Política

LAVA JATO

A Lava Jato veio para escolher a dedo o Presidente da República

A Lava Jato é mais completa e golpista peça de intervenção política na história recente do país. Seus métodos e procedimentos, repletos de arbitrariedades e casuísmos, tinham, conforme se mostra neste momento, um objetivo pré-determinado: teleguiar quem sentará na cadeira presidencial.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

domingo 5 de agosto| Edição do dia

Foto: Beto Barata

Cada passo da midiática operação, de 2013 a hoje, conduziram a um só ponto culminante do ataque: prender arbitrariamente a Lula e impedir o direito da população votar em quem ela decidir. Um direito que deve ser defendido incondicionalmente mesmo diante de um programa de conciliação de classes como o de Lula e do PT, que contribuiu a abrir caminho a esse golpismo.

A Lava Jato trabalha para teleguiar quem sentará na cadeira da presidência, para aprofundar e consolidar o que tem sido conquistado pela burguesia com o golpe e sua continuidade, para isso a principal aposta no momento é abrir caminho a figuras firmes e confiáveis, como Alckmin. Isso está cada vez mais transparente, como mostraremos.

Alckmin é um porto seguro para a burguesia e tem recebido todos aplausos da bolsa de valores. Promete acabar com o Ministério do Trabalho, dar armas aos latifundiários, privatizar todas as estatais, impor uma reforma da previdência para que os brasileiros trabalhem até morrer e terminar com o ensino superior público gratuito.

A nomeação de Ana Amélia como vice (saiba mais sobre ela nesta matéria) cacifa o tucano para tentar melhor incorporar parte do programa de Bolsonaro que segue o líder das pesquisas sem Lula. A decisão de um dos mais renomados generais da reserva virar vice de Bolsonaro (Mourão, o mesmo das "aproximações sucessivas com a intervenção militar") implicará em renovada pressão à direita em Alckmin e certa força de Bolsonaro nas Forças Armadas. Deste modo completa-se um movimento duplo enquanto a mídia e o mercado atuam por Alckmin, outros setores o pressionam via Bolsonaro, e o judiciário lhe aplaina o caminho removendo Lula, lhe blindando das denúncia na Lava Jato, no "trensalão" e no escândalo das merendas.

Como um candidato insosso, conhecido como “picolé de chuchu” desde 2002, e com um programa impopular como este pode conseguir ganhar as eleições? Com as mãos do judiciário e da mídia. Só assim. As eleições estão fraudadas de antemão. O limitado sufrágio sob o capitalismo estará ainda mais limitado para garantir que o tucano membro da reacionária congregação católica Opus Dei dirija toda agenda de ataques aos trabalhadores e subordinação ao imperialismo que é desejada, para aprofundar e consolidar o que já foi conquistado pelo golpe, prescindindo do papel de Lula no regime. O PT tentou mostrar para a burguesia que conduziria ataques, pouco antes da prisão de Lula, Gleisi deu diversas entrevistas defendendo uma reforma da previdência, mas o nível de ataques desejado é superior, e para isso entra a ação da Lava Jato.

A Lava Jato e atuação do STF não tem nada a ver com combate a corrupção ou com justiça. A mídia não tem nada a ver com a informação e verdade. São órgãos políticos para os quais ninguém votou.

Os procuradores, os juízes e a mídia gostam de oferecer a operação Lava Jato com o título de “maior operação contra a corrupção da história”. Nada mais longe disso. Todo e qualquer delator que ofereceu alguma denúncia contra Lula está solto e de volta em sua mansão. Cada caso que remotamente tocasse em interesses imperialistas foi deixado de lado, e todo corpo de evidências contra o tucanato e particularmente contra o tucano Geraldo Alckmin, alcunhado como “O Santo” no departamento de propinas da Odebrecht, foi deixado caducar ou arquivado.

A operação conduziu-se ao arrepio das leis vigentes com todo aplauso e participação da mídia. Escutas ilegais, vazamentos de informação, delações e prisões sem julgamento foram parte de seu modus operandi. Outra parte foi sua “sintonia fina” com a mídia para intervir em momentos cruciais da política.

No final do governo Dilma se colocava uma encruzilhada nos rumos do país: a nomeação de Lula como super-ministro para que o PT conduzisse os ajustes que o “mercado” pedia ou a prisão de Lula e destituição de Dilma. Em minutos da nomeação do líder petista, Moro já tinha em mãos gravações ilegais daquele exato momento e no mesmo instante já estavam no ar na Globo. O mesmo procedimento vimos poucas semanas atrás quando o desembargador Favreto determinou a soltura de Lula e os comentaristas da Globo se perguntavam “mas o que fará Moro” e no instante seguinte diziam “urgente, recebemos aqui uma decisão de Moro, de férias em Portugal que acabou de ser expedida” e toda uma sucessão de ilegalidades para manter o líder das pesquisas preso e assim garantir melhores chances para que Alckmin, o Santo, tome de assalto o Palácio do Planalto e conduza todas privatizações, reforma da previdência e outros fins reacionários acordados em Washington, na Bovespa e em Curitiba.

Embolsando parcelas das delações premiadas e dos acordos de leniência o Ministério Público se enriqueceu e suspeita-se que os próprios procuradores e juízes abocanharam parte da bufunfa, como criticava Teori Zavacki antes de sua misteriosa morte.

A operação foi teleguiada a objetivos políticos determinados. Escolheu alvos partidários e da base econômica brasileira de forma completamente arbitrária para jogar luz em determinados esquemas e ocultar para sempre outros. É assim que ela tomou como alvo primordial o PT e esquemas de corrupção na Petrobras, Eletrobras, Eletronuclear, estaleiros e na licitação dos caças Super-X. Cada denúncia envolvendo tucanos foi arquivada e a própria seleção do que investigar tinha um objetivo claro: escolher a dedo a presidência da República e atacar tudo que remotamente apontasse a algum nível independência em relação a monopólios imperialistas. Os principais alvos foram tecnologia de ponta: a transferência de tecnologia do Caça Super-X, o desenvolvimento do submarino nuclear, o desenvolvimento de navios-sonda.

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As escolhas de Moro, Dallagnol e companhia miraram primeiro à destituição de Dilma, depois a prisão de Lula e o impedimento da população poder votar em seu programa de conciliação com os empresários e o imperialismo que já não é tolerável ou desejável a uma importante parcela dos empresários e do imperialismo.

A operação começou em Curitiba em torno de um esquema de lavagem de dinheiro em uma sobreloja de um posto de gasolina. Teve como protagonistas um juiz especialista na Operação Mãos Limpas italiana, citado em comunicações secretas dos EUA que vazaram, como um defensor dos interesses americanos.

Os interesses geopolíticos de determinados monopólios imperialistas se mostraram em diferentes momentos, por exemplo nas ações e cooperações ilegais como o FBI e o Departamento de Justiça americano, às críticas do partido de Angela Merkel da Alemanha, mas o ponto culminante é agora. Abrir caminho removendo Lula, impedindo o direito da população votar em quem quiser, para escolher a dedo quem será o presidente do país e assim contribuir para consolidar e avançar no que a burguesia já conquistou com o golpe e sua continuidade. Para fazer frente ao golpe é preciso superar o PT pela esquerda, construindo uma corrente militante nos locais de trabalho e estudo.




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