Juventude

OCUPAÇÕES

A Luta dos Secundas Continua: A Primeira escola estadual é ocupada na Paraíba

No dia que a PEC 55 foi votada em primeiro turno no Senado, a resistência contra os ataques do governo golpista institucional continua em Brasília (DF) e por todo país

quarta-feira 30 de novembro| Edição do dia

É nesse cenário de lutas que a ocupação da primeira escola estadual da Paraíba foi deflagrada e segue resistindo desde o dia 10 de novembro, quando em Assembleia os secundaristas votaram por ocupar a Escola Estadual Dr. Elpídio de Almeida (conhecida como gigantão da Prata), na cidade de Campina Grande.

Bem, impossível olhar no rosto daqueles estudantes sem me enxergar em cada luta que ali existe, pois, essa matéria que é sobre a ocupação diz respeito inevitavelmente à minha vida e de tantos jovens que já passaram ou passarão pelos corredores e escadarias do estadual da Prata.

Estudei lá meus três anos do ensino médio. Lembro-me que ao me matricular no primeiro ano minha mãe disse algo como que a Prata fosse um mundo. Bem, as mães bem sabem das coisas. A prata é coberta de gente. Diversas. Ao conhecera ocupação revisitei àquelas escadarias que tanto foi de ficar sentada recitando poesia da segunda geração literária ou de sonhar com o mundo à frente. E lá estavam eles: Jovens como são, com aqueles olhos de luta e que enchem a gente de algo como isso, assim pude escutá-los. A ocupação está sendo mista e ocorre simultaneamente às aulas.

Os secundas contaram que além da pauta nacional da luta contra os ataques do governo Temer, como a PEC 55 e a Reforma do Ensino Médio, também sustentam pautas locais, como questões ligadas à infraestrutura, problemas com o refeitório, laboratório sem materiais, biblioteca e aulas vagas. Só quem conhece a realidade das escolas públicas sabe o que é lidar com sucateamento, ainda mais na Paraíba que está entre os estados mais pobres do país e muito infelizmente a educação pública apresenta níveis de avaliação mais baixos que as médias nacionais.

Os estudantes recebem apoio da comunidade, dos pais, de alguns professores, de movimentos sociais diversos e de setores como a OAB –CG. Eles promovem atividades de conscientização junto à comunidade estudantil sobre a urgência de luta contra os ataques do governo Temer, que inevitavelmente recairão diretamente na educação pública já tão precarizada e mercantilizada. São diversas as atividades promovidas: teatro, yoga, palestras, música, panfletagem e artes de grafite. Os estudantes se organizam em comissões e fazem rodízios.

A ocupação ocorre por tempo indeterminado apesar das pressões de setores da Região de Ensino da Paraíba e de organizações da direita dura como Movimento Brasil Livre (MBL), as quais segundo relatos dos secundas estão ameaçando a ocupação. A direção quer institucionalizar o movimento, no sentido de que seja monitorado ante a pressão hierárquica da Terceira Região de Ensino, no entanto, apesar de muitos estudantes da ocupação manter bom diálogo com a direção, os secundas seguem reivindicando suas pautas de forma independente tendo em vista a conjuntura nacional de lutas contra os ataques do governo federal e a luta pela educação pública de nosso país.

Enquanto o Governo Temer ameaça os direitos sociais com a votação da PEC 55 no Senado, para o qual precisa de uma brutal repressão, inclusive contra a juventude é preciso unificar as lutas dos estudantes com a dos trabalhadores, exigindo que a CUT e CTB convoquem assembleias de base para construir à greve geral, como única forma de barrar os ataques do governo Temer aos trabalhadores e a juventude.

Por fim, essa matéria tem nomes e eu dedico a todos que lutam, especialmente, aos secundas: Jordachy, Camila Eduarda, Danilo, Weslley, aos que já foram secundas e amigos do meu tempo Jéssica Mota, Érika Sabrina, Eduardo Breno, Kleiton Wagner, Allan Soares, Thiago Morais, Hayla Nathália, Gilmara Diniz, Nathalie Santos e Erick Tássio.




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