REFORMA DA PREVIDÊNCIA

A CSP-Conlutas será uma alternativa a burocracia sindical na luta contra a reforma da previdência?

Bolsonaro apresentou ao congresso nacional no dia 20/02 o projeto de reforma da previdência. Uma das principais medidas hoje para os capitalistas descarregarem a crise nas costas da classe trabalhadora. Enquanto isso, a cúpula das centrais sindicais segue sem construir nas bases das categorias um plano de luta, impedindo que haja processos de resistência, e uma frente única operária para derrotar os ataques. A CSP- Conlutas será uma alternativa a burocracia sindical?

quinta-feira 21 de fevereiro| Edição do dia

Bolsonaro foi eleito fruto de um golpe institucional para uma tarefa estratégica, impor uma derrota a classe trabalhadora e aprovar a reforma da previdência. Se é verdade que escândalos surgem a cada dia evidenciando crises entre as próprias alas que compõe o governo, o mais recente agora envolvendo a exoneração do secretário geral da presidência da república Bebianno, também é real o fato que existe uma ampla unidade burguesa e uma expectativa generalizada do mercado em torno da aprovação da reforma da previdência.

Para os capitalistas, o que está em jogo são seus lucros e descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, para o clã Bolsonaro uma maior estabilidade com seus apoiadores com o objetivo de avançar seu projeto de Estado ultra conservador em alianças internacionais com governos de extrema direita como Donald Trump dos EUA. Por isso, Paulo Guedes em comum acordo com Bolsonaro está esticando ao máximo a corda, aproveitando o caminho sem resistência deixado pelo PT e as principais centrais sindicais, e no último dia 20/02 Bolsonaro acompanhado do ministro da casa civil Onyx Lorenzoni, do presidente da câmara Rodrigo Maia e do Senado Davi Alcolumbre, entregou ao congresso o projeto de reforma da previdência que na prática levará os trabalhadores a ter que trabalhar até morrer.

Qual a estratégia da burocracia sindical?

Trotsky já alertava para o fato de que no capitalismo monopolista a burguesia admite cada vez menos sindicatos independentes, e por isso exige que as burocracias que controlam os principais sindicatos se transformem em sua polícia política aos olhos da classe operária (Trotsky, os sindicatos na época de decadência imperialista). Essa polícia política, a partir das cúpulas que dirigem as principais centrais adota uma estratégia em relação a reforma da previdência, baseada em:
a-) negociar com o governo 2 pontos especificos da reforma da previdência (idade mínima e regra de transição);

b-) desmoralizar os setores de vanguarda traindo lutas de resistência a ataques que já começam a ocorrer. Como aconteceu recentemente no Metrô de SP e atualmente como Sinpeem e CUT tentam fazer isolando a greve dos servidores e professores municipais, sem tentar massifica-la para ganhar apoio popular contra a reforma.

c-) impedir que haja qualquer resistência real aos ataques em curso como a CUT faz diante o anúncio da FORD fechamento da planta e de mais de 3200 demissões. Centralizando mais as decisões nas cúpulas e afastando as bases das categorias nos chamados “Dia nacional de Mobilização” contra a reforma da previdência.

d-) Separar a luta contra a reforma da previdência das lutas democráticas contra o avanço das pautas conservadoras. Sem organizar na base das categorias a construção do 08 de março e do ato do dia 14 por Justiça a Marielle como parte do plano de luta.

Desde aí fica mais fácil entender os acordos que CUT e CTB fazem com as demais centrais, em particular a Força Sindical, para sustentar também a política de suas direções PT e PC do B de frentes parlamentares. O movimento do governo de vazar projetos draconianos e depois ir alterando, além de ser um teste para ver que nível de rechaço surge, também é funcional para essa estratégia das centrais. Assim, buscam se relocalizar nesse novo regime tentando se manter como interlocutores entre as propostas do governo e o movimento operário, e para isso mantém um discurso que permita obter algum espaço para negociar, como já se expressou nas aproximações da CUT com o vice presidente General Mourão, e da Força sindical com Paulo Guedes. Por sua vez, a UGT sinaliza mais alinhamento com o governo, não vão mais nas reuniões das centrais e nem participam dos calendários unificados, mostrando o objetivo estampado em seu site de “um sindicalismo de novos tempos” colaborativo com o bolsonarismo.

Diante desse cenário, que aconteceu a assembleia nacional da classe trabalhadora chamada pelas Centrais também no dia 20/02. Um dia que não foi construído na base de nenhuma categoria, e dali mais uma vez se encaminhou um manifesto que não apresenta nenhum plano de luta e nem ao menos uma data para o novo dia de mobilização, ficando a cargo novamente das cúpulas das centrais definirem em uma nova reunião que acontecerá no próximo dia 26/02. A CSP-Conlutas assinou esse manifesto e mais uma vez lançouuma nota que reivindica unidade das centrais sindicais, sem nenhuma critica ou delimitação, que mais uma vez cobre pela esquerda a política traidora da burocracia sindical em se negar a construção de uma frente única operária contra a reforma da previdência.

