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A Folha engana, Raquel Dodge é entusiasta da Reforma Trabalhista de Temer

Raquel Dodge, Procuradora Geral da República, emitiu pareceres criticando pequenos aspectos da Reforma Trabalhista mas aplaudindo todo seu âmago. Com essa atenção as regras de indenização e com o trabalho de grávidas, tenta mostrar que o Judiciário é crítico e assim alça-lo como um "neutro" interlocutor para dar aval a cada brutal ataque que Bolsonaro planeja.

terça-feira 25 de dezembro de 2018| Edição do dia

Foto: Marcelo Camargo

O importante jornal paulista, a Folha de São Paulo, trás hoje um destaque "Raquel Dodge emite pareceres em série contra a reforma trabalhista". Com esse título e todo o início da matéria leia na íntegra aqui a Folha dá a entender que Raquel Dodge, a escolhida de Gilmar Mendes e Temer seria contrária à reforma e pode gerar problemas a Bolsonaro. Nada mais falso, pelo menos no que toca aos ataques aos direitos trabalhistas.

A matéria da Folha que é seu destaque do dia no portal e sua segunda manchete no impresso conduz o leitor a uma falácia incongruente com todo o histórico do poder judiciário, que tanto intervém na política e nas relações trabalhistas brasileiras para favorecer os patrões.

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A matéria diz logo em seus primeiros parágrafos: "As manifestações de Dodge se dão às vésperas do início do mandato do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Ele propõe maior flexibilização das leis trabalhistas." Bolsonaro propôs em campanha criar uma "carteira de trabalho verde-amarela" que tenha nenhum direito trabalhista, colocando aos trabalhadores a seguinte chantagem: direitos sem trabalho, ou trabalho sem direito. Seus amigos milionários e fraudadores das leis eleitorais e trabalhistas como o dono da Havan, aplaudiram esse discurso e proposta.

Lendo a matéria com atenção se descobre que Raquel Dodge é contrária a: 1) que os juros sobre as indenizações sejam remunerados por algum índice inflacionário e não a TR; 2) que não se fixe a indenização por dano moral ao salário; 3) contra o trabalho de grávidas e lactantes em locais insalubre.

E para contradizer completamente o título e introdução dadas pela Folha, Dodge pronuncia-se favoravelmente ao âmago dos ataques aos direitos trabalhistas: nada contra o acordo coletivo individual, nada contra o trabalho intermitente, nada contra a indenização aos patrões em caso de perda de ação judicial - para coibir qualquer trabalhador de recorrer à Justiça do Trabalho.

Trata-se de uma pirotecnia de Dodge, da Procuradoria Geral da República e da Folha. Destacar pequenos detalhes de críticas em meio a mais completa aceitação. Esses pequenos detalhes de críticas fazem toda a diferença, com eles mostra-se que as "instituições funcionam" e que tudo transcorre no mais completo "rigor da lei", e não estaríamos, portanto em um país que diariamente o judiciário intervem em seus rumos para favorecer privatizações, entrega de direitos e ajudar seus interesses golpistas a triunfar.

A acreditar nas pequenas críticas em meio à completa aceitação, a acreditar no "pleno e harmônico funcionamento institucional" como tantas vezes é repetido em editoriais da grande mídia, não haveria golpe institucional, não haveria manipulação das eleições, enfim tudo aconteceria no fantástico mundo da mais completa ordem institucional burguesa - e não em sua deformação para melhor servir à mesma burguesia e com isso tentar impor uma mudança na correlação de forças, derrotando os trabalhadores.

Com essa manobra natalina Dodge - com ajuda da Folha - se cacifa a avalizar novos e brutais ataques aos trabalhadores que Bolsonaro propõe realizar, afinal, ela escrutinaria cada detalhe, e reteria uma pulga enquanto passaria a boiada.

O poder Judiciário - incluídos PGR e MPF - é de pressionar para a realização dos ataques aos direitos trabalhistas e sociais. O presidente do STF já deixou claro que sua prioridade é a Reforma da Previdência, bem a de Paulo Guedes, de Bolsonaro e da Bovespa também. E o judiciário, como tanto vimos nos últimos anos, pressiona, denúncia, ou arquiva denuncias conforme elas ajudem no andamento de seus planos políticos.




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