Política

ENTREVISTA

A Constituinte tem que ser expressão da luta para derrotar as reformas, afirma Diana Assunção

O Esquerda Diário conversou com Diana Assunção, dirigente nacional do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, na preparação da delegação do MRT e agrupações rumo a Brasília nesta quarta-feira dia 24.

terça-feira 23 de maio| Edição do dia

Esquerda Diário: Como está a preparação para a #OcupaBrasília e quais as perspectivas?

Diana Assunção: A partir dos comitês de base em cada local de trabalho e estudo, estamos batalhando por uma forte delegação em Brasília nesta quarta-feira. Junto com o Movimento Nossa Classe, a juventude Faísca e o grupo de mulheres Pão e Rosas viemos exigindo das grandes centrais sindicais como CUT e CTB que organizassem milhares de ônibus de todos os estados do país para fazer uma ação efetiva em Brasília, como parte de um plano de luta para realmente derrotar as reformas e derrubar Temer. É preciso que sejamos mais de 100 mil em Brasília pra fazer ecoar a voz da classe operária brasileira no centro político do país, palco da elaboração e aprovação das reformas e de tantos escândalos de corrupção. Na Zona Oeste de São Paulo, a partir de um comitê da região, vamos levar centenas de companheiros e companheiras com essa perspectiva. A ida a Brasília não é suficiente, mas precisa ser o maior possível e não pode seguir o exemplo dos pequenos atos de domingo, que não condiziam com o enorme repúdio que a população tem destas reformas que querem fazer para acabar com nossas condições de trabalho e pra nos fazer trabalhar até morrer. Por cima, já começam a buscar alternativas pra conter a crise, sempre com o objetivo de aplicar as reformas. É por isso que derrotar as reformas é a luta de vida ou morte para a classe operária brasileira.

Esquerda Diário: O MRT está defendendo a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Qual relação desta Constituinte com a luta para derrotar as reformas?

Diana: A Constituinte é expressão da luta contra as reformas. Em meio a uma crise política no país, as saídas que não se enfrentam com o regime político terminarão servindo para recompor este mesmo sistema e garantir governabilidade. A busca por eleições indiretas é uma grande armadilha, um verdadeiro golpe dentro do golpe pra garantir a aplicação das reformas. Em um governo golpista, que não foi eleito, a aspiração pelo voto é grande, mas a experiência com toda essa situação e a certeza de que o Poder Judiciário e a Lava Jato não podem dar uma resposta para a situação no país, deve fazer com que a esquerda apresente uma saída mais profunda. A população deve sim votar, mas não para os cargos existentes atualmente, e sim para representantes de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que, como expressão da luta contra as reformas, tenha como primeira medida anular a PEC 55 que garantiu o teto dos gastos do orçamento para serviços públicos, a lei da terceirização, a reforma trabalhista e a reforma da previdência. Impondo essa derrota ao governo, é possível ir por mais, anulando o pagamento da dívida pública, expropriando as empresas como JBS e Odebrecht e colocando-as sob controle dos trabalhadores além de pensar medidas de enfrentamento da crise como a proibição das demissões e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, com todo trabalhador recebendo como mínimo o salário mínimo apontado pelo DIEESE no valor de R$ 3.899,66.

Por isso entendemos a Constituinte como uma expressão deste grande movimento de luta contra as reformas, porque é necessário entender que mesmo que Temer caia a agenda de pensamento neoliberal que quer descarregar a crise nas nossas costas permanecerá a todo o vapor. Até mesmo uma saída como eleições diretas - defendida como campanha eleitoral pelo PT para fortalecer o nome de Lula, mas também por setores da esquerda - ao manter de pé todas as regras do jogo econômico (pagamento da dívida pública, respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal) terá como resultado aplicação "com outra cara" das mesmas reformas antipopulares. Esta luta para abolir as reformas e alterar completamente as regras do jogo está colocada de imediato, e com esse objetivo vamos a Brasília batalhar por uma Assembleia Constituinte Já. E nós, como militantes revolucionários, defendemos esta saída na perspectiva de batalhar por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.




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