A derrota sem luta em São José dos Campos: Da capitulação ao golpismo a adaptação as centrais sindicais

“A primeira delegação sindical a negociar com o Palácio do Planalto na gestão mais à direita desde a redemocratização integra a Conlutas, braço do PSTU, o mais radical partido de esquerda do país, que disputa a Presidência da República há mais de uma década com o slogan ‘contra burguês, vote 16’”. A matéria do Jornal Valor Economico do dia 15/02, refere-se ao encontro que participou o sindicato dos Metalurgicos de São José dos Campos, após o comunicado oficial da transação da venda da Embraer a Boeing, cujo objetivo do governo era gerar o isolamento dos partidos de esquerda para intermediação dos seus interesses. O fato de uma mídia burguesa como o Valor agitar esse fato, mostra como o PSTU ficou refém da sua própria política principalmente nos últimos 3 anos.

Não foi por falta de alerta em diversas reuniões e fóruns da CSP-Conlutas, e em diversas polêmicas no portal Esquerda Diário, que alertávamos a direção majoritária da central, que a capitulação ao golpe institucional, como se fosse um processo de ruptura progressiva das massas com os governos de conciliação de classe do PT, levaria a preparar derrotas nos seus principais bastiões, em setores estratégicos da vanguarda da classe operária como os metalúrgicos de São José dos Campos. Foi o terreno que a patronal precisava para aplicar a reforma trabalhista através de uma absurda chantagem da GM, ameaçando com demissões, caso os trabalhadores não aceitassem o pacote de retirada e flexibilização dos direitos.

O PSTU argumentará: o sindicato foi contra, mas os trabalhadores aceitaram! Foram os trabalhadores que durante 3 anos ficaram dizendo que não havia golpe, para avançar e aprofundar os ataques aos direitos? Foram os trabalhadores que não preparam a luta? Foram os trabalhadores que não fizeram uma exigência as centrais sindicais para que cercassem de solidariedade os operários da GM e dessem condições concretas para que eles pudessem lutar? E a CSP- Conlutas que organiza diversos sindicatos, que mesmo as centrais não fazendo nada, não poderiam articular uma política de solidariedade de classe? A pior derrota é aquela que nem ao menos se prepara a batalha. Mostra que diante a nova situação política do país com o governo Bolsonaro, a política do último período do PSTU deixou os trabalhadores da GM em São José dos Campos entre a cruz e a espada.

A CSP-Conlutas precisa ser uma alternativa a burocracia sindical e exigir uma frente única operária contra a reforma da previdência

Nesse final de semana nos dias 22/02 a 24/02 se reunirá novamente a Coordenação Nacional da CSP-Conlutas em São Paulo. A situação política nacional exige que a Central reveja a política que vem adotando até agora que não prepara a vanguarda da classe trabalhadora para resistir os ataques que vem sendo implementados, em particular a reforma da previdência.

Sua ala majoritária insiste em pintar de vermelho a política da burocracia sindical. Enquanto, o bloco minoritário com a corrente Resistência- PSol a frente, faz o mesmo através da adaptação a política de frente parlamentar e seguidismo ao PT do PSol de “oposição responsável”, que no movimento operário na prática respalda a política da burocracia sindical. As duas alas, mesmo que por distintas vias, terminam fazendo uma reivindicação alegre da “unidade das centrais”, por fora de qualquer delimitação com a burocracia e qualquer exigência para que se conforme uma frente única operária nos locais de trabalho.

Por isso, nossa proposta é que na Coordenação Nacional se faça um chamado público, a partir de todos os sindicatos e oposições dirigidas pela CSP-Conlutas, denunciando o papel traidor que as Centrais Sindicais vem tendo em isolar as lutas que estão em curso, desmoralizando a vanguarda operária, em prol sua estratégia de negociação com o governo bolsonarista, ao mesmo tempo que se faça a exigência da construção imediata de um plano de luta, que passe hoje em uma solidariedade ativa a greve dos professores e servidores municipais em SP através de uma campanha nacional em defesa do direito de greve e a construção de um fundo de greve, contra o corte de ponto realizado por Bruno Covas. Nesse chamado, deve se reforçar também que os parlamentares do Psol transformem sua força parlamentar em força social, fazendo também essa exigência as centrais, unificando a luta contra a reforma da previdência com a luta das mulheres no 08 de março e por Justiça Marielle.




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