de New York; a mesma Sabesp que esteve detrás daquela grave crise hídrica de 2014-2015, até hoje mal resolvida.

O primeiro nome de empresa imperialista que aparece de olho no aquífero Guarani, dentre outras, é o da Nestle. A mesma empresa que lucra com as águas de São Lourenço, MG, onde já conseguiu secar uma das fontes de água mineral, literalmente secar, fato que está sendo investigado pelo Ministério Público.

Sim, está em marcha um tipo de guerra da água, que já atinge cidades como Cambuquira e Caxambu, cujas águas estão também em mãos privadas. E se em Minas Gerais é o PT, no Ceará isso se repete: o governador Camilo Santana, também do PT, vem sendo questionado por mobilizações populares – e pela Justiça – por um projeto em área de populações pobres e com difícil acesso a água, projeto que beneficia o capital privado industrial de lá.

A casta política está se lixando para a soberania da nossa água ou para os pobres urbanos e rurais. Muito menos para o meio ambiente: lembram da Samarco? Agora a tragédia se repete em Barcarena, na região metropolitana de Belém.

Portanto, não é mera coincidência o encontro de Temer com o presidente da Nestlé, o belga Paul Bulcke, agora em fevereiro, em Davos, na Suíça, no caso, pouco antes do 8º Fórum Mundial da Água que começa aqui em Brasília amanhã: quem duvida que fazem parte da mesma agenda, a da privatização da água no Brasil, e do aquífero Guarani em particular? Temer e a Nestlé de mãos dadas contra a nossa água.

A guerra da água significa a empreitada das multinacionais – o grande capital - de controlarem a água como uma mercadoria [commodity]. São eles que financiam, com total apoio do Estado brasileiro, burguês, esse Fórum. Entre os seus patrocinadores estão os barões da água, está a empresa Sabesp, de SP.

Não basta denunciar – o importante trabalho que será levado adiante pelo fórum alternativo, o FAMA, nestes dias em Brasília – mas em especial é preciso abrir o debate programático pela estatização e preservação de todas as nascentes, barrar o lançamento de dejetos nos rios, estatizar com controle dos trabalhadores, toda empresa que polui [Samarco, Barcarena e tantas outras] e reestatizar todas as empresas de água do país, sob controle dos trabalhadores e usuários, além de outras medidas ambientais.

Também não pode haver solução para o problema hídrico nacional se o agronegócio não é enfrentado: ele está na raiz e constitui um dos agentes nefastos da crise e da poluição hídrica nacional.

É um pauta emergencial e permanente para os sindicatos do setor e os demais também, em aberta aliança com a família trabalhadora e camponesa, as que mais sofrem privações e dificuldade de acesso à água.

[Marielle presente!!]

[Crédito de imagem, modificada: www.coral.ufsm.br/arco Digital]




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